Crónica De uma Breve Viagem ao Barreiro- Verderena - O que devemos salvaguardar?

Por Jornal Rostos
5ª Etapa: Verderena
O que devemos salvaguardar?
Esta será, talvez, uma das questões mais sensíveis sobre a salvaguarda do património cultural material e imaterial.
Em nossa opinião cumpre preservar o que, testemunho da nossa vivência, é reconhecido como itinerário de uma identidade.
Neste sentido “monumentos” serão não só o castelo, o pelourinho, o sítio arqueológico, a zona histórica de um aglomerado urbano, mas também, uma determinada paisagem natural ou urbana e ainda ferramentas, avanços tecnológicas, soluções construtivas, moinhos, bairros operários, fábricas, memórias quotidianas de trabalho, resistência, associativismo, festas, rituais…
E se a nível teórico parece haver consensos sobre o que salvaguardar o problema persiste muitas vezes ao nível concreto da intervenção/decisão numa determinada comunidade.
Muitas são as interferências quando se quer objectivar o que deve ser preservado como referente identitário de uma dada comunidade, a título de exemplo referenciamos duas:
- as dificuldades de ordem financeira que, por vezes, podem sucumbir a interesses puramente económicos;
- a desresponsabilização a que se remetem as empresas com obrigações de retorno social relativamente aos custos/benefícios da sua instalação numa dada comunidade. Estas últimas, preservando a sua memória, estariam simultaneamente a preservar parte significativa da memória da comunidade e este podia ser um retorno possível.
Estamos no rio frente à Verderena, uma das zonas que mais transformações sofreu com o processo acelerado de urbanização, durante o séc. XX “…pôs-se-me diante dos olhos com seus blocos enormes, compactos, dum casario moderno em arruamentos traçados a compasso. Sentia-me perplexo e aturdido. Tinha desaparecido a paisagem que eu trouxera tantos anos nos olhos. Onde estavam agora as salinas orladas de salgadeiras, com pirâmides de sal à beira-rio?” (Jorge Teixeira, O Barreiro que eu vi, pág.27).
O documento mais antigo, que refere o topónimo, data de 1322 e faz referência, justamente, a marinhas de sal na foz do rio Coina, nos sítios do Barreiro e da Verderena.
BAIA DA VERDERENA: aprazível local de antigas Marinhas de Sal, Moinhos de Maré e Viveiros. Gaspar Correia, secretário de Afonso de Albuquerque e autor das “Lendas da Índia”, possuiu Moinhos de Maré neste lugar. João Rodrigues, primeiro alcaide-mor do Barreiro (séc. XVI), foi proprietário de Marinhas e Henrique da Mota, conhecido pelo “Cancioneiro Geral”, teve Viveiros. A Carta Foral da Vila Nova do Barreiro (1521) refere alguns destes nomes. No séc. XIX, junto dos Moinhos de Maré adaptados, a Fábrica de Moagem de Rações, surge uma unidade pecuária. Nestes terrenos, em 1936, propriedade da Companhia Eléctrica de Vila Franca e Bonfim, instalou-se a primeira Central Eléctrica do Barreiro.
ESCOLA do 1º CICLO do ENSINO BÁSICO, nº3: foi inaugurada em 1947. Pertence tipologicamente às escolas do “Plano dos Centenários”, mandadas construir pelo Estado Novo para assinalar as datas da Fundação da Nacionalidade (1147) e da Restauração (1640).
ASSOCIAÇÃO BARREIRO – PATRIMÓNIO, MEMÓRIA E FUTURO













