Auditório Municipal António Chainho - Santiago do CacémRecebeu Jornadas Culturais
“Centros Históricos e Caminhos de Santiago” foi o tema do primeiro painel das Jornadas Culturais organizadas pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém nos dias 30 de Junho, 1 e 2 de Julho.

Por Jornal Rostos
Neste primeiro painel de debate, moderado pelo Professor Arlindo Magalhães da Faculdade de Teologia da Universidade Católica do Porto, participaram como oradores Rui Parreira, técnico da Direcção Regional de Cultura do Algarve, Arquitecto Javier Fernandéz, chefe do Departamento do Centro Histórico, Ayuntamiento de Santiago de Compostela, e a Dra. Adeline Rucquoi, Directora de Investigação Histórica do Centro Nacional de Investigação Cientifica de Paris e autora de vários livros sobre Historia Medieval da Península Ibérica.
Depois da exposição de Rui Parreira que abordou a autenticidade e valorização dos centros históricos urbanos, foi a vez dos participantes das Jornadas que decorreram no Auditório Municipal António Chainho, ficarem a conhecer a regeneração e valorização do centro histórico de Santiago de Compostela com bons e maus exemplos. A terminar o primeiro painel de debate, seguiu-se a intervenção de Adeline Rucquoi que abordou a origem das peregrinações na Europa em direcção a Santiago de Compostela.
Os trabalhos foram retomados da parte da tarde com o 2º painel a ser moderado pelo Professor José d’Encarnação da Universidade de Coimbra.
“Miróbriga e Património Arqueológico” foi o tema deste 2º painel que contou com a participação do Dr. José António Falcão, Director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, o Professor Vasco Mantas, da Universidade de Coimbra, Drº José Carlos Quaresma, Investigador do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, a Drª Filomena Barata, Assessora do Instituto dos Museus e da Conservação e o Drº. Juan Murillo, arqueólogo do Ayuntamiento de Córdova.
José António Falcão explicou durante a sua intervenção que a “redescoberta” do Caminho de Santiago no sudoeste de Portugal por peregrinos nos anos 90 surpreendeu a Diocese de Beja, que desencadeou a investigação que foi apresentada na quinta feira, em Santiago do Cacém, no âmbito das jornadas culturais promovidas pelo município.
Entrando no território por Odeceixe, seguia por São Miguel, na freguesia de São Teotónio, e continuava depois até Odemira, de onde partia para Cercal do Alentejo e conduzia até Santiago do Cacém, de onde podia seguir dois percursos, um por Melides e outro por Grândola e Alcácer do Sal.
Identificar os percursos do Caminho de Santiago no sul de Portugal, bem como conseguir o seu reconhecimento oficial e cultural é o objectivo da investigação que a Diocese de Beja está a desenvolver há quase 20 anos.
A Câmara Municipal de Santiago do Cacém apoia a iniciativa e está fortemente empenhada em obter o reconhecimento do caminho.
A autarquia tem um projecto para a criação de um albergue no Centro Histórico de Santiago do Cacém e de um Centro de Estudos Jacobeus.
O reconhecimento deve ser feito, primeiro pelo Instituto dos Itinerários Culturais – que está dependente do Conselho da Europa – e depois pela UNESCO.
Depois da intervenção do Dr. José António Falcão, seguiu-se o Professor Vasco Mantas que apresentou no Auditório Municipal um trabalho sobre “Vias, Pontes e Comércio Marítimo na Época Romana”. O especialista deu vários exemplos da rede viária romana que foi “enorme e importantíssima”.
José Carlos Quaresma analisou e mostrou a génese de Mirobriga, a evolução e o abandono da cidade romana. Quase a terminar o painel, a Drª Filomena Barata, arqueóloga e uma “apaixonada por Miróbriga” fez uma retrospectiva do trabalho que desenvolveu nas Ruínas defendendo que “tem que haver mais investimento no que se refere a recursos humanos”. Coube ao representante de Córdova terminar os trabalhos.
Juan Murillo mostrou o trabalho desenvolvido durante duas décadas em Córdova, importante cidade Romana e a forma encontrada pela cidade para enquadrar e preservar o legado histórico deixado pelos romanos com os edifícios contemporâneos.













