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Moldura

Estação Ferro/ Fluvial do BarreiroFim das obras principais da Estação 4 de Outubro de 1884
Faz 125 Anos mas está abandonada! Para quando a sua classificação ?

. Estação de Arquitectura civil de equipamento tardo-romântica. Estação revivalista neomanuelina onde a técnica do ferro é aplicada a suportes arquitectónicos.

"O Movimento Barreiro Património Memória e Futuro não pode ficar indiferente ao abandono e destruição do património ferroviário da nossa terra, em particular com a retirada dos carris da centenária estação Ferro- Fluvial do Barreiro-Mar." - sublinha uma nota enviada para a nossa redacção.

9 min de leitura
Estação Ferro/ Fluvial do Barreiro Fim das obras principais da Estação 4 de Outubro de 1884 Faz 125 Anos mas está abandonada! Para quando a sua classificação ?

Por Jornal Rostos

"Temos conhecimento que em 2000 o Instituto Português do Património Arquitectónico informou a Câmara Municipal do Barreiro que estava em curso a análise de uma proposta de classificação de diversas construções ferroviárias existentes no Barreiro, entre as quais constavam o antigo edifício da Estação dos caminhos de Ferro (actuais oficinas da EMEF), Estação Ferro-Fluvial de Sul e Sueste, Rotunda das Máquinas, que constituem elementos de valor histórico, patrimonial e técnico ligadas aos caminhos de ferro no Barreiro.
Em 2004 o IPPAR, no âmbito da sua proposta de classificação dos Edifícios do Caminho de Ferro no Barreiro, realizou uma visita ao local e informou a Câmara Municipal de que oportunamente lhe seria dado conhecimento da decisão tomada." - acrescenta a referida nota de imprensa.

Perante estes factos, o Movimento Barreiro Património, Memória e Futuro, questiona o seguinte:

1. Estando em curso a abertura de um Processo de Classificação pode a REFER proceder ao desmantelamento da Estação Fluvial do Sul e Sueste, nomeadamente, retirar os carris do Local?

2. Não pode o IGESPAR notificar a REFER para que pare imediatamente com a destruição deste património histórico de inquestionável valor para o Barreiro?

3. Não estará a REFER a programar, a exemplo do que já fez com várias estações da Linha do Sul, a demolição deste importante marco da história dos caminhos-de-ferro em Portugal?
Perante este cenário, altamente preocupante, sugerimos ao IGESPAR uma intervenção URGENTE, antes que seja tarde demais.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Estação Sul e Sueste / Gare Marítima do Barreiro

IPA
Monumento

Nº IPA
PT031504010024

Designação
Estação Sul e Sueste / Gare Marítima do Barreiro

Localização
Setúbal, Barreiro, Barreiro

Acesso
R. Miguel Paes

Protecção
Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, tendo perto outras edificações pertencentes à REFER, armazéns, depósitos e arrecadações de mercadorias, e sanitários em edificações em forma de chalé, com jardim, à borda-d´água, na margem Sul do rio Tejo, do lado do Canal de Coina, a 1 km ao S. da antiga vila do Barreiro.

Descrição

Estruturalmente o edifício divide-se em corpo do frontispício e gare. Corpo do frontispício: Planta longitudinal irregular com a implantação de 4 torres ao longo dela, não coincidência interior - exterior, tratando-se de uma única fachada. Massa simples interrompida pela inclusão de torres poligonais, 2 nos topos e 2 embebidas a meio do alçado. Cobertura plana e em domos de abóbadas góticas.
Frontispício voltado a E. com embasamento proeminente, desenvolvendo-se em simetria por 3 panos, cujos elementos divisores são as torres que se desenvolvem em 3 registos com remate em domo.
Os panos compõem-se de 1 portal central flanqueado por 2 janelas de cada lado, de arcos alteados e quebrados, separados por contrafortes escalonados. O remate é em platibanda e cornija.
Interiormente o alçado desenvolve-se em pano liso revestido a um terço do pé-direito com alizar de azulejos brancos, e com uma moldura central rectangular, vazia; há correspondência dos vãos descritos que fazem a iluminação interior, sendo as janelas interiormente incorporadas em arcadas.
O remate é em cornija de coroamento interrompido pelos arranques das asnas de ferro da cobertura da gare. Gare: Planta longitudinal escalonada, regular, composta pelos vários corpos que a formam, desenvolvidos em simetria, alcançando cerca de 80 metros de comprimento.
Da gare faz parte o cais de embarque de igual comprimento, com duas vias e uma plataforma para passageiros de quatro metros de largura, perfazendo a largura total de 15, 50 metros. Disposição das massas em horizontalidade, cobertura exterior em terraços e telhados de duas águas.
Fachada principal orientada a O., com embasamento levemente proeminente, com divisão em 3 panos principais. O pano central é delimitado pelos corpos de 2 torreões de 3 pisos demarcados por janelas que se sobrepõem, o remate é em cornija de coroamento em empena angular com agulha no topo; entre estes corpos o alçado é formado por 1 registo com portal central e janelas laterais, o remate é em cornija com água furtada em arcada ao centro. Os corpos laterais desenvolvem-se plasticamente de modo semelhante ao central, embora sejam mais baixos, e terminem por 2 torreões de 2 registos.
Fachadas a N. e a S. de um pano delimitado lateralmente por cunhais apilastrados, e dois registos. No piso inferior abrem-se 1 portal central flanqueado por 2 janelas altas e estreitas de grande verticalidade; no registo superior rasga-se uma rosácea.
O remate é em frontão de arco e segmentos, com cornija de coroamento. Os vãos de janelas e portas são de arco pleno, com duas folhas e bandeira de lume, fechada, decoradas com laçaria em ferro. Fachada a E. composta por uma série de portas largas de 2 folhas com bandeira semelhantes às da fachada oposta, com o pano murário com alizar forrado a cantaria calcária a um terço do pé-direito.
INTERIOR de espaço diferenciado em vários pisos, com vestíbulo principal, salas para passageiros, gabinetes, escritórios, salas para pessoal e de repartições de movimento e tráfico, no piso térreo e quartos para pessoal graduado nos pisos superiores.
A articulação entre os pisos faz-se por lances de escada de caracol, escadaria com poço aberto e escadaria de lances opostos.
A iluminação faz-se pelos vãos de portas e janelas descritos. As coberturas são de tecto de madeira e os pavimentos de tijolo-mosaico de diversos tipos e em madeira.
Os dois volumes descritos unem-se pela cobertura da gare ferroviária em telhado escalonado, em estrutura de ferro, com asnas, coberto de chapa de zinco e estrutura envidraçada. Fora, destaca-se ainda um cais de mercadorias com tecto de chapa zincada.
Frente à estação desenvolve-se amplo cais fluvial, em cantaria: assente sobre fortes muralhas e cercado por elas, postas em fundamentos hidráulicos, num leito de lodos profundos, constituído por muro de suporte de sustento de estrada, com 448 m de extensão do lado S., 70 m de testa, e 340 m do lado N., com altura média de 4,5 m. Muro S. com 250 metros. Uma vistosa e forte balaustrada de ferro guarnece toda a cortina de cais da estação, formando uma espaçosa varanda *2.

Descrição Complementar
Não definido

Utilização Inicial
Equipamento: estação fluvial, terminal ferroviário.

Utilização Actual
Equipamento: estação fluvial, estação de caminhos de ferro

Propriedade
Pública: estatal

Afectação
Sem afectação

Época Construção
Séc. 19

Arquitecto | Construtor | Autor
Engenheiro Miguel Carlos Correia Pais (1825 - 1888)

Cronologia

1873, Agosto - Miguel Carlos Correia Pais foi nomeado engenheiro chefe de tracção e conservação do caminho de ferro do S.; 1875 - início de trabalhos preliminares para a construção da nova Estação Ferroviária do Barreiro que iria permitir encurtar a distância de cerca de 2 km que mediava o primitivo terminal dos comboios e o porto, construindo-a junto ao porto fluvial *1; 1876 - data do projecto de obras da gare marítima do Barreiro, da autoria do Engenheiro Miguel C. C. Pais, orçado em 280 000$00; 1884, Setembro - fim das obras principais da nova estação; 1884, 4 de Outubro - inauguração do edifício, que importara em cerca de 58 000$00; os seus fundamentos têm 10 m de altura iniciados sobre soleira de betão com 1,50 m de espessura; 1905 - construção de uma ponte-cais, de serviço ao cais construído numa superfície de 30 790 m2, conquistada ao mar.

Tipologia

Arquitectura civil de equipamento tardo-romântica. Estação revivalista neomanuelina onde a técnica do ferro é aplicada a suportes arquitectónicos, asnas, varões, tubos de metal, à armação estrutural abertamente à vista na cobertura da Gare ferroviária.

Características Particulares
Estação de Caminhos de Ferro com uma fachada cenográfica, com arcadas e altas torres lembrando o piso térreo da fachada S. do Mosteiro dos Jerónimos, em atitude vistosa, simples e harmoniosa.

Dados Técnicos
Pareds autoportantes, estrutura autónoma

Materiais
Cantaria, alvenaria, betão armado, ferro fundido, tijoleira, mosaicos de cerâmica vidrada, madeira, telhas.

Bibliografia
CALDEIRA, Carlos José, Archivo Pitoresco, tomo 4, Lisboa, 1863; PAIS, Miguel, Melhoramentos de Lisboa e seu Porto, Lisboa, 1883-1884; Os Caminhos de Ferro de Estado - As Oficinas do Sul e Sueste do Barreiro in Ilustração Portuguesa, 2ª série, Lisboa, 1909; Um Olhar sobre o Barreiro, Barreiro, Junho de 1926; Pais (Miguel Carlos Correia) in Enciclopédia Luso-Brasileira, Vol. XIX, Lisboa, 1940; PAIS, Armando da Silva, O Barreiro Antigo e Moderno, As Outras Terras do Concelho, Barreiro, 1963; IDEM, O Barreiro Contemporâneo, A Grande e Progressiva Vila Industrial, Vol. I, Barreiro, 1966; Gare Marítima do Barreiro, Miguel Paes, 1884 no seu 1º centenário, in Um Olhar sobre o Barreiro, n.º 3, Dezembro, Barreiro, 1985;

Documentação Gráfica
DGEMN: DSID; CP (Edifício de Santa Apolónia em Lisboa) - arquivo documental

Documentação Fotográfica
DGEMN: DSID; Colecção de Cabeça Padrão; CP (Edifício de Santa Apolónia em Lisboa): arquivo fotográfico.

Documentação Administrativa
CP (Edifício de Santa Apolónia em Lisboa): Arquivo documental

Intervenção Realizada
CP: 1928 - Modificação da dependência da Bilheteira da Estação; 1929 - construção de defesas de madeira para evitar o choque dos barcos contra a ponte de descarga; 1930 - reparação do gradeamento da muralha; beneficiações gerais no edifício da Estação; 1931 - construção da vedação de cimento armado no cais de embarque de passageiros; 1933 - pesquisa nos alicerces do edifício de passageiros; 1934 - construção da muralha marginal da Praia do Norte junto ao Moinho do Gimes; 1935 - azulejamento da parede voltada à gare do edifício de passageiros; 1938 - desmonte e reposição do forro de azulejos na parede do Edifício de Passageiros; reparação do telhado da Estação; 1939 - reparação de rebocos e caiação no edifício de passageiros; 1940 - ampliação das instalações do serviço fluvial; construção do telheiro do lado S. da Praça; 1941 - reparação da muralha N. da Estação; 1943 - obras de ampliação da Estação; 1945 - construção de uma escada de pedra numa rampa da muralha de atracação; 1546 - colocação de corrimão de ferro nas escadas de acesso aos barcos.

Observações
*1: Esta obra foi por muito tempo julgada de execução impossível por falta de fundamentos sólidos para os alicerces, opinião compartilhada por alguns engenheiros estrangeiros. O desenvolvimento do Barreiro ficou incondicionalmente ligado à construção da Estação Fluvial e ao Terminal Ferroviário de Sul e Sueste. *2: Muitos dos ornatos da estação foram obtidos nas próprias oficinas dos Caminhos de Ferro do Barreiro.

Autor e Data
Albertina Belo 1999

Actualização
Não definido

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