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Terramoto de 1755Um tsunami engoliu toda a zona costeira do Tejo e o Barreiro não ficou de fora

Pouco depois do Violento abalo, um tsunami engoliu toda a zona costeira do Tejo, e o Barreiro não ficou de fora. Ondas de 20 metros entraram pelo Tejo a dentro e provocaram mais danos e retiraram mais vidas àqueles que não conseguiram escapar.

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Terramoto de 1755 Um tsunami engoliu toda a zona costeira do Tejo e o Barreiro não ficou de fora

Por Jornal Rostos

Eram 9 da manhã do dia 1 de Novembro de 1755, e como de costume todos os anos, grande parte da população da, na altura, vila do Barreiro se preparava para ir à missa do dia de Todos os Santos. Estava uma manhã clara, serena e aprazível, quando por volta das 9:30 da manhã, um violentíssimo abalo provoca o caos e o pânico pela população Barreirense. Um tremor de terra de duração entre 8 a 10 minutos causa grande aflição no povo que rapidamente procura abrigo, correndo em direcções distintas e desordenadas. O Impacto do tremor de terra provoca queda de muros, paredes e chaminés, e rouba a vida a pelo menos 6 cidadãos barreirenses, cuja morte foi registada pelo padre que se encarregavam do registo de Óbitos.

Helena Teresa, casada na altura com José de Pina, que trabalhava como Pescador teve a sua vida tirada quando lhe ruiu em cima uma parede. O mesmo azar teve Joaquina Francisca casada com José Fernandes, também pescador e a sua filha ainda criança, de nome Esperança. Estas três vitimas foram sepultadas todas na mesma cova no adro da Igreja Matriz da Vila do Barreiro, por não haver espaço na igreja devido às suas ruínas.
Jacinta, criança, também ficou soterrada de baixo de uma chaminé que ruiu. Era filha de Estêvão Ferraz, Pescador e de Maria Ribeira.

Pouco depois do Violento abalo, um tsunami engoliu toda a zona costeira do Tejo, e o Barreiro não ficou de fora. Ondas de 20 metros entraram pelo Tejo a dentro e provocaram mais danos e retiraram mais vidas àqueles que não conseguiram escapar. Jerónimo Pereira, jovem solteiro morreu afogado por consequência da entrada do mar em terra. Era filho de António Pereira, pescador e de alcunha “o Carráo”, e de Josefa Rodrigues. O mesmo desfecho teve a vida da pequena Teresa, que morava no Moinho da Verderena, e que aí morreu também afogada. Era filha de Manuel Pereira e Anastácia Maria.

Os dias que se seguiram ao terramoto, serviram em grande parte para a reconstrução do que tinha sido destruído. E com a limpeza dos destroços, apareciam por vezes mais vitimas, como é o caso de um individuo, que a identidade nunca foi descoberta, que foi encontrado na praia da vila, num avançado estado de decomposição, no dia 30 de Novembro do mesmo ano.

Ao todo, estão documentadas 7 vitimas mortais no Barreiro, 6 cidadãos aqui residentes, e um que nunca se saberá de onde era, nem quem foi.

João Naia da Silva
Publicado no jornal «Rostos» em 01.11.2016

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