GulbenkianConcerto da Páscoa
Grande Auditório Gulbenkian
Concerto da Páscoa
Quinta, 24 de Março, 21h00
Sexta, 25 de Março, 19h0
Por Jornal Rostos
Coro Gulbenkian
Orquestra Gulbenkian
Michel Corboz Maestro
Letizia Scherrer Soprano
Christine Labadens Meio-Soprano
James Taylor Tenor
Hugo Oliveira Barítono
Wolf Matthias Friedrich Baixo
Felix Mendelssohn-Bartholdy
Christus, op.97
Wolfgang Amadeus Mozart
Requiem, K.626 (Instrumentação de Franz Beyer - 1971)
O tradicional concerto coral-sinfónico dirigido por Michel Corboz no tempo de Páscoa propõe este ano o Requiem K.626 de Mozart, obra prima que dispensa apresentações e se impõe para lá de qualquer contexto ou pretexto de calendário litúrgico. Desta feita a temática da Paixão será evocada na primeira parte do concerto com a oratória Christus op.97 de Mendelssohn. Oratória incompleta e de composição mais tardia do que Paulus (1836) e Elias (1846), esta obra confirma Mendelssohn, contudo, como um expoente maior no movimento de renovação da música sacra no romantismo alemão, renovação essa que, como é sabido, foi largamente inspirada pela sua “descoberta” da Paixão segundo São Mateus de J.S.Bach, em 1829, para além da óbvia influência musical das oratórias de Haendel. Mendelssohn explora toda uma série de efeitos de grande eficácia dramática, conjugando uma larga gama de recursos expressivos ao nível do coro, orquestra e solistas em passagens que oscilam desde o registo contemplativo até à exaltação espiritual de intenso enlevo emocional.
Michel Corboz tem uma relação privilegiada com o Coro Gulbenkian, que remonta a 1969, ano em que foi nomeado maestro titular desta formação, sendo por isso em grande medida o mais directo responsável pelo processo de alargamento, estabilização e desenvolvimento desta formação, praticamente desde a sua génese. Precisamente entre as obras que gravou com o Coro e Orquestra Gulbenkian, cabe aqui destacar a propósito deste programa o Requiem de Mozart e ainda os Salmos e a Oratória Elias de Mendelssohn.
Para além de ter abordado praticamente todo o reportório coral-sinfónico, Michel Corboz é internacionalmente reconhecido como um músico particularmente sensível à tradição musical francesa, não devendo ser esquecido o facto de que na sua geração se mostrou particularmente atento à valorização da música antiga, nomeadamente da obra de compositores como Monteverdi, Cavalli ou Charpentier. Foi aliás com as gravações das Vésperas e Orfeo de Monteverdi (1965 e 1966, respectivamente), com o Ensemble Vocal de Lausanne, que Michel Corboz viu a sua actividade internacionalmente consagrada.
Concentração no detalhe expressivo, na interligação entre texto e música, a par de uma visão em longos arcos expandidos no tempo é o que se pode esperar da espiritualidade musical fortemente investida de Michel Corboz.
José Luís Figueira













