Comemoração dos 80 anos de Agitação e Luta de Fevereiro de 1935 no BarreiroO REGRESSO DAS BANDEIRAS
As marcas da resistência e luta ela Liberdade são parte integrante das memórias do concelho do Barreiro.
Um dos episódios inscrito é o da «Bandeira vermelha», registado na toponímia local com a atribuição do nome de «Rua da Bandeira», e colocação de uma placa, no local onde existiu uma das chaminés onde foi içada a bandeira.

Por Jornal Rostos
Segundo nos referiu, recentemente, Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, existem e estão na Torre do Tombo as bandeiras vermelhas que foram içadas no Barreiro em 28 de Fevereiro de 1935.
Sublinhou o autarca que, contrariamente ao que se dizia que as bandeiras içadas no Barreiro, eram «bandeiras vermelhas», afinal, eram bandeiras do Partido Comunista - "estão na Torre do Tombo", sublinhou o edil.
E, acrescenta Carlos Humberto - "não foi só uma bandeira, são várias bandeiras".
No próximo dia 14 de Dezembro, pelas 16 horas, no Espaço Memória, uma sessão assinala o regresso das bandeiras ao Barreiro.
Sobre a Bandeira Vermelha
Sobre as memórias da «Bandeira Vermelha» reproduzimos um texto de Vanessa de Almeida, historiadora, publicado no trabalho sobre a «Rota da Resistência no Barreiro».
Rua da Bandeira – Semana de Agitação e Luta em Fevereiro de 1935
No dia 28 de Fevereiro de 1935 tem lugar uma jornada de agitação no Barreiro, organizada pela Comissão Inter-Sindical (CIS), afecta ao PCP. Envolvendo operários da CUF e ferroviários, ilustra a influência crescente do partido comunista no seio do operariado barreirense.
A acção tem início às 22.15h, mediante o corte da energia eléctrica, apagão que só viria a ser normalizado com o restabelecimento da corrente eléctrica meia-hora mais tarde. São hasteadas bandeiras vermelhas em toda a vila, a par da distribuição de material de propaganda. Na chaminé das oficinas dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste, é hasteada uma bandeira vermelha de grandes dimensões, pelas mãos de Acácio José da Costa, responsável pelo Comité Local
do PCP, coadjuvado pelos ferroviários José João Rodrigues, Joaquim Rebelo e António Fernandes. Face à dimensão dos
acontecimentos, a PVDE é chamada a intervir, deslocando-se à CUF e às Oficinas dos CFSS à procura de possíveis cabeças de motim, acabando por prender 45 operários, os quais viriam a ser submetidos a violentos interrogatórios no posto policial da vila.
Posteriormente, Acácio José da Costa, será enviado para o Tarrafal, integrando a primeira leva de prisioneiros que inauguram o campo de concentração.













