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Manuel Maria Carrilho - Conferencista no 27.º Festival de Almada«Crise, Cultura e Democracia»

Manuel Maria Carrilho, actual embaixador de Portugal na UNESCO e ex - Ministro da Cultura é o autor da conferência de abertura do seminário com o tema “Crise, Cultura e Democracia”, organizado no âmbito do 27.º Festival de Almada.

O seminário, que se integra nos tradicionais Encontros da Cerca, que anualmente reúnem em Almada intelectuais portugueses e estrangeiros em torno de diversos temas, é uma das iniciativas habituais do Festival e é, desde há 16 anos, organizado em colaboração com o Instituto Internacional de Teatro do Mediterrâneo.

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Manuel Maria Carrilho - Conferencista no 27.º Festival de Almada «Crise, Cultura e Democracia»

Por Jornal Rostos

Os outros dois conferencistas deste Seminário, que se realiza na Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, em Almada, nos dias 17 e 18 de Julho, são o poeta, ensaísta e professor universitário português Manuel Gusmão e o catedrático espanhol, dramaturgo e ensaísta José Monleón.

Nas três mesas que dirigirão os debates sobre as conferências participam os encenadores Ricardo Pais, Emmanuel Demarcy – Mota e Fernando Mora Ramos, os críticos portugueses Maria Helena Serôdio e João Carneiro e o francês Jean Pierre Han; a dramaturga espanhola Itziar Pascual; os professores e tradutor António M. Feijó e Francisco Frazão, e ainda o professor Salem Mékki, ex-Secretário de Estado da Tunísia e assessor do Gabinete Presidencial, especialista em temas de educação e cultura islâmica.

O colóquio, que se centra sobre os universos entre os conceitos Cultura e Democracia, no contexto da actual crise, termina no mesmo dia do encerramento do Festival e está a despertar grandes expectativas.

No texto introdutório, o director do IITM afirma:
Na sequência da criação das Nações Unidas e da UNESCO, existiu uma linha de pensamento que sempre defendeu a construção de uma cultura democrática como suporte irrecusável da transformação social. Esta atenção à cultura não se desenvolveu, entretanto, nos termos desejáveis e programados, como prejuízo da consolidação dos valores democráticos e da solidariedade à escala planetária. A actual crise do sistema financeiro e a sua explicação e correcção em termos estritamente económicos seria uma demonstração da debilidade da nossa cultura democrática. Todos sabemos que a história das doutrinas económicas é indissociável dos níveis de justiça social; no entanto, os actuais debates, reduzidos à resolução das disputas económicas, ignoram a imagem dos seres humanos que com elas sofrem. Necessitamos, agora mais do que nunca, e para dar sentido e coerência às nossas realidades, que os termos “crise”, “cultura” e “democracia” se vinculem entre si, para clarificar até que ponto a organização do sistema económico afecta a democracia e despreza o valor da cultura como espaço de reflexão e participação do conjunto dos cidadãos.

Por seu turno, o director do Festival, Joaquim Benite, afirma:
Desde a sua primeira edição, o Festival de Almada recusou o figurino de uma simples mostra de produções, procurando aproveitar os cruzamentos estéticos, ideológicos e filosóficos que um evento deste género propicia, para o estabelecimento de espaços de reflexão e diálogo, de confronto de ideias e de intercâmbios, com vista ao aprofundamento do conhecimento da actividade teatral e das suas implicações, através de um diálogo que envolve criadores e espectadores, sem o qual diálogo o Festival de Almada não teria podido atingir a sua dimensão actual.
O tema do debate deste ano era quase inevitável: crise, cultura e democracia são conceitos a que ouvimos referências todos os dias, sem que dispunhamos sempre do tempo e do espaço psicológico necessários para superarmos a resistível banalização do seu uso.
Tentámos, o Festival e o IITM, reunir neste Encontro personalidades de grande relevo cultural que possibilitem uma reflexão viva, actual e útil sobre a relação entre estes três conceitos.
Consideramos uma grande honra poder contar com a presença de um ilustre pensador como o professor Manuel Maria Carrilho, que foi Ministro da Cultura e nessa qualidade contribuiu de uma forma única para o desenvolvimento do teatro, da arte e da cultura em Portugal, ou de intelectuais tão prestigiados como o professor e poeta Manuel Gusmão, ou o catedrático espanhol José Monleón, já amplamente conhecido do público do Festival e uma das personalidades reconhecidas da cultura espanhola contemporânea.

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