Dia Internacional dos Monumentos e SítiosUm itinerário por fontes e chafarizes da cidade de Setúbal

Por Jornal Rostos
“Água: cultura e património”, tema deste ano das comemorações, deu o mote a uma visita guiada pelo património edificado da cidade que comprova a importância do abastecimento de água a partir do século XV.
Com a duração de três horas, o percurso teve como ponto de encontro o Aqueduto dos Arcos, na Algodeia, monumento construído em 1487 que deu início à implantação de uma rede de fontes e chafarizes para o abastecimento de água à população.
A comitiva rumou ao Balneário Dr. Paula Borba, na rua com o mesmo nome, onde funcionam agora os serviços administrativos do Museu de Setúbal. Construído em 1919, serviu as pessoas mais humildes, mas também foi frequentado pela classe média, sendo aberto todos os dias da semana para usufruto da população, que recebia toalhas e sabonetes.
Actualmente desactivado, o antigo balneário público suscitou a curiosidade dos participantes na visita do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, originando reflexões sobre as alterações dos hábitos de higiene pessoal e o saneamento básico.
Numa passagem em frente do Convento de Jesus, falou-se sobre o lavabo do claustro, construído em finais do século XV, onde as religiosas lavavam as mãos antes e depois das refeições.
Esta pia, completamente forrada por rajolas valencianas, recebia água através de um anel do Aqueduto dos Arcos.
O grupo seguiu pela Avenida dos Combatentes, onde existiu a Fonte de São Caetano, concluída em 1692 e demolida em 1917. Da memória colectiva pouco mais resta do que uma fotografia do Arquivo Municipal Américo Ribeiro.
As fontes Nova e do Parque das Escolas e o Chafariz do Sapal, outros locais de passagem, são talvez os monumentos do género mais conhecidos da população, pela importância histórica e pela beleza.
A Fonte Nova, por exemplo, cujo aspecto actual data do século XVIII, remonta ao século XIV, tendo sido consertada diversas vezes, uma das quais no século XVI com o dinheiro do povo e a mando de D. Sebastião.
Já a Fonte do Parque das Escolas, datada do século XVIII, esteve inicialmente instalada no claustro do Convento de Nossa Senhora do Carmo, transitando para o Largo José Afonso, a localização actual, quando esta zona foi requalificada e arborizada, entre 1896 e 1900, para se tornar num passeio público, o “Passeio do Lago”.
A visita prosseguiu pelo Chafariz do Sapal, outro elemento do património edificado, construído em 1697, bem conhecido dos setubalenses.
O fontanário foi transferido, em 1937, para a Praça Teófilo Braga, onde permanece, devido aos problemas registados à época na localização original, a Praça de Bocage, motivados pelo aumento do trânsito automóvel.
Ao virar a esquina para a Praça de Bocage, através da Avenida 5 de Outubro, escapa aos olhos de muitos que por ali passam a existência de uma Arca d’Água do Aqueduto dos Arcos, na fachada do prédio onde funciona a “Adega dos Passarinhos”.
Prestes a encerrar este roteiro pelo património edificado do abastecimento de água de Setúbal, a comitiva visitou ainda a Fonte de Palhais, perto do Quebedo, e, por último, o Poço do Concelho, no largo com o mesmo nome.
Apesar de estar previsto no itinerário, não houve tempo para uma passagem pelo Poço das Fontainhas.
Visitas ao Museu Oceanográfico e ao Moinho de Maré da Mourisca, bem como um passeio pelo Estuário do Sado, com a observação de golfinhos, também fizeram parte das actividades locais do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, organizadas pela Autarquia em colaboração com várias entidades, programa integrado nas comemorações nacionais.













