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Teatro Municipal de AlmadaO ano 2008 traz dança contemporânea

O Teatro Municipal de Almada abre o ano de 2008 com espectáculos de dança contemporânea de alguns dos mais destacados coreógrafos portugueses da actualidade: Paulo Ribeiro, Vasco Wellenkamp, Rui Lopes Graça e Cláudia Dias.

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Teatro Municipal de Almada O ano 2008 traz dança contemporânea

Por Jornal Rostos

A apresentação destas coreografias é fruto da crescente importância que tem vindo a ser dada aos espectáculos de dança na programação do TMA, que este ano já acolheu na sua Sala Principal o Teatro Nacional Ballet de Praga e que em 2008 apresentará ainda espectáculos de Olga Roriz, Rui Horta, e da Companhia Nacional de Bailado.

Visita guiada, de Cláudia Dias | RE.AL

Estreada em Lisboa em Abril de 2005, Visita guiada, a mais recente coreografia de Cláudia Dias, encontra-se em digressão mundial desde essa altura, tendo já sido apresentada em vários teatros e festivais na Suíça, França, Itália, Espanha, Grécia e Bélgica. Neste espectáculo a coreógrafa almadense propõe-nos uma abordagem autobiográfica de um espaço que lhe é próximo: o rio Tejo. Cláudia Dias cria uma paisagem na qual se identificam facilmente alguns elementos físicos próprios deste meio (a ponte, o Cristo Rei, o Aqueduto das Águas Livres, o estaleiro da Lisnave), mas também a tragédia dos Távoras, o poema de Voltaire sobre o terramoto de Lisboa, e as lutas operárias da Margem Sul. Visita guiada é um espectáculo a solo que foi criado no âmbito do projecto LAB, promovido pela RE.AL, a companhia de João Fiadeiro.
Sala Experimental | Janeiro: Sex 4 às 21h30 e Sáb 5 às 17h00 | Bilhetes entre os 5 e os 8 euros.

A arte da fuga, de Rui Lopes Graça | Companhia Rui Lopes Graça

Nesta coreografia para oito intérpretes, criada a partir de A arte da fuga, de J. S. Bach, desenvolvemos e aprofundámos a componente do movimento e da composição coreográfica, tendo como base os temas expostos ao longo da obra. Se por vezes levámos ao extremo a tradução em movimento da estrutura musical, noutras ocasiões abandonámos essa estrutura e lógica musicais: tentámos encontrar um percurso revelador de um ponto emocional presente em toda a obra, para que dessa forma pudéssemos encontrar um fio condutor. A arte da fuga é uma obra que, pelas condições e mística que a rodeiam (nomeadamente por ser “uma obra inacabada”), deixa um enorme espaço para a subjectividade da sua releitura, como se o compositor nos tivesse deixado uma matriz à qual pudéssemos dar cor e vida em função de um propósito. Por ter esta natureza, creio que acaba por tornar-se completa, na medida em que lhe acrescentamos algo. Rui Lopes Graça
Sala Principal | Janeiro: Sáb 5 às 21h30 | Bilhetes entre os 4 e os 10 euros.

Sete sonhos de pássaros, de Vasco Wellenkamp | Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo

Da leitura do poema persa de Farid Ud-din Attar, A conferência dos pássaros, foram surgindo fragmentos, imagens disformes de seres que, consciente ou inconscientemente, deixei vaguear nos cenários que a imaginação artística elege. A lucidez do pensamento diurno conseguiu esclarecer e afastar, momentaneamente, o absurdo dessas imagens, mas a força caleidoscópica dessa caótica estranheza voltava sempre no silêncio que antecede o sono, tomando o lugar da ordem e do método e obrigando-me a ceder. Sete sonhos de pássaros tem sido para mim a mais intrigante de todas as obras em que me envolvi, ao ponto de não ter bem a certeza de ter sido eu próprio a coreografá-la. Vasco Wellenkamp
Sala Principal | Janeiro: Sáb 26 às 21h30 e Dom 27 às 16h00 | Bilhetes entre os 4 e os 10 euros.

Malgré nous, nous étions là, de Paulo Ribeiro | Companhia Paulo Ribeiro

Lançámo-nos convictos de que deveríamos falar das cumplicidades, das aventuras que a vida e a criação nos têm lançado, das dúvidas, do viver permanentemente em companhia. Eu não querendo falar do que é nosso, a Leonor Keil a repetir que quer falar de amor, que está cansada de estar em palco para reflectir as agruras da vida. Fui dizendo que sim sem saber muito bem o que é que realmente queria dizer. Depois a minha inclinação para o caos e o excesso fez-me imaginar três duetos com características próprias que coabitariam no tempo mas em espaços diferentes. Depois as condicionantes dos intérpretes partilhados tornaram o sonho a curto prazo impossível. Depois a dúvida que se me colava à pele: por que é que estou no palco outra vez, qual é o interesse? O coração quer mas o corpo não acompanha. Depois a Leonor, sempre e sempre positiva e exigente. Depois o coração a fazer esquecer o corpo e o nosso dueto a falar sozinho de nós sem imposição de matéria nem de materiais. Depois o Gonçalo M. Tavares, o Bernardo Sassetti, o Paulo Américo, o Nuno Meira, o Albino, a Maria de Assis, o Miguel Honrado, a Lira e nós a percebermos que malgré nous, nous étions là. Agora já não podemos voltar atrás! Paulo Ribeiro
Sala Principal | Fevereiro: Sáb 9 às 21h30 | Bilhetes entre os 7 e os 15 euros.

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