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60ºaniversário da Greve de 1943“Era triste nós chegávamos a ter medo uns dos outros. Era triste”

“Quebrámos mas não caímos de joelhos” – palavras de Rodas Neprevil, um dos protagonistas deste acontecimento que marcou a história da cidadania barreirense.
Uma greve que durou 18 dias e que só a fome obrigou os operários a ceder, perante a repressão e uma terra militarizada.

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60ºaniversário da Greve de 1943 “Era triste nós chegávamos a ter medo uns dos outros. Era triste”

Por Jornal Rostos

Num documentário que marcou o início da sessão, Rodas Neprevil (recentemente falecido), recordou o que foram aqueles dias de luta, pela liberdade e pelo pão.
Rodas Neprevil ( lido ao contrário, lê-se “livre pensador”) – sublinhou, emocionado – “Quebrámos mas não caímos de joelhos. Fomos vencidos pela fome”.
Belmiro Ferreira, outro dos protagonistas, recordou o clima de denunciantes que foi criado, de “bufos” que existiam para servir poder político e sublinhou – “Era triste nós chegámos a ter medo uns dos outros”.
Vanessa de Almeida, recordou emocionada estas duas personalidades com quem conviveu no decorrer do trabalho de investigação, evocou, igualmente, com lágrimas nos olhos, João Costa Feijão, sublinhando que com todos - “os que falámos deram-nos lições de vida”.
Vanessa de Almeida recordou o importante papel das mulheres na greve de 1943, sublinhando que “as mulheres barreirenses são aguerridas, senhoras com garra” e referiu um relatório da PVDE ( polícia politica que antecedeu a PIDE) onde se salientava – “Quem causa mais distúrbios são as mulheres, as operárias da zona têxtil”.
Na sua intervenção salientou aspectos diversos da greve de 43, quer nos seus antecedentes, quer nas suas consequências, referiu a necessidade de se aprofundar a investigação e questionou porque, ao longo dos anos, no Barreiro, pouco se tem falado de nomes como Victor Velez Grilo e Francisco Inácio Costa.
Finalizou a sua intervenção lendo um poema de José Rosa Figueiredo, escrito na prisão, quando da sua detenção após participar na greve de 1943.

Preservar as memórias da cidade

Amílcar Romano, Vereador do Pelouro da Cultura, recordou as repercussões que a greve de 1943 teve na cultura barreirense, e na identidade individual e colectiva.
Referiu que a edição da obra que foi apresentada, com as comunicações do “60 º aniversário da Greve de 1943 no Barreiro” é parte integrante de um projecto editorial da Câmara Municipal do Barreiro, tendo por objectivo preservar as memórias da cidade.
Leal da Silva, um dos autores da obra, referiu que “há muitos factos na história do Barreiro que não podem ser esquecidos” e neste contexto considerou que é importante que o lançamento desta obra seja um contributo para que se desenvolva “um estudo mais aprofundado”, porque o Barreiro é “uma terra ímpar” na história de Portugal.
Edmundo Pedro, outro dos autores presente, referiu que é “importante o trabalho de recuperação da memória do Barreiro” porque, na sua opinião, conhecer a memória da cidade permite ir ao encontro das suas tradições de luta pela liberdade.
Na sua intervenção, após recordar factos das suas vivências, enquanto prisioneiro no Tarrafal e lutador antifascista, sublinhou que prestava homenagem “a todos os comunistas que lutaram, acreditaram e deram tudo pela liberdade”.
Edmundo Pedro anunciou que está a escrever as suas memórias politicas.

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