Barreiro - LANÇAMENTO DO LIVRO CICLO DE CONFERÊNCIASCOM ÁLVARO CUNHAL «ARTE NO FIM DO SÉCULO»

Por Jornal Rostos
A Conferência que contou com a participação de Álvaro Cunhal teve lugar a 21 de novembro de 1998 no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro e teve como tema “O Povo na Arte e na Criação Artística”.
Com edição e conceção gráfica da CMB e coordenação de Maria Isabel Flório e Luís Nogueira, este livro, que contem a transcrição da conferência, foi lançado numa iniciativa conjunta da Autarquia e da Artesfera.
Francisco Palma, Presidente da Assembleia Geral da Artesfera, fez o enquadramento da publicação e do Ciclo de Conferências. Referindo-se à conferência com Álvaro Cunhal, considera que a intervenção do político e artista “respondeu a alguns equívocos em relação ao pensamento artístico dele”.
Em relação à atualidade, Francisco Palma referiu que “com todos os constrangimentos que temos vindo a sentir, a arte é um dos primeiros alvos”. Porém, considera que “o Barreiro é talvez dos únicos Concelhos a dar condições para que a atividade artística se desenvolva. Até aos anos 90 todos os ateliês foram acabando nos outros Concelhos. O Barreiro deve ser dos poucos que tem ateliês municipais que são cedidos a artistas para desenvolverem a sua criação”.
O livro de Álvaro Cunhal “A Arte, o Artista e a Sociedade”, a preocupação relativamente às questões da forma e do conteúdo, a liberdade na criação artística, a audácia para trabalhar novos materiais, a localização do artista num tempo e num espaço foram alguns dos temas recordados por Maria Isabel Flório relativamente ao pensamento e obra de Álvaro Cunhal, referindo, no fim, que “foi sempre coerente naquilo que ele sonhou e que ele realizou”.
Luís Nogueira falou resumidamente sobre o processo de realização do livro, agora lançado, e abordou a obra literária de Álvaro Cunhal, nomeadamente os livros “Cinco Dias, Cinco Noites” e “Até Amanhã, Camaradas”, que considerou como um louvor à luta clandestina antes do 25 de Abril de 1974.
Por último, elogiou a atitude da Autarquia barreirense face ao apoio e ao desenvolvimento da atividade cultural.
O Presidente da CMB, Carlos Humberto de Carvalho, agradeceu “a todos os que colaboraram connosco na edição deste livro, à Artesfera, aos coordenadores, pelo trabalho persistente para a concretização”.
Recordou que o livro é lançado no âmbito das Comemorações dos 40 Anos do 25 de Abril e ainda do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal. “É com satisfação que a CMB está a editar este livro de uma figura da história contemporânea portuguesa”.
“O 25 de Abril foi um processo e, para haver um processo, tem de haver um conjunto de acontecimentos e personagens que o concretizem”, salientou, considerando que a Revolução de Abril foi “a consequência de um conjunto muito marcante de intervenções, de sonhos, de pessoas, de pequenos passos”, em que Álvaro Cunhal “foi uma figura marcante e teve uma grande importância”. Destacou a “grande firmeza nos princípios e a capacidade e maleabilidade de encontrar as soluções sem pôr em causa esses princípios”, e terminou considerando que o País não reconheceu totalmente o papel que “Álvaro Cunhal teve na história contemporânea”.
Fonte - CMB













