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Moldura

No Barreiro apresentada a obra“A Desaparecida Igreja de S. Francisco”

No âmbito do projecto “Barreiro no Tempo”, a Câmara Municipal do Barreiro lançou, ontem, dia 2 de Agosto, a publicação “A Desaparecida Igreja de S. Francisco”, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro.

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Por Jornal Rostos

Esta é a primeira edição de cadernos “O Barreiro no Tempo”. Da autoria de Fernando Carvalho da Mota, do Arquivo Municipal do Barreiro, a publicação conta com uma aguarela de Eugénio Silva, reproduzida na capa.

O Vereador Amílcar Romano, responsável pelo Pelouro da Cultura, considera o “trabalho exemplar, pois devemos ter em atenção aos aspectos científicos e de investigação presentes nesta publicação”.

Na opinião do autarca, este trabalho “vai sensibilizar barreirenses a investir em processos como este de investigação, de procura e troca de informação”.

O Vereador felicitou o autor “pela sensibilidade de envolver o trabalho com fotografias que fazem parte do nosso Património Cultural e que nos ajudam a reviver as nossas origens”.

O autarca encorajou os técnicos da autarquia e sensibilizou todos os barreirenses para se envolverem neste processo, pois é possível elaborar trabalhos como este, porque a História tem que ser reposta”.

“O progresso venceu e a memória também”

O autor Fernando Mota agradeceu a presença de todos, em especial a Maria Manuela Cabrita, que lhe deu acesso ao espólio do fotógrafo Augusto Cabrita, marcando o início da investigação.

Ao observar seis negativos fotográficos e apesar de nunca ter visto a Igreja, foi “como se encontrasse um tesouro. Senti que era referente a uma Igreja que parecia ser do Barreiro, mas a identificação das imagens era difícil, pois não havia nenhuma referência ao local”. Contudo, com a ajuda da informática, depois de digitalizar a imagem, “descobriu um cartaz na parede da igreja das Festas do Barreiro de 1957, mas só tive a certeza quando observei outro negativo em que se via a Rua Serpa Pinto”.

O autor referiu o historial da Igreja, até à sua demolição, para dar lugar à instalação da primeira estação automática de telefones. Segundo Fernando Mota “é uma atitude que choca porque está a ser demolida parte da História… o progresso venceu e a memória também”.

Foi “com muito gosto” que o Padre Rodrigo Mendes, ex-Reitor da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, se associou a esta iniciativa que recorda as memórias do passado. O Padre fez referência à imagem de São Francisco de Assis que está na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e que pertencia à antiga paróquia.

Esta publicação recorda a antiga Igreja de S. Francisco, outrora situada entre a Rua Miguel Bombarda e a Travessa das Cordoarias (actual prolongamento da Avenida Alfredo da Silva).

O registo mais antigo de uma construção religiosa no local remonta a 1492. Aquando das “Visitações” efectuadas pela Ordem de Santiago, é referida a Ermida de S. Sebastião (da qual subsiste um portal manuelino, património municipal). Seria esta ermida que depois do terramoto de 1755 viria a dar origem à Igreja de S. Francisco.

Tendo caído no abandono em meados do século XIX foi entregue pelo Governo Civil do Distrito à Junta de Paróquia de Santa Cruz do Barreiro em 1878. A Igreja de S. Francisco, apesar de degradada, continuou aberta ao culto - principalmente durante a procissão do Senhor dos Passos - até 1911, apesar de, desde 1893, funcionar no seu antigo quintal e edifícios anexos a Abegoaria Municipal (os serviços de higiene e limpeza da edilidade).

Em 1915 passa definitivamente para a posse da Câmara Municipal do Barreiro que instala no interior do corpo da antiga igreja uma oficina de ferreiro e carpintarias.

Em 1954 a Câmara Municipal do Barreiro decide doar os terrenos e edifícios da Igreja de S. Francisco ao Patriarcado de Lisboa, com o propósito de a reabrir ao culto.
Contudo, o Patriarcado decide vender os terrenos utilizando os fundos para a fábrica da Igreja de Santa Maria. Os terrenos agora na posse da “The Anglo-Portuguese Telephone Company” seriam destinados a um melhoramento aplaudido no Barreiro: a instalação da primeira estação automática de telefones. Para tal, a Igreja de S. Francisco foi totalmente demolida, restando dela apenas as imagens captadas pela película do fotógrafo barreirense Augusto Cabrita, que fixou os seus últimos momentos em 1957.

“A Tauromaquia no Barreiro. Uma Figura: Armando Soares”

O próximo caderno será editado ainda em Agosto. “A Tauromaquia no Barreiro. Uma Figura: Armando Soares”, também de Fernando Carvalho da Mota, é um pequeno estudo biográfico que dá a conhecer o percurso de um prestigiado lidador português, nascido no Barreiro, de nome Armando Soares.

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