No Barreiro - Concerto HistóricoVolta a tocar o Órgão de Tubos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro
Está agendado para amanhã, pelas 21,30 horas, o Concerto que vai assinalar o restauro do Órgão de Tubos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro.
Após 18 meses de trabalhos de restauro, o órgão de tubos vai voltar a tocar, sendo este um acontecimento com um grande significado, não só para a Comunidade daquela Igreja, mas, naturalmente, para o concelho do Barreiro.

Por Jornal Rostos
Para assinalar este acontecimento realiza-se uma Sessão Protocolar, Missa Solene com Bênção do Órgão de Tubos, amanhã, dia 8 de Dezembro, pelas 17,30 horas, e, o Concerto Inaugural decorre pelas 21,30 horas.
O órgão da Capela Real de Nª Srª do Rosário – Barreiro
Notas técnicas:
Por: Pedro Guimarães von Rohden Mestre-organeiro
Este é um instrumento típico ibérico da época pós barroca. Pelas características técnicas podemos concluir que possivelmente foi construído no início do séc. XIX, tendo sido utilizados alguns tubos de um outro instrumento. Na nossa opinião o seu autor deverá ter sido o organeiro António Peres Fontanes que aproveitou 1 instrumento do seu pai que estaria noutro local. Pelo tamanho do instrumento e pelo acervo musical existente na Irmandade podemos concluir que este instrumento foi feito para dar o brilho necessário às cerimónias litúrgicas, e foi usado ao longo dos tempos possivelmente até meados do séc. XX.
O órgão encontra-se no centro do coro alto com a caixa pintada em parte a imitação de mármores e ornamentos prateados-dourados; tem 1 teclado que acciona 2 secções com 53 teclas (de Dó1 a Mi5); possui 32 meio-registos e um total de 1515 tubos dos quais 57 de madeira e 159 de Palheta, além dos habituais pisantes para Cheios e joalheira para trombetas.
Durante os anos de 2006-2007, este instrumento foi recuperado pela Oficina e Escola de Organaria. O restauro da pintura e douramento foi feito pela empresa Regra de Ouro.
Durante estes trabalhos procurou-se recuperar o instrumento para a sua entidade original, tanto na vertente arquitectónica como na vertente tímbrica. O órgão foi desmontado e limpo; os someiros foram metódicamente restaurados, assim como a mecânica das notas e registos.
Os foles foram refeitos segundo modelo existente no órgão da Arrentela e montado um ventilador eléctrico. Os tubos foram cuidadosamente limpos, restaurados e alongados onde necessário com material da mesma liga; foram reconstruídos cerca de 120 tubos flautados e 65 tubos de palheta de metal, quase todos do GO.
Assim se conseguiu redescobrir a sonoridade que cremos ser próxima da original, muito própria com bom fundamento e bastantes harmónicos, como foi típico do período pósbarroco.
O temperamento usado é desigual, próprio para um instrumento desta época que realça as tonalidades com menos “acidentes” mas não proíbe nenhuma tonalidade.
Bem-hajam todos os que se empenharam na recuperação deste instrumento, esperando assim que este órgão continue a servir a Igreja e a Cultura, como o fez quase ao longo de 200 anos, ainda por muitas gerações e a sua música seja louvor de Deus e encha os corações.
Notas Históricas
Por: Fernando Carvalho da Mota
Téc. Sup. de História do Gabinete de Arquivo e Gestão Documental da C.M. do Barreiro
Apesar da riqueza documental do Arquivo Histórico da Irmandade de N.ª S.ª do Rosário não chegaram aos dias de hoje documentos que nos contem a proveniência, chegada ou montagem do órgão.
Este foi provavelmente oferecido à Irmandade depois de 1797 – segundo a tradição, por D. Maria I – porque nesse ano e segundo os documentos de despesa do arquivo da Irmandade ainda foi alugado um instrumento que veio de barco de Lisboa (o aluguer custou 2.880 réis).
O primeiro documento que faz referência a um órgão nesta Igreja, data de 1808 e alude à despesa com um ferro para o mesmo. No ano seguinte era registada a despesa com dois rapazes para «puxar os foles» do órgão na denominada «Capela Real de N.ª S.ª do Rosário do Barreiro».
Em 1811 e face à eminente evasão francesa pelo Sul, a Irmandade ordenava que o órgão fosse desmontado e encaixotado. Esta acabou por não percorrer o caminho por Sul até à capital e o órgão não saiu do Barreiro, mas continuou encaixotado, razão pela qual no ano seguinte a Mesa da Irmandade deliberou que fosse novamente pintado.
Em 1821 o órgão recebe as primeiras obras de vulto pela mão de António José Fontanes, mestre organeiro da Real Basílica de Santa Maria de Lisboa. Entre as despesas contam-se: «três pelicas de França, para conserto dos foles; 2 arratéis de crude preparado; um pedaço de madeira de vinhatico para os registos gerais; uma fechadura para a caixa do teclado; 100 taxas e 50 pregos de asa de mosca para abas dos foles».
António José Fontanes e dois ajudantes receberam pelo trabalho que durou oito dias, 19.700 réis. Este restauro (e outros até 1826) sugere a autoria do órgão ao seu pai Joaquim António Peres de Fontanes.
Composição do órgão da igreja de Nª Srª do Rosário – Barreiro
.1 teclado de 53 notas para 2 secções
Barreiro, 8 Dezembro 2007, Solenidade da Imaculada Conceição
Concerto de Órgão
Luzia Vogelsang, Soprano e Órgão
Monika Henking, Órgão
Antonio Vivaldi
1678-1741
Concerto VII in F-Dur para cravo- Transcrição de J.S. Bach, BWV 978
Allegro – Largo - Allegro
Fr. Joseph Torrelhas
Manuscritos da Biblioteca Municipal- Porto
Registo de 6. Tom de dois tiples
Anónimo Séc. XVIII, Espanha
„Ave Maria“ para Soprano e Órgão
Anónimo, Portugal
Tento de 8° Tom de meyo registo da mão esquerda
José do Espírito Santo e Oliveira, Lisboa
Verso do 2º Responsório para Soprano e Órgão das Matinas da Assunção de Nossa Senhora, 1788 - Barreiro.
Compositores do Séc. XVIII
6 peças diversas para teclado,para Órgão a 4 mãos
J.E.Geyer - Andante
Anonymus - Andante
Ch. F. Beck - Minuetto
C.G. Saupe – Sonatine - Rondo
W.A.Mozart – Allegro aus „Zauberflöte“
Giovanni Battista Pergolesi
1710-1736
„Salve Regina“ para Soprano e Órgão
Carlos Seixas
1704-1742
Sonata para Órgão
Giovanni Morandi
1777-1856
Introduzione, Tema, Variazioni e Finale para órgão a 4
Monika Henking, filha do conhecido maestro Bernard Henking, nasceu em Winterthur na Suíça. Estudou piano, órgão, oboé e direcção de coro no conservatório da mesma cidade, tendo depois prosseguido os estudos de órgão com o professor Anton Heiler, na Escola Superior de Música de Viena.
É detentora de vários prémios em concursos internacionais de órgão. É organista e maestrina em Thalwill, professora de órgão na Escola Superior de Música de Luzern e organista do Collegium Musicum da Igreja do Jesuítas de Luzern. Até 1999 dirigiu os coros Engadiner Kantorei e o Coro de Câmara de Luzern.
É concertista e orientadora de cursos de órgão e tem realizado gravações em disco e para a rádio, com particular interesse em órgãos históricos.
Realizou vários concertos de órgão em Portugal
Luzia Vogelsang nascida em 1980, cresceu no Cantão Solothurn - Suiça. Após a conclusão do ensino secundário, iniciou a licenciatura em Música Sacra e Órgão com a Prof. Monika Henking, que concluiu em 2004, seguindo a especialização no ensino e concerto de órgão em 2007 (Lehrdiplom und Konzertdiplom). Todos completados com a nota máxima. Participou em cursos (Meisterkurse) com Hans Ola Ericsson, Siegbert Rampe e Ewald Kooimann.
Em 2003 iniciou a formação de Ensino de Canto com a Prof. Olga Regez.













