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Câmara Municipal de SesimbraRecupera antigo motor da Moagem de Sampaio

- Edifício do início do século XX, em processo de musealização, marca a transição dos moinhos de vento para as moagens industriais de hoje.

A Câmara Municipal de Sesimbra está a efectuar a recuperação do motor Hornsby-Stockport, a gasogénio, um dos elementos centrais da Moagem de Sampaio, cujo processo de musealização está em curso. De momento estão a ser removidas as antigas camadas de tinta, degradadas por cerca de 20 anos de exposição ao ar livre, e, posteriormente, segue-se a lubrificação de todas as peças, re- cuperação ou substituição, permanecendo por avaliar a possibilidade técnica de o voltar a colocar em funcionamento.

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Câmara Municipal de Sesimbra Recupera antigo motor da Moagem de Sampaio

Por Jornal Rostos

Este engenho, responsável pela transmissão de 25 cavalos de potência aos três casais de mós e à aparelhagem de limpeza de cereal, foi instalado no edifício da Moagem por volta de 1917, e funcionou até à década de 60 a gasogénio, até ser adaptado a energia eléctrica. Na década de 80 do século passado o motor foi transferido para um espaço à entrada da Escola Secundária de Sampaio, onde permaneceu em exposição até Abril de 2009, data em que voltou ao seu local de origem, a fim de integrar o Núcleo Museológico que está em fase de instalação

Hornsby-Stockport – a Alma da Moagem de Sampaio

A Moagem de Sampaio, unidade que laborou na área da moagem de cereais entre 1920 e 1980, é um edifício que representa bem a transição dos moinhos de vento para as moagens industriais de hoje.
A sua importância é acrescida pela presença de um motor a gasogénio, fabricado pela companhia de Richard Hornsby, em Stockport, Inglaterra. Esta peça, que deve ter sido fabricada em 1908, considerando o seu número de série (28239), atesta a evolução da engenharia mecânica numa época de rápida evolução tecnológica.
O Hornsby-Stockport da Moagem de Sampaio foi registado em Portugal a 20 de Novembro de 1917, pela 4.ª repartição da Direcção Geral dos Combustíveis de Lisboa. Trata-se de um importante investimento por parte dos proprietários da Moagem, a firma Morujão e Lourinha, que possibilitou a transmissão de potência aos três casais de mós, a todo o sistema de limpeza e demolhagem do cereal, e, numa fase inicial, à aparelhagem de iluminação do edifício.
Com capacidade para atingir uma potência efectiva de 25 cavalos-vapor a 250 rotações por minuto, o motor era alimentado por um duplo sistema de produção de gás e respectiva purificação. Assim, depositando quantidades constantes de lenha pelo topo de uma fornalha, na base da qual estava carvão de coque, o fogueiro e o maquinista da moagem obtinham um gás, correntemente designado de gasogénio, que era então purificado recorrendo a água, num segundo depósito. Era este o combustível admitido no motor, e que permita assim o seu funcionamento.
Ainda que a fornalha e o aparelho de purificação do gás se tenham perdido, é-nos possível reconstituir estes elementos, já que a sua distribuição foi feita por unidades produtivas de todo o mundo, existindo ainda algumas em funcionamento.
Na sequência dos trabalhos de musealização da Moagem, a Câmara Municipal de Sesimbra iniciou o processo de recuperação do motor, permanecendo por aferir a possibilidade técnica de este poder voltar a trabalhar.

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