Festival Terras sem Sombra em GrândolaLuzes e Sombras da Música Barroca: Sete Lágrimas interpreta Schütz e Moody

Por Jornal Rostos
A iniciativa, levada a cabo em parceria com o apoio do município e da paróquia locais, subordina-se ao título “Kleine Musik: Música de Heinrich Schütz e Ivan Moody” e, fazendo justiça à temática escolhida para o Festival no ano em curso, cruza a música antiga com a criação contemporânea, num diálogo fecundo entre dois grandes mestres europeus.
Heinrich Schütz (1585-1672) compôs, entre 1636 e 1639, duas séries de “Pequenos Concertos Espirituais” (“Kleine geistliche Konzerte”) para um grupo de uma a cinco vozes e baixo contínuo, que correspondem à atormentada espiritualidade de um período de dor e sofrimento como foi o da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). As pequenas composições inspiraram-se em variadas fontes textuais, desde a tradução alemã ou latina do Antigo Testamento aos escritos de Santo Agostinho.
Desde 2006 que Sete Lágrimas é o grupo residente do Festival Terras sem Sombra. Sete Lágrimas é um consort de músicos especializados em música antiga e contemporânea – dirigido pelos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto – que explora a ténue fronteira entre a música erudita e as tradições seculares. Após intensa pesquisa, o grupo apresentou-se pela primeira vez, em 2000, com a estreia nacional do Primeiro Livro de Madrigais para Duas Vozes, de Thomas Morley (1595). Este repertório encerra em si a magia do Renascimento europeu, que fazia da música e dos paradigmas clássicos uma forma de arte nova apta a comunicar com o público de um modo ainda não experimentado, e lançou o mote para os projectos futuros do “ensemble”.
O Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo, promovido desde 2006 pelo serviço responsável pelo património da Diocese de Beja e pela Arte das Musas, caracteriza-se por ser itinerante e ter lugar em alguns das principais igrejas históricas da região, visando a captação de um público alargado, algo da maior importância em terras que permanecem votadas a um esquecimento quase absoluto por parte dos principais circuitos da música erudita portuguesa. A iniciativa, pensada como uma “pequena História da Música” é realizada com o apoio da Direcção-Geral das Artes - Ministério da Cultura, da Delta e das autarquias dos concelhos visitados.













