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Moldura

Companhia de Teatro de AlmadaApresenta - D. Juan, de Molière - a sua 100ª produção

Na próxima Quinta-feira, 28 de Setembro, a Companhia de Teatro de Almada apresenta no novo Teatro Municipal de Almada, pelas 21,30 horas, a sua 100ª produção, ao longo de 35 anos de existência: D. Juan, de Molière, com encenação de Joaquim Benite.

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

Na História da Literatura universal é raro encontrar um assunto e uma personagem tão rica como D. Juan, figura profundamente humana, que simboliza a alegria de viver, o prazer terrestre, o amor insaciável e uma liberdade total do espírito.
Foi nas obras dos imitadores franceses e italianos do texto de Tirso de Molina que Molière (Jean-Baptiste Poquelin, 1622-1679) se inspirou para o seu Dom Juan, ou le Festin de Pierre, uma obra em cinco actos e em prosa estreada em Paris em Fevereiro de 1665.

O D. Juan de Molière

Rapidamente redigido, o D. Juan, de Molière, foi representado pela primeira vez no Domingo de 15 de Fevereiro de 1665 e foi vivamente aplaudido. No entanto tem-se quase a certeza de que, logo na segunda representação, algumas passagens, consideradas demasiado arrojadas, foram cortadas pelo próprio autor. Sucederam-se vinte representações, até 20 de Março desse ano, e apesar das consideráveis receitas por si geradas, a peça só foi reposta na Páscoa seguinte. Sem que tenha havido uma proibição oficial propriamente dita, foi certamente pedido a Molière, de uma forma discreta, que retirasse a sua comédia de cena. Os devotos, sentindo-se de novo provocados (sobretudo pelo V Acto, que visava directamente os detractores do Tartufo), tinham de novo ganho a partida.
Um libelo de Abril de 1665, assinado pelo Senhor de Rochemont, resume com severidade as queixas dos devotos escandalizados. E Luís XIV, que, diz-se, não tinha desaprovado a comédia, deixa triunfar os adversários de Molière. Este não torna a repor o seu D. Juan, e nem sequer chega a publicar a peça, embora tenha obtido, a 11 de Março de 1665, o privilégio de publicá-la. De todas as peças de Molière esta foi, portanto, a que nunca chegou a ser publicada em vida do autor.
A obra foi impressa pela primeira vez em 1682, no sétimo tomo das suas Obras Completas. O texto é seu dúvida aquele que o próprio Molière havia escrito, antes dos cortes acima referidos. Esta edição de 1682, pelo menos na sua forma original, é bastante rara (conhecem-se apenas três exemplares): com efeito, a censura exigiu supressões, principalmente nas duas primeiras cenas do terceiro acto, e tiveram de ser impressos vinte e uma folhas para satisfazer as ordens dos censores.
No ano seguinte aparecia em Amesterdão uma edição cheia de erros, mas que continha as passagens suprimidas em França pela censura. Foi esta edição, estabelecida a partir de uma cópia diferente da edição francesa de 1682, que permitiu reconstituir o texto original, tal como foi apresentado na sua estreia.
Pode considerar-se esta obra uma comédia trágica. Desde o início é previsível a aniquilação de D. Juan. Mas o que não morre é a sua revolta contra a ordem (a ordem social e a ordem divina), a reivindicação da liberdade e da alegria como únicas saídas para o Homem condenado ao nada.

O espectáculo estará em cena até 22 de Outubro, de Quinta a Sábado às 21h30 e Domingos às 16h00, e o preço dos bilhetes varia entre os 6€ e os 12€.

Ficha Artística:

Encenação: Joaquim Benite
Tradução: António Coimbra Martins
Cenografia: Manuel Graça Dias e Egas José Vieira
Figurinos: Sónia Benite
Luz: José Carlos Nascimento
Intérpretes: Alberto Quaresma, André Gomes, Cecília Laranjeira, Celestino Silva, Margarida Gonçalves, Marques D’Arede, Miguel Damião, Miguel Martins, Pedro Saavedra e Teresa Gafeira.

Encontros Literários Sobre D. Juan

Acompanhando a estreia da peça D. Juan, de Molière, a Companhia de Teatro de Almada propõe-se a repensar o tema de D. Juan na Literatura Portuguesa, através de um conjunto de encontros a realizar na Cafetaria do novo Teatro Municipal de Almada:

Eterno Feminino com André Gomes e Rui Romão - Domingo, 1 de Outubro, pelas 19h00.

O Donjuanismo em Cavaleiro de Oliveira, Guerra Junqueiro, Eça de Queiroz e Teófilo Braga com Jorge P. Pires, António Cândido Franco, A. Campos Matos e Miguel Real – Sábado, 7 de Outubro, pelas 17h00.

D. João em António Patrício com Armando Nascimento Rosa e Donjuanismo na Cultura Portuguesa com Urbano Tavares Rodrigues – Sábado, 21 de Outubro, pelas 17h00.

Actualidade de “D. Juan”, de Molière com Joaquim Benite – Sábado, 28 de Outubro, pelas 17h00.

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