A Investigação sobre o Neolítico na Ponta da Passadeira - BarreiroConferência Internacional em Setúbal
Pré-história das Zonas Húmidas. Paisagens de Sal
A decisão de organizar esta conferência resultou do desenvolvimento de um projecto de investigação sobre o Neolítico final/Calcolítico da Ponta da Passadeira, arqueossítio localizado no estuário do Tejo (concelho do Barreiro), dedicado à exploração de sal.

Por Jornal Rostos
A decisão de organizar esta conferência resultou do desenvolvimento de um projecto de investigação sobre o Neolítico final/Calcolítico da Ponta da Passadeira, arqueossítio localizado no estuário do Tejo (concelho do Barreiro), dedicado à exploração de sal. Este estabelecimento, semelhante ao de Marismilla, no Guadalquivir, ou ao Possanco, no Sado, permite defender uma divisão socioterritorial do trabalho entre o interior e o litoral da Península Ibérica no final do IV e III milénios BC.
O estudo da ocupação humana nas margens das zonas húmidas ou simplesmente da sua exploração no quadro dos respectivos territórios de captação de recursos, tem, em Portugal, uma longa tradição nos estuários do Tejo e Sado, onde se focalizou nos concheiros mesolíticos de Muge e Sado, prosseguindo hoje com renovadas equipas das universidades de Lisboa e Algarve e rejuvenescidas problemáticas.
O MAEDS tem desenvolvido também projectos de investigação no litoral ocidental em áreas que abrangem os paleo-estuários de pequenos cursos de água, pondo em relevo a atractividade desses meios aquáticos, especialmente no Mesolítico e Neolítico. Sítios do Neolítico antigo, como Vale Pincel I e Castelo Belinho, situados na Costa Sudoeste portuguesa, têm desencadeado projectos de investigação que incidem sobre áreas de ecótono da orla litoral em que a exploração dos recursos marítimos faz parte da economia e condiciona as próprias estruturas ideológicas e culturais dessas populações.
Discutir e reflectir sobre as problemáticas da ocupação e da exploração económica dos ecossistemas mais produtivos da biosfera para as nossas latitudes é também projectar no futuro essas potencialidades, recuperando o saber de uma aprendizagem milenar.
Pretende-se que a Conferência seja um forum onde investigadores que desenvolvem projectos que de alguma forma se relacionam como meios aquáticos se possam encontrar, havendo obviamente lugar para todos os interessados nestas matérias, mesmo que vinculados a outros domínios científicos, e para estudantes.
A conferência incluirá uma visita à região, que decorrerá na tarde de Sexta-feira, dia 20 de Maio.
Principais Temas
Sociedades caçadoras-recolectoras das margens de paleoestuários.
Sociedades do Neolítico antigo.
Paisagens de sal: exploração de sal na Pré-história.
19 de Maio
9.45h - Abertura 10.15h - Nuno Bicho (Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia (NAP) da Universidade do Algarve e UNIARQ) - Os últimos caçadores-recolectores do vale do Tejo: o caso de Muge. 11.00h - Café 11.15h - Mariana Diniz (Centro de Arqueologia (UNIARQ) e Faculdade de Letras de Lisboa) - Um rio salgado: aspectos da paisagem mesolítica no baixo vale do Sado. 12.00h - Pablo Arias (Universidade de Cantabria) - Coastal foragers and the cases of the Sado valley (Portugal) and the Cantabrian region (Spain). 12.45h - Debate 13.15h - Almoço 15.00h - Conceição Freitas e César Andrade (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) - Evolução holocénica do estuário interior do Tejo.
15.45h - João Luís Cardoso (Universidade Aberta) - O Neolítico antigo do Estuário do Tejo (valorização da exploração dos recursos estuarinos). 16.30h - Café 16.45h - Victor S. Gonçalves (Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (UNIARQ)) - Caminhos de rio, caminhos de mar. As antigas sociedades camponesas do vale do Sorraia. 17.30h - Sónia Marques Gabriel (Laboratório de Arqueociências IGESPAR) (col. C. Tavares da Silva e Joaquina Soares) - Fauna e piscícola do Neolítico da Comporta: sítio da Barrosinha.
18.15h – César Neves (Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (UNIARQ)) - A evolução do processo de neolitização numa paisagem estuarina: a ocupação do Monte da Foz I (Benavente).
18.30h- Debate
20 de Maio
9.00h - Mário Varela Gomes (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa) - O Castelo Belinho (Algarve) e o mar. Recursos e símbolos. 9.45h - José Ramos Muñoz (Universidade de Cádiz ) - The Neolithic tribal societies in the region of the Straight of Gibraltar. 10.30h - Café 10.45h - Serge Cassen (CNRS-Universidade de Nantes) - Prospections archéologiques et géophysiques de stèles néolithiques submergées en baie de Quiberon (Morbihan). 11.30h - António C. Valera (NIA - ERA Arqueologia S.A. e Grupo de Quaternário e Pré-História do Centro de Geociências) - Monte da Quinta 2 (Benavente): produção especializada e circulação de sal na Pré-História Recente. 12.15h - Debate 12.45h - Almoço 14.15h - Visita a sítios arqueológicos (em organização).
21 de Maio
9.30h - Leonor Rocha (CHAIA/Universidade de Évora) - A Praia do Forte Novo. Um sítio de produção de sal na costa algarvia? 10.15h - Joaquina Soares e Carlos Tavares da Silva (Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal) - Exploração de sal na costa sudoeste ibérica: o caso da Ponta da Passadeira (Barreiro). 11.00h - Café 11.15h - Olivier Weller (CNRS - Universidades de Paris I e Paris X) - Préhistoire du sel: l’importance des zones humides à travers l’Europe. 12.00h - Debate e encerramento.
Local: Auditório da APSS (Praça da República 2904-508 Setúbal)













