Saltar para o conteúdo
Moldura

PalmelaEste ano não vai haver FIAR
Para quando o já célebre 1% para a Cultura?

Nos últimos oito anos a vila de Palmela tem sido o palco regular do Festival Internacional de Artes de Rua, mais conhecido como FIAR.
Este ano de 2006 ficará assinalado como o ano da interrupção de um festival cujo modelo programático se foi tornando cada vez mais coerente e se foi constituindo como uma referência nacional e internacional.

6 min de leitura

Por Jornal Rostos

“Esta foi uma decisão muito difícil da Associação FIAR, e só foi tomada após se terem esgotado todas as hipóteses de reforço de verbas junto das entidades patrocinadoras deste evento.
À excepção da região de Turismo da Costa Azul que este ano, à sua escala, duplicou a verba atribuída, o Ministério da Cultura, através do Instituto das Artes concedeu apenas cerca de 1/3 da verba em vigor desde o ano 2000 e a Câmara Municipal de Palmela reduziu também drasticamente o seu apoio financeiro.
A verdade é que a Câmara Municipal de Palmela, num esforço, que não podemos deixar de enaltecer, concedeu o ano passado uma verba equivalente à que o Ministério da Cultura costumava atribuir e que, por razões administrativas, no quadro do concurso dos plurianuais foi suspensa.
Claro que as razões são, como quase sempre da falta de verbas. É claro que não nos compete a nós pôr em causa as sugestões dos júris que aceitam o papel ingrato de distribuir os tostões mais que insuficientes pelos concorrentes. Para quando o já célebre 1% para a Cultura?” – refere uma nota da organização do FIAR enviada para a nossa redacção.

FIAR é um projecto em desenvolvimento

“A questão não pode de deixar de ser, acima de tudo política e neste caso o Instituto das Artes e o Ministério da Cultura são os protagonistas de uma ruptura que nem os relatórios apresentados relativos aos anos anteriores, nem o reconhecimento público e artístico fariam prever.
Também a Câmara de Palmela teve, no nosso entender, a sua vacilação política ao pôr em causa a realização do festival.
Não podemos deixar de lamentar que se corre o risco de não se rentabilizarem as verbas atribuídas durante os anos anteriores, porque este é um projecto em desenvolvimento, que trará resultados ainda mais visíveis a médio prazo” – salienta-se.

Disponibilidade financeira existente iria defraudar

“Entendeu a direcção do FIAR não realizar o festival porque com a disponibilidade financeira existente iria defraudar as expectativas de todos. A qualidade não poderia deixar de penalizar os próprios organizadores e as entidades oficiais.
Ninguém teria a ganhar, nem os públicos, nem os artistas, nem as entidades envolvidas desde o início.
Queremos acreditar que as palavras de alento por parte dos representantes das entidades envolvidas significam a intenção de se reverem as atribuições no próximo ano.
Apelamos para que o apoio não venha a sofrer oscilações durante um período de três ou quatro anos e que então se faça o balanço atempado da actividade desenvolvida e do movimento entretanto despoletado.” – sublinha a organização do Festival.

É importante o apoio de cidadãos uns anónimos

“Neste sentido estamos a tentar sensibilizar as três entidades financiadoras para que, entretanto, a FIAR, Associação Cultural possa beneficiar das verbas atribuídas ao festival, de modo a honrar compromissos existentes e dar seguimento ao trabalho de criação de espectáculos a realizar por várias entidades em regime de co-produção, e projectos inéditos que já se encontravam em desenvolvimento.
Constituir-se-ia assim um repertório de espectáculos a estrear em 2006/2007 e a apresentar na próxima edição do FIAR.
Sabemos também quanto é importante o apoio de uma base social de cidadãos uns anónimos, e outros nem tanto, sem os quais as decisões políticas se tornam mais difíceis de tomar.
Precisamos de um amplo movimento de solidariedade para dar expressão ao nosso descontentamento. Se o que fizemos valeu a pena estamos certos que vamos ter ainda um FIAR mais emblemático.” – refere a FIAR – Associação Cultural.

FIAR tem sido um factor de desenvolvimento

“Nos últimos oito anos a vila de Palmela tem sido o palco regular do Festival Internacional de Artes de Rua, mais conhecido como FIAR. Este ano de 2006 ficará assinalado como o ano da interrupção de um festival cujo modelo programático se foi tornando cada vez mais coerente e se foi constituindo como uma referência nacional e internacional.
Em absoluto, na criação artística não se pode falar do novo sem que se depreenda o pretensiosismo da novidade e das modas.
No entanto o FIAR afirma-se como iniciador de uma nova abordagem da criação contemporânea ao associar profissionais das várias áreas artísticas com colectivos amadores que muitas vezes são vistos como tradicionais mas que se constituem quase sempre como actos de resistência cultural.
O FIAR tem sido um factor de desenvolvimento teórico e prático ao preconizar co-produções que cruzam precisamente os agentes culturais destes dois mundos. Como exemplos: Grupo Coral 1º de Maio do Bairro Alentejano com Sofia Figueiredo fundadora da Companhia Circolando; Bardoada, Grupo do Sarrafo com João Grosso encenador e actor do Teatro Nacional, Grupo Coral Ausentes do Alentejo com João Brites e Teresa Lima do teatro o bando; o Círio da Carregueira com Rita Judas bailarina e coreógrafa da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo; O Grupo de Teatro As Avozinhas com o escritor Gonçalo M. Tavares, entre outros.” – salienta-se.

Pólo de criação no quadro das artes de rua

“Hoje podemos dizer que Palmela, através do FIAR é reconhecida como pólo de criação no quadro das artes de rua e atrai uma atenção muito especial por parte de programadores, festivais e estruturas profissionais como Lieux Publics – Centro Nacional da Criação das Artes de Rua, única na Europa e que coordena a rede Insitu que o FIAR acaba de integrar, a seu convite. Não é por acaso que alguns dos projectos criados neste âmbito representam o nosso país em festivais europeus sediados em Valladolide, Bilbau, Sevilha, Cádiz, Córdova (Espanha) Chassepierre, Nerpelt, Hasselt (Bélgica), Luxemburgo. O FIAR fomenta a distribuição das nossas criações no estrangeiro e não se limita à importação avulsa de espectáculos, comprados chave na mão” – é referenciado pela orgnaização do FIAR .

Não queremos acabar. Precisamos do apoio de todos

“O FIAR tem sido pioneiro na dinamização de multifacetadas experiências de jovens recém formados das escolas profissionais e superiores das artes do espectáculo que na relação com a comunidade se confrontam com um país real de pessoas concretas.
A existência e a razão de ser do FIAR prendem-se, antes de mais, com o contexto. Não como condicionalismo ou constrangimento. Mas como circunstância impulsionadora de uma singularidade ao mesmo tempo cultural, política e artística.
Não queremos acabar. Precisamos do apoio de todos. Se os poderes políticos afinarem melhor os propósitos defendidos em palavras com a consequência dos seus actos administrativos, estamos certos que teremos em 2007 um FIAR renovado que será orgulho das gentes de Palmela e uma plataforma de reflexão e inovação nas artes de rua.” – refere ainda a organização do Festival.

A fnalizar referimos que encontra-se a circular um abaixo assinado em papel ou através do site http://www.PetitionOnline.com/fiar2006/petition.html.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção