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Moldura

Rosalina Carmona apresenta“… do Barreiro ao Alto Seixalinho
Um Passado Rural e Operário”

A obra “”… do Barreiro ao Alto Seixalinho Um Passado Rural e Operário”, de autoria de Rosalina Carmona, com fotografia de Guta de Carvalho, é uma edição da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho.
Será apresentada, n dia 24 de Setembro, pelas 21 horas, no Convento da Madre de Deus.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

A obra que vai ser lançada foca vários aspectos da história do Barreiro e do Alto do Seixalinho, durante os 5 séculos que decorreram desde o final do século XV – data em que se regista a existência de uma Ermida dedicada a S. Marcos, no Alto dos Casquilhos - até meados do século XX, quando o espaço que actualmente constitui a Freguesia do Alto do Seixalinho sofreu transformações surpreendentes.

Registamos alguns tópicos da obra de Rosalina Carmona.

A criação da Freguesia, datada de 1985, é o corolário de um processo de evolução que corresponde à expansão urbana que caracterizou a Vila do Barreiro, a partir de meados de oitocentos, com a introdução do caminho de ferro e que sofreu uma aceleração repentina, com a instalação das indústrias químicas, no princípio do século XX.
O espaço rural que tradicionalmente caracterizava esta zona, constituído por quintas, pomares e terras de semeadura, em especial vinhas, cedeu lugar, em pouco mais de 2 décadas ao espaço urbanizado.
O espantoso processo de industrialização que caracterizou o Barreiro entre os dois conflitos mundiais desencadeou, por seu turno, um outro fenómeno importantíssimo: a migração interna, que se prolongou pelas décadas seguintes, até ao final dos anos 70. Para muitas famílias provenientes dos meios rurais, o Barreiro era uma terra de promessas, que nem sempre se concretizaram.

Os documentos e os testemunhos atestam e comprovam as dificuldades do dia-a-dia, de uma nova classe – a classe operária, que pouco a pouco se foi constituindo, suportando condições de vida assombrosas.
Foi especialmente no espaço geográfico que actualmente representa a Freguesia do Alto do Seixalinho que essas transformações do tecido económico-social do Barreiro tradicional se foram operando. Nesta freguesia edificaram-se vários bairros, destinados a «acolher e dar abrigo» aos operários e às suas famílias.
Nos anos 40, o Estado Novo desenvolve os “bairros de casas económicas” e “bairros de casas para pobres”, tão do agrado de Salazar, os quais mereciam da parte do ditador os maiores elogios nos seus discursos e na propaganda oficial do regime.
As “casas para pobres” começam então a ser construídas nesta época. No concelho do Barreiro, o Alto de Seixalinho, foi o local escolhido para a construção destes primeiros bairros para operários.
A construção de vários conjuntos habitacionais, sobretudo a partir dos anos 40, destinados a «certas famílias menos abastadas, especialmente as de operários», veio definir a vocação e o carácter desta zona, conferindo-lhe características próprias, visíveis no seu património histórico e arquitectónico.
É desta realidade que emerge a feição marcadamente operária da Freguesia do Alto do Seixalinho.

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