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O Ciclo FábricasVigilâmbulo Caolho” teatro a partir do imaginário fabril da cidade do Barreiro

. Até 29 de Julho, na Sala de Ensaios do Auditório Municipal Augusto Cabrita

A “Vigilâmbulo Caolho” inicia um ciclo de espectáculos de teatro a partir do imaginário fabril da cidade do Barreiro, mapeando a memória colectiva e individual, contribuindo para a criação de uma cultura viva, uma vivência da cidade, dos seus lugares e das suas gentes, dos nomes e das ruas, em íntima ligação com o olhar dos registos históricos e a voz das memórias vivas dos operários.

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O Ciclo Fábricas Vigilâmbulo Caolho” teatro a partir do imaginário fabril da cidade do Barreiro

Por Jornal Rostos

O Ciclo Fábricas - F Á B R I C A - de Ascanio Celestini, decorre desde 29 de Junho até 29 de Julho, às 22 horas, na Sala de Ensaios do Auditório Municipal Augusto Cabrita.
O s ingressos são a cinco euros.

Primeiro Espectáculo

O primeiro espectáculo do Ciclo Fábricas chama-se Fábrica, da autoria do dramaturgo italiano Ascanio Celestini. Trata-se de uma fábula sobre a transformação da fábrica ao longo do sec. XX através das vidas de três operários, o avô, o pai, o filho, todos chamados Fausto, porque o morto traz o vivo, mas o vivo deve trazer a vida morto e também o nome dele.
A “Vigilâmbulo Caolho” inicia assim um ciclo de espectáculos de teatro a partir do imaginário fabril da cidade do Barreiro, mapeando a memória colectiva e individual, contribuindo para a criação de uma cultura viva, uma vivência da cidade, dos seus lugares e das suas gentes, dos nomes e das ruas, em íntima ligação com o olhar dos registos históricos e a voz das memórias vivas dos operários. Mapear a memória, para viajar. Contar histórias, para vivê-las. Um exercício de cidadania.

Há cidades que mudam e se alteram pela construção de uma fábrica, e a própria presença do edifício-fábrica cria e modifica relação. Um exemplo típico é Turim - a capital do reino muda para capital da indústria, mantendo-se no entanto no centro da vida política nacional. Outras cidades surgem depois das construções das fábricas e as casas dos operários, empregados e dirigentes são uma espécie de prolongamento do edifício da fábrica. Pontedera na Toscana ou Colleferro no Lazio ou Marghera no Véneto são exemplos. E depois há as cidades sem fábrica, esvaziadas pela emigração que parte para fábricas distantes. As cidades ocupadas pelo trabalho a domicílio. E as cidades destruídas pela fábrica, como é Seveso. Há o exemplo da Emilia Romagna com os camponeses a verem as fábricas crescer a poucos metros dos seus terrenos. O exemplo de muitas aldeias do sul que aguardam há décadas a chegada de uma fábrica, mas a fábrica não chegará nunca ou ficou meia-construída para sempre. Lembro.me de uma fábrica de barcos na Campania, construída em cima de uma colina. Fazia pensar na arca de Noé em cima do monte Ararat. Como se aquela fábrica ali estivesse há muito tempo, quando o mar ainda não atingira aqueles cumes, ou esperasse por um futuro dilúvio que nunca chegará.
Ascanio Celestini

Fabbrica de Ascanio Celestini é a história de um operário admitido por engano; um operário que durante 50 anos escreve todos os dias uma carta à mãe. Todos os dias menos um. A 17 Março de 1949, no dia a seguir a ter entrado na fábrica pela primeira vez.
Esta carta nunca escrita é o pretexto para voltar atrás no tempo e percorrer as três épocas da instituição-mundo da fábrica: a sua origem e primeiros tempos em que os trabalhadores eram gigantes de aço, operários fortes e invencíveis, com nomes como Libero, Guerreiro ou Veraspiritanova; depois, a época da aristocracia operária, anarquista e comunista, indispensável à produção bélica; e por fim a fábrica contemporânea, asséptica e impessoal, dominada por máquinas que transformaram os operários em simples controladores, em sobreviventes incómodos, suportados apenas devido às suas deformidades ou doenças. Através da vida de três gerações de operários dos altos fornos desenha-se aqui a vivência social, política e humana da fábrica no arco de 50 anos de história italiana: do nascimento da classe empresarial à primeira guerra mundial, dos anos escuros do fascismo aos duros combates do pós-guerra, até aos nossos dias. O longo monólogo de Ascanio Celestini funde recordações, afectos e lembranças, recolhidas junto das comunidades operárias de toda a Itália. Aqui se desenha um ambiente social com regras, normas próprias e hierarquias.
E com as suas personagens: Pietrasanta, o proprietário oportunista, a Assunta, ex-operária "bela de uma beleza que não é possível dizer" e o fascista Giovanni Berta. Personagens surreais, mágicas, que tomam corpo nas palavras de Celestini.

Ficha Técnica

Autor: Ascanio Celestini Tradução: José Lima Interpretação: João Fernandes, Jorge Pedro, Júlio Mesquita, Pedro Manuel Direcção de Actor: Júlio Mesquita, Pedro Manuel Concepção Cénica: Ricardo Guerreiro, Sara Franqueira Material gráfico: Ricardo Guerreiro, Fast Eddie Nelson Produção: João Fernandes, Pedro Manuel
Apoios: Auditório Municipal Augusto Cabrita, Artbarreiro, Câmara Municipal do Barreiro, Hey Pachuco!, Quimiparque - Parques Empresariais SA, Jornal do Barreiro, Notícias do Barreiro
Querida mãe: escrevo-lhe esta carta que é a última carta que lhe escrevo. Tenho-lhe escrito uma por dia, há já muitos anos. Vossemecê dizia-me: "escreve, escreve" e eu escrevi durante mais de cinquenta anos. Uma carta por dia durante cinquenta anos. Escrevi sempre. Sempre, todos os dias. Houve uma só vez em que não lhe escrevi, querida mãe (...) E vossemecê disse-me: "Mais tarde ou mais cedo vais ter de me escrever essa carta, que não é agora que me vais saltar um dia quando me escreveste sempre todo os dias.» (...) E então, aqui lhe escrevo agora a carta que faltava. Passaram mais de cinquenta anos e é agora que a escrevo. Faça de conta que estamos hoje a 17 de Março daquele 1949 em que não lhe escrevi a carta do dia. E eu retomo o fio desde o dia anterior, desde 16 de Março. Das 10 da noite do dia 16 de Março daquele ano de 49. Que é o primeiro dia em que entro na fábrica, nesse 16 de Março.
Fábrica, Ascanio Celestini

Contactos:
933 740 838
212 147 410 (AMAC)
vigilambulocaolho@sapo.pt
www.vigilambulocaolho.blogspot.co

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