Mulheres de Portugalde D. Anghel
na Galeria de Arte do Casino Estoril
Por Jornal Rostos
A realização desta exposição – Mulheres de Portugal – que será inaugurada no próximo dia 22 de Setembro, às 21,30 horas, marcando de forma condigna o início da temporada artística da Galeria de Arte do Casino Estoril, nasceu de um facto muito simples. No XVI Salão de Primavera (2003), de entre as quatro dezenas de artistas presentes, uma jovem romena, finalista da Faculdade de Belas Artes de Lisboa, Daniela Anghel, apresentou dois excelentes retratos de duas damas romenas, executados com uma apurada técnica, invulgar para uma jovem da sua idade. Daí o justificado convite para a execução deste projecto de registar na tela o rosto de umas três dezenas de portuguesas, que ao longo dos séculos e até à actualidade se notabilizaram nos mais diversos campos da actividade. O convite foi aceite e a exposição aí está. Envolveu para a sua autora um aturado trabalho de pesquisa, leitura de livros e recolha de dados sobre as três dezenas de portuguesas ilustres.
São elas, a Rainha Santa Isabel, Inês de Castro, Deu la Deu Martins, D. Filipa de Lencastre, Rainha D. Leonor, Infanta D. Leonor, D. Luísa de Gusmão, Josefa de Óbidos, Soror Mariana, D. Maria I, Luísa Todi, Maria Francisca Benedita, Marquesa de Alorna, D. Maria II, D. Estefânia, Florbela Espanca, Maria Lamas, Luísa Satanela, Ofélia Queirós, Palmira Bastos, Mirita Casimiro, Maria Matos, Vieira da Silva, Maria Lalande, Eunice Muñoz, Carmen Dolores, Amália Rodrigues, Isabel de Castro, Maluda, Sophia de Melo Breyner, Agustina Bessa-Luís, Paula Rego, Maria João Pires e Rosa Mota.
Esta exposição de Daniela Anghel, “Mulheres de Portugal” é um tributo da Galeria de Arte do Casino Estoril à Mulher Portuguesa. Portugal deve muito às suas Mulheres e este é o motivo principal desta exposição. Por outro lado, o retrato tem sido ao longo dos séculos o melhor instrumento que a pintura faculta para garantir a intemporalidade do ser humano, como os museus de todo o mundo sobejamente comprovam.
Em casos como este, é sempre difícil fazer uma listagem de nomes que agradem a todos, pois essa escolha tem sempre uma maior ou menor componente de subjectividade e uma maior ou menor empatia do próprio artista em relação aos seus retratados. Sem dúvida, que a relação dos nomes escolhidos para esta exposição pecará por defeito. Faltam aqui 50 ou 100 nomes de grandes portuguesas que se notabilizaram nos mais diversos ramos de actividade. Uma coisa é certa. Conforme Augustina Bessa Luís escreveu no belíssimo texto para o catálogo desta exposição, “a ideia de dar uma fisionomia às mulheres de Portugal foi arrojada” e D.Anghel assumiu esse arrojo e aceitou o desafio, apresentando uma mostra que marcará uma etapa importante na sua carreira, como uma retratista de inegável qualidade e mérito, com uma linguagem muito própria e pequenos pormenores que definem já não o nascimento, mas a confirmação de uma grande retratista.













