Casa da Cultura em Setúbal«Perpetuar este espaço de cultura e recordar aqueles que o construíram»
“Este projecto constitui uma evolução crucial na forma como se faz e cria cultura”, referiu Maria das Dores Meira, na apresentação do projecto, realizada no edifício onde funcionou o Circulo Cultural de Setúbal, que acolherá a nova Casa da Cultura.

Por Jornal Rostos
A presidente da Autarquia sublinhou que a produção autónoma de actividades, através das “fortes parcerias estabelecidas com associações e colectividades, vai voltar a fazer deste local histórico um espaço vivo, de cultura e de reflexão”.
Este projecto, além de dotar o Concelho de um equipamento cultural único, de cariz multifuncional, permite salvaguardar e preservar a história cultural e patrimonial da cidade, nomeadamente através da recuperação do imóvel.
“Perpetuar este espaço de cultura e recordar aqueles que o construíram”, é um dos imperativos do projecto da nova Casa da Cultura, destacou Maria das Dores Meira, recordando os nomes de Dimas Pereira, um dos mais destacados dirigentes do Circulo Cultural de Setúbal, e José Afonso, personalidade da cultura portuguesa que ajudou a fundar a histórica associação, “num espaço dos setubalenses e para os setubalenses”.
A “Refuncionalização do Edifício do Círculo Cultural de Setúbal – Casa da Cultura”, incluída no ReSet – Programa de Regeneração Urbana do Centro Histórico de Setúbal, constitui um investimento de 2.090.212,32 euros, com apoios comunitários ao abrigo de uma candidatura liderada pela Autarquia ao QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.
A concretização da obra, com arranque programado para o início de Novembro, foi adjudicada à empresa STAP – Reparação, Consolidação e Modificação de Estruturas. S.A, que dispõe de um prazo máximo de execução de 12 meses.
“Este espaço degradado será, em pouco mais de um ano, mais um motivo de orgulho para os munícipes e representará mais uma evidência do esforço municipal na modernização do Concelho”, realçou a presidente da Câmara Municipal.
A futura Casa da Cultura, cujas intervenções incidem numa área total de cerca de mil metros quadrados, visa a instalação de várias valências, distribuídas pelos três pisos do imóvel.
“O principal pressuposto da futura Casa da Cultura é a recuperação do edifício, mantendo, ao máximo, a traça arquitectónica”, explicou o arquitecto responsável pelo projecto, Gonçalo Silva.
O projectista referiu que todos os espaços interiores, “com excepção do Salão Nobre [no primeiro piso], das escadas e da entrada do edifício, vão ser alterados”, de forma a acolher os novos serviços e valências culturais.
O arquitecto setubalense adiantou que as fachadas e a métrica das janelas, no exterior do imóvel, vão ser mantidas, salientando, contudo, que o último piso “será mais amplo e com um estilo contemporâneo”.
Uma galeria de exposições, concebida para a apresentação de uma ou duas mostras em simultâneo, apoiada por uma oficina de projecto e preparação das mesmas e por uma área de arquivo dos materiais associados às exposições, e um Café das Artes, que funcionará como café-concerto e espaço para colóquios, debates e encontros, são dois serviços a instalar no rés-do-chão.
O novo equipamento contempla ainda a instalação, no piso térreo, da Casa Municipal da Juventude, um serviço gerido pela Autarquia destinado ao desenvolvimento de actividades de informação, de formação e de projectos para os mais novos.
Um Centro de Documentação, Estudo e Promoção da Canção Popular Portuguesa, a cargo da Associação José Afonso, e um Espaço das Artes, para realização de exposições, workshops e ateliers no domínio das artes plásticas, da responsabilidade da Artiset – Associação de Artistas Plásticos de Setúbal, e um Auditório Multiusos, para variados eventos, ficam instalados no primeiro andar.
A Casa da Cultura possuirá ainda uma Escola de Música, no segundo andar, apoiada por áreas específicas, incluindo duas salas de ensaios e três para ensino de música.
Esta valência, dinamizada pela Sociedade Musical Capricho Setubalense, entidade associativa com quase um século e meio de existência, que, além da formação, possui uma banda de música, envolve ainda a um estúdio de gravação, com régie e gravação de voz.
No segundo piso está também previsto um espaço para o Centro de Estudos Bocageanos, entidade que desenvolve uma intensa actividade na promoção da vida e obra de Bocage.
Uma área de consulta e comercialização das produções da Casa da Cultura e de outras criações relacionadas com a realização artística e cultural das associações vai também ser implantada no último piso do edifício.













