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Autarca de Santiago do Cacém estabelece conversações com Junta da GalizaPara reconhecimento do caminho português a sul com destino a Santiago de Compostela

Vítor Proença esteve em Santiago de Compostela para promover o Projecto Santiago Une e recebeu exemplar raro do Códice Calixtino

O Conselheiro de Cultura e Turismo da Junta da Galiza, Roberto Varela Fariña garantiu ao Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém envidar esforços para que sejam dados os primeiros passos que levem ao reconhecimento do caminho português a sul com passagem por Santiago do Cacém até Santiago de Compostela.

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Autarca de Santiago do Cacém estabelece conversações com Junta da Galiza Para reconhecimento do caminho português a sul com destino a Santiago de Compostela

Por Jornal Rostos

Este foi um dos assuntos que o autarca abordou com Roberto Varela Fariña durante o encontro que decorreu no passado dia 7 de Maio, em Santiago de Compostela, na Conselharia de Cultura e Turismo da Junta da Galiza.
Vítor Proença explicou que a autarquia em conjunto com a Diocese de Beja pretendem iniciar o processo de reconhecimento oficial do caminho e nesse sentido a Câmara Municipal tem um projecto para criar o primeiro albergue a sul de Lisboa para os peregrinos. A Diocese de Beja tem provas da existência do caminho, reforçou o autarca, que anunciou ainda que a autarquia pretende igualmente
criar um Centro de Estudos Jacobeus.

O Conselheiro de Cultura e Turismo da Junta da Galiza manifestou-se disponível para durante o próximo encontro do Conselho Jacobeu, organismo que está a promover as iniciativas integradas nas comemorações do Ano Jacobeu em Santiago de Compostela, abordar a proposta do Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém e comprometeu-se em falar com o Presidente da Junta da Galiza para se iniciarem os contactos políticos com o Governo Português para o arranque do processo que poderá levar ao reconhecimento oficial do caminho português a sul com passagem por Santiago do Cacém.

“O reconhecimento do caminho tem que ser feito pelas autoridades portuguesas, e se isso acontecer não vejo nenhum inconveniente, para nós isso seria muito positivo”, disse Roberto Fariña, no encontro com o autarca de Santiago do Cacém e com o representante da Diocese de Beja, o professor José António Falcão.
Vítor Proença anunciou que também vai falar com a Ministra da Cultura durante a sua presença em Santiago do Cacém, nas Jornadas Culturais “Sant’iago – Os Caminhos do Património”, agendadas para os dias 30 de Junho, 1 e 2 de Julho, no âmbito do projecto Santiago Une.

No final do encontro, o Conselheiro de Cultura e Turismo da Junta da Galiza ofereceu ao Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, um exemplar do Códice Calixtino traduzido de latim para galego.

Conservado na sua versão original na Catedral de Santiago de Compostela, o Códice Calixtino, é a obra histórica de referência para entender o desenvolvimento e origens, e até o conceito ideológico, da cultura jacobeia.
O Códice conhecido em latim como Liber Sancti Jacobi ou Codex Calixtinus é um conjunto de textos reunidos em Santiago de Compostela nos anos finais do arcebispado de Diego Gelmírez e que se apresentava como da autoria do Papa Calisto II.
O códice consiste num conjunto de textos de carácter litúrgico, histórico e hagiográfico que visava servir como promoção da sé apostólica de Santiago de Compostela, ideado pelo arcebispo Gelmírez ou pelo seu círculo próximo e redigido por vários autores entre 1130 e 1160. O exemplar mais antigo, datado entre 1150 e 1160, conserva-se na Catedral de Santiago de Compostela e é cópia de um exemplar modelo. A cópia que realizou o monge Arnaldo de Monte em 1173 conhece-se como manuscrito de Ripoll e conserva-se actualmente em Barcelona.
O Códice Calixtino divide-se em cinco livros e compõe-se de 225 fólios a dupla cara de 295 x 214 mm, cada fólio contém, pelo geral, uma única coluna de 34 linhas. O manuscrito restaurou-se em 1966 e voltou-lhe acrescentar o Livro IV que estava fora do manuscrito desde 1609.
O Códice Calixtino imprimiu-se pela primeira vez em 1882, numa edição feita por Fidel Fita.
Parte do manuscrito traduziu-se ao galego no primeiro terço do século XV, conhecido como Milagres de Santiago, recolhe partes da História Karoli e da Guia do Peregrino.
Reagindo à oferta, Vítor Proença manifestou-se muito honrado com a entrega ao Município de Santiago da obra de “grande valor e significado” e entregue pela Conselharia de Cultura e Turismo da Junta da Galiza, com grande critério e selecção.
O Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, que esteve em Santiago de Compostela, nos dias 7, 8 e 9, a convite do Alcaide José Sanchez Bugallo para participar nas jornadas “Caminho de Santiago: Meta da Europa”, no âmbito da comemorações do Dia da Europa e no âmbito do projecto Santiago Une, discursou na Catedral de Santiago, como representante das cidades integradas no Santiago-Une.
A assistir à missa do peregrino estiveram mais de mil pessoas que foi dedicada ao projecto que visa uma maior aproximação dos cidadãos.
Durante a intervenção, o autarca português explicou o projecto que “faz com que trabalhem conjuntamente as cidades geminadas por uma maior participação dos cidadãos”. Vítor Proença realçou o papel das cidades do projecto Santiago Une que defendem o papel integrante e promotor da identidade europeia e os valores do Caminho de Santiago.
“As cidades do projecto Santiago Une, defendem o papel integrante e promotor da identidade europeia e os seus valores do Caminho de Santiago; e, oferecemos uma rede que reflecte sobre o futuro da Europa”, disse Vítor Proença no seu discurso, acrescentando que o projecto visa “fomentarmos na rede, e em cada uma das cidades que a integram, através de acções conjuntas, especialmente entre os jovens, ainda que com a participação de toda a comunidade, o diálogo intercultural que permita fomentar o sentido de pertença à União Europeia entre todos os seus cidadãos”.
A evocação ao apóstolo Santiago, feita pelo autarca de Santiago do Cacém terminou com um apelo. “Estamos conscientes das dificuldades e do grande caminho que temos que percorrer. Uma forma de fazer este caminho é, sem dúvida, este ser percorrido por valores pelas cidades do projecto e dos seus países, promovendo o contacto e as relações entre os seus cidadãos, de modo a criar espaços comuns e cumplicidades de proximidade em volta dos valores que representa o ideal europeu, encontros que fazemos como um marco do projecto e, pelo que afirmamos a nossa tenaz vontade e permanente de andar, incansáveis, o caminho da luta por um mundo melhor, mais justo e igual, mais livre e mais solidário, sabendo que teremos que avançar dia a dia”.
Durante a deslocação a Santiago de Compostela, Vítor Proença participou também no encontro organizado pela Câmara Municipal de Santiago de Compostela, líder do projecto europeu Santiago Une, que envolve as cidades de Santiago do Cacém, Assís e Narni em Itália, Córdoba e Santiago de Compostela em Espanha, Ratisbona na Alemanha e Rennes em França no encontro sobre o futuro da União Europeia e o “Caminho de Santiago: Meta da Europa”, onde marcaram presença vários representantes do Parlamento Europeu, tais como Miguel Angel Martínez, vice-presidente do Parlamento Europeu. Danuta Hubner, ex- comissária da União Europeia e actual presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu foi outra das participantes do encontro.

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