No Barreiro «Dia da Cidade» celebra-se com MúsicaJUPITER & OKWESS INTERNATIONAL, GAITEIROS DE LISBOA e muito mais
Integrando a iniciativa "Barreiro Memória e Futuro", responsabilidade da Câmara Municipal, esta programação é a resposta ao desafio que nos foi colocado, o de dar à Música um papel central nestas comemorações, refere a «OUT.RA Associação Cultura»l

Por Jornal Rostos
A partir das 16h e até às 02h, passam por locais únicos da cidade artistas de relevo local, nacional e internacional, num programa diversificado, plural e celebratório, no qual destacamos os fantásticos GAITEIROS DE LISBOA e os explosivos congoleseses JUPITER & OKWESS INTERNATIONAL, estrelas do FMM 2012 em Sines, e do Lisboa Mistura em 2014.
Todos os concertos são de entrada livre.
GAITEIROS DE LISBOA
16h00
Oficinas da EMEF (Avenida da República)
Poucos serão os grupos nacionais a reunir mais admiração e consenso que os GAITEIROS DE LISBOA, e nenhum, arriscamos, melhor simboliza a construção de um futuro a partir das memórias.
Pela música dos Gaiteiros, elogiada ao longo dos anos por toda a imprensa nacional, passam ecos da história e o resultado de um olhar sério e profundo sobre as nossas raízes, sobre as ligações que nos prendem à Europa e ao mundo, mas também sobre as possibilidades encerradas pelo futuro. Uma das marcas da identidade dos Gaiteiros e dessa abertura a um universo de possibilidades passa pela invenção de instrumentos, uma das receitas para o seu som original que marca tanto os espectáculos como a sua aplaudida discografia.
Inventamos também, para o seu espectáculo, um palco num local emblemático do passado de trabalho da cidade, e um local cujo futuro continua a ser determinante para a identidade barreirense: as Antigas Oficinas da CP (actual EMEF), lugar dos mais variados episódios de resistência, entre os quais o motim gerado pela prisão do serralheiro José Francisco, pela política política, em 1936.
BARDOADA - O GRUPO DO SARRAFO
17h30
Arruada entre as Oficinas da EMEF e a Sede do Luso Futebol Clube (Avenida Henrique Galvão)
Durante a vigência do Estado Novo, as comemorações do dia da implantação da República revestiram-se de alto valor simbólico para os oposicionistas ao regime, sendo frequentemente cerceadas pelas forças da repressão na medida em que comemorar este significava, acima e antes de tudo, lutar pela restauração de um regime democrático em Portugal. A Rota da Resistência assinala, na Rua dos Combatentes, uma das mais emblemáticas acções do 5 de Outubro, neste caso, em 1960, quando Manuel Cabanas, ferroviário, artista e conhecido oposicionista do regime, é preso pela GNR e entregue à polícia política, por ocasião das comemorações que organizara na sua casa, no nº 34 desta rua, juntamente com mais 43 democratas.
Através das percussões tradicionais da BARDOADA – GRUPO DO SARRAFO, grupo oriundo do Pinhal Novo, percorrer-se-á toda a Rua dos Combatentes, atravessar-se-á o Parque Catarina Eufémia, onde, no 1º de Maio de 1962 (quando se chamava ainda Parque Oliveira Salazar), se regista uma grande mobilização de populares violentamente interrompida pela GNR, e terminar-se-á às portas da sede do Luso Futebol Clube, próximo palco deste dia.
BEATRIZ NUNES QUARTETO
18h15
Sede do Luso Futebol Clube (Avenida Henrique Galvão)
O quarteto da barreirense BEATRIZ NUNES, a actual voz dos Madredeus, conta com Jorge Moniz na bateria, Mário Franco no contrabaixo e Luis Barrigas no piano, e surge do interesse pelo repertório cantado português, da música tradicional/popular portuguesa ao jazz, materializando-se num elogio a alguns dos mais relevantes cantadores portugueses e numa homenagem às suas canções.
O grupo conta com arranjos originais de canções de Zeca Afonso, Fausto ou João Loio, bem como com temas de Mário Laginha ou João Paulo Esteves da Silva. Algumas das canções que podemos ouvir são “Lembra¬me um Sonho Lindo”, de Fausto, “Canção da Paciência” ou “Coro da Primavera” de Zeca Afonso, entre outras.
Este reportório, em estreia, é particularmente indicado face à efeméride que se assinala ao realizar um espectáculo no Luso Futebol Clube: nada menos que uma sessão de música e poesia organizada pelo Cine-Clube do Barreiro a 11 de Novembro de 1967, com a presença de artistas como Odete Santos, Rui Pato, Carlos Paredes, Fernando Alvim, Teresa Paula Brito e Zeca Afonso. O ambiente entusiástico da sessão iria culminar no pedido da numerosa assistência para que Zeca Afonso cantasse “Os Vampiros”, música que fora proibida pelo regime. Como consequência, e após um corte da energia eléctrica que viria a prolongar-se por mais dois dias, vários membros da direcção do Cine-Clube viriam a ser detidos.
CACHUPA PSICADÉLICA
21h30
SIRB "Os Penicheiros" (Rua Eusébio Leão)
JUPITER & OKWESS INTERNATIONAL
22h30
SIRB "Os Penicheiros" (Rua Eusébio Leão)
PISTA & COOPERATIVA SOUND SYSTEM
00h00
Largo Casal (Avenida Almirante Reis / Rua Eusébio Leão)
A Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense “Os Penicheiros”, e o emblemático Largo do Casal (oficialmente Largo Gago Coutinho e Sacadura Cabral), constituir-se-ão como o centro nocturno destas celebrações.
A partir das 21h30, o Salão desta colectividade recebe os lisboetas CACHUPA PSICADÉLICA, uma das maiores revelações da música nacional do último ano, num cruzamento absolutamente original entre os ritmos e o crioulo de Cabo-Verde, a Lisboa em que cada vez mais cabe todo o mundo e o rock como aspiração universal.
Segue-se JUPITER BOKONDJI e os seus OKWESS INTERNATIONAL, grande atracção internacional deste dia e um caso paradigmático de uma recompensa e reconhecimento que tardaram em chegar. Activo desde o início dos anos 90 na sua Kinshasa (R.D. Congo) natal, e com um rol quase interminável de concertos por todo o continente africano, foi só no início desta década que, graças a Damon Albarn, dos Blur, o mundo ocidental tomou conhecimento desta imparável locomotiva de Afropop, funk, rock e ritmos tradicionais congoleses, ao testemunhar concertos de incomparável energia e mensagens de cariz marcadamente político e global, como foi o caso dos muitos milhares que tiveram oportunidade de assistir ao encerramento do Festival Músicas do Mundo de Sines, em 2012, por ocasião da sua estreia nacional. Uma história de resistência que marca em pleno o espírito desta rota.
Pelas 00h00, e já ao ar livre, em pleno Largo Casal, a festa prossegue com os barreirenses PISTA, um dos últimos grupos a perseguir a já saudável tradição de bandas locais a ganhar uma verdadeira dimensão nacional, como são exemplo concertos recentes em Évora, Coimbra, Alcobaça e Braga, e presenças nas comemorações dos aniversários do Canal 180, no Porto e do Village Underground, em Lisboa, ou ainda o airplay que têm merecido na Vodafone FM, Rádio Radar ou Antena 3. A finalizar, o melhor colectivo de DJ´s barreirense, a COOPERATIVA SOUND SYSTEM, tomará conta do sistema sonoro do Largo Casal.













