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Em Setúbal - República e Educação tema de exposição e conferênciaAs escolas primárias eram insuficientes e precárias

O estado da educação entre o período pré-republicano e o final da 1.ª República nos mais variados graus de ensino está retratado numa exposição patente na Biblioteca Municipal, complementada com centenas de livros, revistas e fotografias que ilustram a época.

Na mostra “O Ensino no Tempo da República”, patente até 30 de Novembro e integrada nas comemorações do Centenário da República, um primeiro painel dá um enquadramento da educação portuguesa em 1910, data em que cerca de três quartos da população não sabia ler.

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Em Setúbal - República e Educação tema de exposição e conferência As escolas primárias eram insuficientes e precárias

Por Jornal Rostos

Também as escolas primárias eram insuficientes e precárias, encontrando-se em mau estado de conservação, tal como os ordenados dos professores primários eram miseráveis e a sua preparação deficiente.

A percentagem de elementos do sexo feminino que tinha acesso às escolas era mínima, o ensino profissional era incipiente, enquanto o liceal era frequentado por poucos alunos.

Apenas existia uma universidade, a de Coimbra, que formava a classe dominante e detinha privilégios inaceitáveis, como o foro académico.

Ao longo de 20 painéis, a exposição, organizada pela Comissão Distrital para as Comemorações do Centenário da República, que envolve diversas entidades, nomeadamente a Autarquia e o Centro de Estudos Bocageanos, mostra como a educação foi central no projecto republicano.

Do grau primário ao universitário, do ensino clássico ao profissional, passando pela abertura do ensino feminino ao fim do catolicismo, a exposição aborda ainda várias figuras ligadas à educação em Portugal, como João de Deus, Ana de Castro Osório, José Falcão, Bernardino Machado e Carolina Michaellis de Vasconcelos.

Um painel sobre Rogério Fernandes encerra a mostra, como forma de homenagem a um dos maiores historiadores da educação republicana, falecido este ano.

Uma das curiosidades em exposição é do jornal Diário de Notícias, um original da quarta edição do dia 5 de Outubro de 1910, além de cinco exemplares da Seara Nova e de outras publicações.

A inauguração da exposição “O Ensino no Tempo da República”, no dia 5 à tarde, e que pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 19h00, e aos sábados, das 13h00 às 19h00, precedeu uma conferência proferida por Daniel Pires, doutorado em Literatura Portuguesa.

“João de Deus, a Cartilha Maternal e a Educação na 1.ª República” foi o tema do encontro, realizado dia 5 à noite, que acabou por ser complementado pela exposição.

João de Deus, que publicou em 1876 a Cartilha Maternal, foi ponto central da conferência, que incidiu sobre a época em que o combate ao analfabetismo era uma prioridade republicana.

A fundação da Associação das Escolas Móveis, por Casimiro Freire, em 1882, é exemplo da influência da Cartilha Maternal.

“Ensinar a ler, a escrever e a contar pelo método João de Deus, aos indivíduos que o solicitarem, até onde o permitam os meios económicos do cofre social, enviando neste intuito às diversas povoações da nação portuguesa, professores devidamente habilitados”, foi o lema da associação.

O programa das comemorações do Centenário da República continua no sábado, com a conferência “A ideia de República: metamorfoses e impasses de procura pela justiça política”, por Viriato Soromenho Marques, às 16h00, na Biblioteca Municipal – Serviços Centrais.

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