Presidente da República entrega Prémios Literáriosda Estoril Sol a Mário de Carvalho e a Raquel Ochoa

Por Jornal Rostos
Na Acta do Prémio pode ler-se que o Júri, ao distinguir “A Sala Magenta”, teve em conta “ a elevada qualidade estilística e narrativa desta obra e a humanidade do olhar que lança sobre o universo da criação artística e da existência”.
É a segunda vez que Mário de Carvalho vence o Prémio Literário Fernando Namora. A primeira, foi em 1996 com o romance “Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde”, igualmente distinguido com o Grande Prémio APE.
Em “A Sala Magenta”, um romance repassado de ironia, embora com um traço melancólico, Mário de Carvalho ensaia, como assinala a critica, um estudo de carácter, tendo como protagonista um cineasta medíocre a fundar-se na consciência da sua própria mediocridade.
Mário de Carvalho é um escritor lisboeta nascido em 1944. Licenciado em Direito, em 1969, desenvolveu actividade politica contra a Ditadura, ainda nos tempos de estudante. Exilou-se em França e Suécia, tendo regressado a Portugal após o 25 de Abril em 1974. Exerceu a advocacia em Lisboa e estreou-se como escritor com “Contos da Sétima Esfera” (1981).
Possuidor de uma invulgar versatilidade literária, Mário de Carvalho cultivou, também, o conto , conquistando o Grande Prémio APE com “Quatrocentos Mil Sestércios” (1992) seguido do “Conde Jano”. Como dramaturgo, assinou várias peças, designadamente, “O Sentido da Epopeia”, “A Rapariga de Varsóvia”, “Se Perguntarem Por Mim Não Estou” e “Haja Harmonia”, que viu representadas.
Quanto ao romance “A Casa-Comboio”, de Raquel Ochoa, o Júri considerou que este revela “ uma assinalável qualidade narrativa, conjugando bem os elementos de natureza documental acerca dos contextos pessoais e colectivos da experiência portuguesa na Índia”. E na acta do Júri, que atribuiu o Prémio, pode ler-se ainda que “ investigação histórica subjacente ao romance acontece sem prejuízo da construção ficcional. A saga da família Carcomo cativa pela qualidade da efabulação e desenho de personagens”.
O enredo deste romance baseia-se na aventura de uma família indo-portuguesa, originária de Damão, que sobrevive e se adapta à turbulenta História mundial do último século, evocando uma saga nos tempos em que a Índia longínqua era portuguesa.
Quatro gerações habitam Nagar-Aveli, Damão e, por fim, Lisboa. Uma casa é abandonada para sempre. Este romance histórico é baseado num relato verídico.
A autora, Raquel Ochoa – Raquel Maria Fialho Costa Ochoa, de seu nome completo -, nasceu em Lisboa em 1980. Licenciou-se em Direito e cedo despertou nela a paixão pelas viagens, levando-a a publicar um livro de crónicas em 2008, “O Vento dos Outros”, precisamente sobre uma sua experiência vivida na América do Sul. Ainda em 2008, editou “ Bana – Uma Vida a Cantar Cabo Verde”, a biografia do cantor. No plano profissional, é formadora na “Escrever, Escrever”, escola que fomenta a criatividade nesta área.
Este é o seu primeiro romance e, também, o primeiro trabalho sobre a Índia, por onde já viajou algumas vezes.
Os Prémios Literários Fernando Namora e Revelação Agustina Bessa-Luís têm ambos o valor de 25 mil euros. O Júri, além de Vasco Graça Moura, foi integrado por Guilherme D` Oliveira Martins, em representação do CNC – Centro Nacional de Cultura, José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários e, ainda, por Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, convidados a título individual e Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, em representação da Estoril Sol, entidade promotora do Prémio.













