Na Quinta da Lomba - BarreiroGrupo de Teatro Projector estreia “A Birra”

Por Jornal Rostos
A organização do espectáculo é da responsabilidade do Grupo de Teatro Projector.
A estreia realiza-se no dia 11 de Março, pelas 21,30 horas.
Todos os sábados até 3 de Junho, sempre às 21h30, poderá assistir ao espectáculo no Centro de Convívio dos Moradores da Quinta Marques da Costa - (por detrás do Centro de Saúde da Quinta da Lomba).
SINOPSE
“Procuramos o amor e a morte em cada rio para que seja igual ao mar a nossa vida”
A Birra
Haja o primeiro, de entre nós, que seja capaz de afirmar conscientemente, que nunca fez uma birra! A esse direi: É mentira!
Em verdade, já todos embirrámos com alguma coisa (a equipa, o trabalho, os políticos, a igreja, a namorada, a família, os vizinhos, o bife mal passado e até mesmo com a própria sociedade).
Também o Sr. Margarido – que não foge à regra – tem uma birra. E que birra! É que ele além de embirrar com: médicos, cangalheiros, vizinhos, forças da ordem, urnas, e com fantasmas, ainda consegue embirrar consigo próprio, por teimar em ter medo de dormir sozinho. Por outro lado, não devemos esquecer que, o Sr. Margarido além de sofrer de claustrofobia e de ter horror aos fantasmas, tem sérias dúvidas quanto à decomposição cadavérica e sobre as causas das posições insólitas em que por vezes os esqueletos são encontrados; Se resultam da simples pressão sobre os ossos exercida pelos gases, ou se os corpos lá dentro farão tentativas desesperadas, até à exaustão, para fugirem dos caixões.
Não obstante, mesmo com todas essas dúvidas e contra a sua vontade, o certo é que a morte parece ser do interesse de todos os demais. Isso indigna-o. Por conseguinte apanhou “A Birra”.
Tudo porque “um morto, mesmo que esteja vivo, tem que ser enterrado. Caramba!”
Só que ... de quem será a birra maior? A do Sr. Margarido, que se recusa a admitir que sucumbiu e que tem forçosamente de ser sepultado, ou a de todos os outros que querem que ele o seja?
Embora ele admita deitar-se, na urna, acompanhado da esposa, ele levanta outras sérias questões, nomeadamente quanto à falta de escrúpulos do cangalheiro, como também à falta de sentimentos do sargento que se escuda, permanentemente, num tal regulamento em vigor. Será tudo, isto, uma subversão insólita aos valores instituídos e com coisas sérias não se brinca?
Se calhar não. Mas se calhar, também, estamos perante um morto fora da lei. Então há que tomar medidas!
Ou esta “birra” será uma metáfora trocista para ridicularizar e desmistificar os constrangimentos e medos perante a morte?
Pois bem, é com esta “birra” que pretendemos simbolizar uma parábola de sentimentos, exorcizando o caixão e o ritual do velório, que nos amedrontam desde que nascemos.
Ela – a Birra – tem muito de actual e também de real, pois retracta uma parte da nossa sociedade.
Todavia creiam, que este discurso dramático com registo irónico tornou óbvio que: A vida já não é o que era; E morrer ... está, mesmo, pela hora da morte!













