Centenário da República em SetúbalReconstituição histórica recordou o incêndio que destruiu os Paços do Concelho
“Viva a República!, abaixo a Monarquia!”, gritavam setubalenses republicanos exigindo a abertura das portas do edifício, onde também funcionava a polícia, para poderem hastear a bandeira da República.

Por Jornal Rostos
As notícias chegadas de Lisboa, como as que anunciavam o assassinato de Miguel Bombarda e o suicídio do almirante Cândido dos Reis, enfureciam os republicanos que gritavam por uma “Setúbal independente”.
A confusão instalou-se, ouvindo-se disparos de arma de fogo e vidro a estilhaçar-se, enquanto as portas dos Paços do Concelho eram arrombadas ao som de “vivas”.
Depressa o fumo e as chamas tomaram conta do edifício. Por entre as centenas de populares que reviveram a noite em que, há cem anos, Setúbal proclamou a Implantação da República, os bombeiros acorreram ao local para apagar o fogo, que acabou por consumir o edifício e destruir importantes documentos da vida e da história do Concelho.
Por fim, com o edifício ainda a fumegar, a bandeira republicana foi hasteada, ao som de “A Portuguesa”, para êxtase dos populares que assistiram ontem à noite ao espectáculo cénico, na Praça de Bocage, que através de um jogo de luzes recriou a revolução republicana em Setúbal.
A encenação evocativa, preparada para as comemorações do Centenário da República, envolveu diversos actores e músicos, contando com a participação da Academia de Dança Contemporânea, da Academia de Teatro e Artes de Setúbal, da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, do Grupo de Animação Teatral Espelho Mágico, da Sociedade Musical Capricho Setubalense, do Teatro Animação de Setúbal e do Teatro Estúdio Fontenova.
O espectáculo, produzido pela Autarquia, com base em recolha histórica de Álvaro Arranja, texto, encenação e direcção artística de José Maria Dias, coreografia desenvolvida por alunos, composição sob orientação de Patrícia Henriques, música e banda sonora de António Laertes e efeitos visuais e desenho de luz de António Martins/Aldeia da Luz.













