Cultura Ferroviária no BarreiroConstitui um traço muito genuíno da identidade local
No recente Colóquio Internacional subordinado ao tema : «História, Património e Perspectivas Actuais e Futuras do Caminho de Ferro», que decorreu no Auditório Augusto Cabrita, Rosalina Carmona, Historiadora, numa intervenção tendo como tema ”A Cultura Ferroviária no Barreiro» sublinhou que – “A influência que a ferrovia exerceu sobre a vida dos barreirenses e os desenvolvimentos daí resultantes, constitui um fenómeno complexo que, no seu conjunto, poderíamos designar por cultura ferroviária”.

Por Jornal Rostos
Rosalina Carmona, Historiadora, Técnica Superior da Câmara Municipal do Barreiro, recordou que – “Em 1855 a Companhia Nacional dos Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo adquiriu os primeiros terrenos no Barreiro, para implantação da rede ferroviária do Sul, realizando-se em 1859 a primeira viajem oficial na linha de caminho de ferro Barreiro-Vendas Novas. A partir de então teve início um processo de transformação com reflexos profundos ao nível da estrutura económica, social e urbanística na antiga vila piscatória.
A influência que a ferrovia exerceu sobre a vida dos barreirenses e os desenvolvimentos daí resultantes, constitui um fenómeno complexo que, no seu conjunto, poderíamos designar por cultura ferroviária”.
Fenómenos sociais como o associativismo ferroviário
“A cultura ferroviária configura aspectos múltiplos que se foram inscrevendo na história da cidade e hoje constitui um traço muito genuíno da identidade local. Identifica-se em certos fenómenos sociais como o associativismo ferroviário, surgido no contexto do espírito de associativismo laico que se generaliza a partir do século XIX encontrando, à chegada do caminho-de-ferro ao Barreiro, um terreno favorável ao seu desenvolvimento, que deu origem à formação de numerosas associações: de classe, humanitárias, mutualistas, de solidariedade e associações desportivas, entre outras” – salientou Rosalina Carmona..
Presença marcante no urbanismo da cidade
“O património ferroviário construído, presença marcante no urbanismo da cidade, é do ponto de vista da cultura material um dos aspectos mais concretos da cultura ferroviária. Tem expressão arquitectónica em numerosos edifícios de grande dimensão espalhados pela cidade e concelho, especialmente o significativo conjunto de infra-estruturas oficinais, entre outras, e tal como ao nível dos bairros habitacionais edificados pela Companhia dos Caminhos de Ferro” – sublinhou a historiadora.













