“Noite Literária” no BarreiroEvocou Eugénio de Andrade o poeta mais traduzido no século XX

Por Jornal Rostos
Rosário Vaz, Professora Universitária, aposentada, foi a convidada pela Cooperativa Cultural Popular Barreirense, para a “Noite Literária” tendo como tema : “Evocando Eugénio de Andrade”.
Rosário Vaz sublinhou que “falar de Eugénio de Andrade é um prazer” recordando a importância da sua obra na literatura dos nossos dias.
A importância da literatura
Rosário Vaz, sublinhou que a informação “que vai invadindo o nosso quotidiano” com as notícias de violência na família ou nas escolas, não deixa, por vezes, espaço para que cada um de nós viva “o direito ao silêncio”, porque quase não somos capazes de “escapar a esse fluxo”.
“A comunicação que nos envolve e domina” afasta-nos dos “afectos” e gera “a solidão nas cidades”, salientou Rosário Vaz.
Na sua opinião a literatura “favorece o pensamento reflexivo”, estimula “o confronto das diferenças” e dá “capacidade de interpretar o real”, proporcionando uma dimensão estética aos nossos dias.
Trabalhava a poesia com um grande rigor
Rosário Vaz, sublinhou que Eugénio de Andrade é “um poeta maior da nossa literatura”, nascido em 1923, no Fundão, faleceu a 13 de Junho de 2005.
Na sua intervenção recordou que Eugénio de Andrade tinha uma especial “sedução por Mozart” e que considerava “a fama pior que a lepra”.
Salientou que o poeta escrevia, como ele próprio afirmava “por crises, por necessidade” e que “trabalhava a poesia com um grande rigor”.
Referiu Rosário Vaz que Eugénio de Andrade era um “poeta de impressões” a quem a “mediocridade exasperava”.
Toda a perversidade vem do espírito
Salientou Rosário Vaz que Eugénio de Andrade fez “um dos percursos poéticos mais singulares” do século XX, sendo um dos poetas mais lidos e mais traduzidos, foi o “poeta do amor” e o “poeta do corpo”.
Numa abordagem da poesia de Eugénio de Andrade, Rosário Vaz recordou que a sua poesia foi marcada pelo binómio – “Homem e a Natureza”, utilizando na sua escrita “símbolos naturais” – terra, água, fogo, ar, pedra, fruto – e “símbolos Corporias” – mãos, olhos, boca , flanco.
Salientou que para Eugénio de Andrade “só o corpo é puro” e que “toda a perversidade vem do espírito”.
Referiu, igualmente, a “Poesia Social” escrita por Eugénio de Andrade, como “poesia de memórias” ou “um tempo de dar contas”.
Rosário Vaz, sublinhou a importância do silêncio na obra de Eugénio de Andrade e recordou as palavras que o poeta proferiu quando completou 50 anos de escrita – “não se aprende grande coisa com a idade”.
Exposição de poemas ilustrados
Após a intervenção de Rosário Vaz, os presentes escutaram diversos poemas declamados por Vítor Tavares, Manuel Alpalhão e Bruno, Sofia e Diana, alunos do Ensino Secundário.
No Auditório da Cooperativa Cultural Popular Barreirense podia ser visitada uma exposição de “poemas ilustrados” de Eugénio de Andrade, numa iniciativa de Vítor Tavares.













