Cláudio Torres no Barreiro defende«Não é possível separar uma margem da outra»

Por Jornal Rostos
Profundo conhecedor do Barreiro e da sua História, Cláudio Torres, responsável pelo desenvolvimento do Campo Arqueológico de Mértola e intimamente ligado à investigação arqueológica da Mata da Machada, salientou a existência, no Barreiro, no período dos Descobrimentos, de um centro industrial “importantíssimo” na área da construção naval de apoio à “grande cidade, ao grande porto” – Lisboa. Na sua opinião, disse, ainda, na sessão, Lisboa deve ser vista integrada num todo. “Cada vez mais é necessário gerir em conjunto”, afirmou.
A importância do Mar da Palha
“Lisboa não tem lógica naquele local sem o Mar da Palha. O Tejo”, referiu. Por ser, na época, a via marítima a mais rentável, as “estradas aquáticas” do Tejo, “onde se processava a actividade económica”, apresentavam-se como a opção mais atractiva em termos financeiros e eficaz na celeridade do transporte.
“Estamos num depósito piscícola que foi um dos maiores do mundo”, reforçou, ainda, sobre a riqueza da zona.
“Lisboa era um ponto de encontro”. Nesta área, continuou, foi feita a “síntese” das técnicas de construção naval, tendo em conta que na cidade convergiam gentes de várias origens e saberes. A margem esquerda foi, assim, segundo o arqueólogo, “sempre” a base industrial e económica da “grande cidade [Lisboa]”.
“Aqui foram construídas
todas as grandes naves da nossa História”
Na sua detalhada intervenção, Cláudio Torres recordou, igualmente, alguns aspectos que identificam a riqueza do Concelho. Durante século e meio, disse, o Barreiro – palavra cuja origem está associada ao barro – foi o mais importante fornecedor de formas de açúcar.
“Aqui [no Barreiro e no Seixal] foram construídas todas as grandes naves da nossa História”, reconheceu.
E rematou: o Barreiro tem a mais completa e a maior colecção de cerâmica dos séculos XV e XVI, considerando ainda a Mata da Machada – um “pulmão excepcional” – uma importante fonte arqueológica.
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