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Barreiro“Crítica Literária” de Fernando Pessoa é o “Livro do Mês” de Junho na Biblioteca Municipal do Barreiro

A obra “Crítica Literária”, de Fernando Pessoa, com selecção e prefácio de Hélio Alves, editado pela Caleidoscópio, é o “Livro de Mês” de Junho na Biblioteca Municipal do Barreiro.

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Barreiro “Crítica Literária” de Fernando Pessoa é o “Livro do Mês” de Junho na Biblioteca Municipal do Barreiro

Por Jornal Rostos

Fernando Pessoa (Lisboa, 1888-1935)

Em Junho, assinala-se o aniversário do nascimento do mais consensual poeta português. O poeta nasceu há 120 anos. Poucos escritores serão tão consensuais como Fernando Pessoa. Ainda hoje, 120 anos depois do seu nascimento e mais de 70 da sua morte, surgem textos, interpretações, novos caminhos na sua obra.

«Extraordinário poeta e uma das personalidades mais complexas e representativas da literatura europeia do séc. XX.

Retraído, com vocação para viver isolado, sem compromissos, sempre disponível para as aventuras do espírito, trabalha desde 1908 até à sua morte, como correspondente comercial de várias firmas.

Desde os treze anos escreve poesias em inglês; mas é como ensaísta que primeiro se revela, ao publicar, em 1912, na revista “A Águia” uma série de artigos sobre “a nova poesia portuguesa”. Entretanto, continua a compor poesia em inglês (são de 1913 os “35 Sonnets” e o “Epithalamium”), e em português (segundo o autor, em 1908, “num impulso súbito”, resultante da leitura das “Flores sem Fruto” e das “Folhas Caídas”, de Almeida Garrett, começou a escrever versos nesta língua).

Afastando-se do grupo saudosista, ávido de novos rumos estéticos e de fazer pulsar a literatura portuguesa ao ritmo europeu, vai ser um dos introdutores do Modernismo em Portugal, com Sá Carneiro, Almada, Raul Leal e outros.

O ano de 1914 fica, na biografia interior do poeta, como decisivo, pelo aparecimento dos principais heterónimos, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Fernando Pessoa chegou a inventar biografias, retratos físicos e horóscopos para os três primeiros heterónimos, a fim de melhor os definir.

Em relação aos heterónimos, o Pessoa ortónimo distingue-se por traços peculiares: avesso ao sentimentalismo, as suas finas emoções são pensadas, ou já são vibrações da inteligência, vivências de estados imaginários: “Eu simplesmente sinto/Com a imaginação./Não uso o coração”. Com musical suavidade, em breves poesias de metro geralmente curto, e através de símbolos consagrados (a noite, o rio, o mar, a brisa, a fonte, as rosas, o azul), mais raro de cunho moderno (o andaime, o cais), fiel à tradição poética “lusitana”, e não longe, por vezes da quadra popular, Pessoa exprime ou insinua a solidão interior, a inquietação perante o enigma indecifrável do mundo, o tédio, a falta de impulsos afectivos de quem, minado pelo demónio da análise, já nada espera da vida – ou então os vagos acenos do inefável, o breve acordar da infância, a magia da voz que se cala, mal o poeta se põe a escutar.»

In Dicionário de Literatura Portuguesa, dirigido por JP. Coelho, Liv. Figueirinhas, Porto (texto adaptado)

«Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.)»

Fernando Pessoa, Carta a Adolfo Casais Monteiro, Lisboa, 13 de Janeiro de 1935.

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