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Biblioteca Nacional de PortugalADQUIRIU DOIS DOCUMENTOS AUTÓGRAFOS DE ALEXANDRE HERCULANO

No ano do bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano (1810-1877), um dos maiores vultos do liberalismo português, a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) comprou, num recente leilão, dois documentos autógrafos do insigne escritor: uma carta e uma declaração dirigidas aos veteranos editores e livreiros Bertrand. As referidas espécies autógrafas serão incorporadas no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea (ACPC).

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Biblioteca Nacional de Portugal ADQUIRIU DOIS DOCUMENTOS AUTÓGRAFOS DE ALEXANDRE HERCULANO

Por Jornal Rostos

Enriquece-se, assim, o acervo deste intelectual na BNP cuja grandeza moral se revelou, nomeadamente, na sistemática recusa de prebendas e honrarias tão reclamadas por outros vencedores da guerra civil.
Um dos 7 500 “bravos do Mindelo”, combatente ao lado de D. Pedro IV durante a sangrenta guerra civil, o entusiasmo de Herculano com a morigeração dos costumes nacionais foi esmorecendo. Deputado em várias legislaturas, a sua progressiva desilusão com a implantação do liberalismo conduziu-o a um outro tipo de exílio voluntário, refugiando-se numa quinta em Vale de Lobos, perto de Santarém. Poeta e romancista consagrado, distinguiu-se ainda como bibliotecário. Destacou-se, também, como impulsionador de projectos editoriais de grande qualidade, designadamente de “O Panorama”.
Grande parte do espólio deste historiador, romancista e poeta de grande relevo na Cultura Portuguesa encontra-se na Biblioteca Pública Municipal do Porto, que ajudou a fundar e onde exerceu funções desde o regresso do exílio (1833) até à Revolução de Setembro (1836), tendo-se demitido por continuar a defender a Carta Constitucional de 1826. Participante na polémica que envolveu outros homens de letras coevos acerca da “propriedade literária”, Herculano escreveu vários textos acerca da matéria que actualmente designamos por “direitos de autor”.
Os originais agora obtidos pela BNP tratam exactamente da cedência de direitos autorais deste antigo director das bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, entre 1829 e 1867, devido à influência de D. Fernando II, rei consorte, que muito apreciava a sua craveira intelectual, ao seu editor, no início do ano de 1860.
Na carta enviada a Bertrand, está patente o excelente relacionamento com o proprietário da livraria que acolhia uma tertúlia literária composta por outros divulgadores do romantismo cultural e literário e em que pontificava Herculano.
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