SetúbalProgramação 25.º Festroia

Por Jornal Rostos
O Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal dispõe de um orçamento de 447 mil euros. A verba, apesar de constituir uma redução de quase 60 mil euros face aos 510 mil de 2008, “não afectou a programação, nem vai afectar a qualidade nunca”, garantiu Fernanda Silva, em conferência de imprensa.
A redução em 30 mil euros no apoio concedido pela Câmara Municipal de Setúbal – devido ao chumbo das bancadas do PS e do PSD à proposta apresentada em reunião pública que apontava um montante de patrocínio de 150 mil euros –, a retirada da Chamartín e a diminuição da verba concedida pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual foram alguns dos constrangimentos apontados.
“Também a Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo pretende diminuir o seu apoio de 32.500 euros para cinco mil euros, um corte que ronda os 85 por cento”, salientou a directora do Festroia.
Uma medida que, para Fernanda Silva, “contribui para acentuar a perda de identidade de uma região na qual o Festroia se sentia plenamente integrado”.
A directora do certame cinematográfico, indignada, questionou a continuação da entrega do Prémio Costa Azul ao melhor filme da secção O Homem e a Natureza.
Apesar de todos os cortes no orçamento do Festroia, que este ano assinala um quarto de século, surgiram novos parceiros – a Fundação Buehler-Brokhaus e a Caja Duero – e o aumento da verba disponibilizada pelo programa europeu MEDIA, que reconheceu o carácter único do Festival Internacional de Cinema de Setúbal enquanto promotor do cinema de qualidade que se produz na Europa.
Também o Swiss Film Institute financia com mil euros o transporte de cada filme suíço que integra a programação e respectivo realizador.
“O Festroia mantém-se porque recebemos apoio estrangeiro”, afirmou Fernanda Silva, que realçou o facto de o festival ser “mais importante do que os portugueses pensam”.
A directora do certame disse que, num ano complicado, em termos orçamentais e logísticos, para o Festroia este “foi o festival mais difícil de caminhar até hoje”. Uma edição dedicada a Mário Ventura, fundador do festival, que “faria exactamente o mesmo” que Fernanda Silva: “Não baixava os braços.”
A presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, garantiu que o executivo CDU não está disposto a “abdicar do Festroia”.
“Estamos ao lado do Festroia, deste grande festival, ao lado da cultura e do desenvolvimento económico”, salientou a autarca, que mencionou a importância do certame para a divulgação do concelho, ao nível nacional e internacional.
A completar 25 anos, o Festival Internacional de Cinema de Setúbal, que se realiza entre 4 e 13 de Setembro, entrega o prémio carreira ao actor norte-americano Michael Madsen, que participou em mais de 170 filmes, como “Cães Danados” e “Kill Bill”, ambos de Quentin Tarantino, e “Thelma e Louise”.
“Last Hour”, com Michael Madsen, do realizador Pascale Caubet, é uma das antestreias marcadas para o certame, que se realiza no Cinema Charlot e numa tenda gigante montada no Largo de Jesus ao estilo dos festivais de Cannes e Veneza.
“Eu não queria ser júri da Secção Oficial”, brincou Fernanda Silva, referindo-se à “alta qualidade” dos 15 filmes – de países como o Uruguai e a Roménia – que integram a secção de competição.
Garantida está também a qualidade da secção Primeiras Obras, “que poderia estar na Secção Oficial”.
A programação deste ano apresenta ainda, as secções competitivas O Homem e a Natureza, dedicada ao ambiente social, e Independentes Americanos.
Este ano, o Festroia homenageia o cinema da República Checa, apresenta os ciclos “Cinema Negro” e “Através do Universo”, além das habituais Panorama Infantil, Curtos Europeus, Curtos Escolas, Panorama, Curtas Sadinas e Prémios UIP.
Foto: CMS













