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Prémio Portugal Telecom de Literatura 2010entregue a Chico Buarque

Chico Buarque venceu o Prémio Portugal Telecom de Literatura 2010 com “Leite Derramado”, em segundo lugar ficou “Outra Vida” de Rodrigo Lacerda e em terceiro “Lar,” de Armando Freitas Filho. O anúncio do Prémio decorreu ontem, em São Paulo (Brasil) com uma homenagem especial a José Saramago, que contou com a presença de Pilar Del Rio, sua mulher, e da sua grande amiga, a escritora brasileira, Nélida Piñon.

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Prémio Portugal Telecom de Literatura 2010 entregue a Chico Buarque

Por Jornal Rostos

Chico Buarque vence com “Leite Derramado”, o seu quarto romance que conta a história de um homem já velho, que está num hospital e que relata a sua vida para quem quiser ouvir. “Outra Vida” também é o quarto romance do escritor Rodrigo Lacerda, e narra uma família numa estação de autocarros tentando voltar para a cidade natal. “Lar,” do escritor Armando Freitas Filho, ganhou o terceiro lugar com poemas que representam peças espalhadas da vida oprimida de um rapaz no típico universo burguês dos anos 50 no Rio de Janeiro.

Este ano, o júri do Prémio votou em 9 obras das 10 que estavam nomeados, uma vez que o livro “Caim” de José Saramago, a pedido da Fundação Saramago e da Companhia das Letras, editora do escritor no Brasil, foi retirado desta lista por forma a serem reconhecidos outros autores de língua portuguesa. Esta decisão vai ao encontro, também, de uma vontade do Prémio Portugal Telecom de Literatura, de homenagear José Saramago, pela sua vida e obra e por considerar que não poderia deixar de mostrar o seu reconhecimento por aqueles que contribuíram para dignificar o nome de Portugal e, neste caso muito específico, a língua portuguesa.

Os Vencedores

Leite Derramado, Chico Buarque
No seu quarto romance, o escritor Chico Buarque criou mais um personagem marcante. Depois do narrador anónimo de Estorvo, do modelo fotográfico Benjamin Zambraia e do ghost writer José Costa, agora é a vez de um homem com mais de cem anos, preso a um leito de hospital, de onde vai relatando, a quem quiser ouvir, a história de sua vida. A mão firme do escritor não escorrega um minuto e monta um verdadeiro quebra-cabeças, com pedaços de memória espalhados em mais de 200 páginas. A primeira linha narrativa é a história do narrador, Eulálio d’Assumpção, com sua mulher Matilde, que a certa altura do livro desaparece com sua cor morena, seu cheiro, sua dança, sua beleza e mistério. E o pano de fundo é o Brasil do Império, da República, da ditadura militar, até os nossos dias, indo do escravatura ao universo da corrupção.

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