Festival de Música de SetúbalCombater ideias feitas sobre a actividade cultural na cidade
“Esta parceria iniciada entre o Helen Hamlyn Trust e a Câmara Municipal é uma importante nota consonante no desenvolvimento do projecto ‘Setúbal Cidade da Música’ e não quero deixar de agradecer a inspiração e o apoio da lady Hamlyn, assim como o seu carinho por Setúbal e pelos setubalenses”, sublinhou Maria das Dores Meira.

Por Jornal Rostos
O património, a natureza e as pessoas são os principais eixos do Festival de Música de Setúbal, que, entre os dias 27 e 29, apresenta um cartaz com concertos a cargo da comunidade local e de artistas conceituados.
A primeira edição do evento foi apresentada hoje de manhã, na EB 2,3 da Bela Vista, numa conferência de imprensa em que participaram a presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, o director artístico do certame, Ian Ritchie, a directora de projectos da Fundação Helen Hamlyn, Lucy O’Rorke, a coordenadora do festival em Setúbal, Ana Coelho, e o coordenador do Departamento de Cultura da Autarquia, Luís Liberato.
“Esta parceria iniciada entre o Helen Hamlyn Trust e a Câmara Municipal é uma importante nota consonante no desenvolvimento do projecto ‘Setúbal Cidade da Música’ e não quero deixar de agradecer a inspiração e o apoio da lady Hamlyn, assim como o seu carinho por Setúbal e pelos setubalenses”, sublinhou Maria das Dores Meira.
O programa do festival conjuga artistas e grupos de renome, como Pedro Caldeira Cabral, Coro Gulbenkian e Pedro Carneiro, com vários grupos de crianças, de jovens, de pessoas com deficiências e de imigrantes, que apresentam actuações onde estão em evidência o forte envolvimento e empenho da comunidade local.
Ian Ritchie, mentor e director do Festival de Música de Londres, salientou que, na maioria dos festivais de Verão, sejam nacionais ou estrangeiros, “os artistas chegam, actuam e vão embora depois da festa. Aqui, o festival envolve parte da população e o projecto tem continuidade muito para lá dos três dias do evento”.
A presidente da Autarquia, em sintonia com a análise do director britânico, realçou que “o Festival de Música de Setúbal constitui um poderoso incentivo para combater ideias feitas sobre a actividade cultural na cidade. Com esta iniciativa demonstra-se o potencial da cidade na realização de eventos musicais”.
O evento é financiado quase na totalidade pela Fundação Helen Hamlyn, instituição vocacionada para o apoio e inclusão social de jovens.
A representante da fundação, Lucy O’Rorke, sublinhou que a parceria com a Autarquia “proporcionou que este projecto se tornasse realidade, exactamente como desejou lady Hamlyn”. Ou seja, conjugando a vertente cultural com uma forte componente social, implicando os esforços concertados de várias comunidades locais.
Lucy O’Rorke frisou ainda que “quando a fundação se envolve em projectos deste tipo, não se fala em custos, mas antes em investimento”.
Programa
O Festival de Música de Setúbal tem início no dia 27, às 10h30, na Avenida Luísa Todi, com um desfile entre o Fórum Municipal Luísa Todi e a Praça de Bocage.
Nesta parada musical, intitulada “Natureza de Setúbal”, estão envolvidas cerca de 300 crianças de escolas do Concelho, bem como elementos de associações de imigrantes de Setúbal, com todos os intérpretes a utilizarem instrumentos feitos em material reciclado.
O desfile culmina com uma actuação final em conjunto, às 11h00, na Praça de Bocage, aberta também à participação da população, desde que leve um instrumento musical feito com peças recicladas.
“Canções de Setúbal” é o espectáculo que se segue, às 18h00, no Auditório da Anunciada, envolvendo a participação de crianças com necessidades especiais da Escola Rumo ao Sucesso e de alunos da Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi.
O reportório é composto por música tradicional e clássica, incluindo canções criadas pelos jovens, que se inspiraram em Setúbal e nas obras de Sebastião da Gama.
O primeiro concerto com artistas de renome realiza-se no serão do dia 27, a partir das 21h00, no Convento de Jesus, com Pedro Caldeira Cabral e o grupo de música antiga que dirige, La Batalla.
“A música na corte d’el-rei D. Dinis, o rei Trovador (1261-1325)” é o tema do espectáculo, que assinala os 750 anos do nascimento deste monarca português e recorda obras da época da sua corte.
O dia 28 tem início com o concerto “Canções do Mundo”, às 10h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Vários grupos do Conservatório Regional de Setúbal interpretam temas tradicionais e contemporâneos, incluindo obras de Heitor Villa-Lobos.
Para o coreto da Avenida Luísa Todi estão reservados vários concertos de curta duração, num ciclo intitulado “A guitarra portuguesa e a lusofonia”.
A tarde é protagonizada por seis bandas de cariz lusófono, com Ritta Tristany a proporcionar um espectáculo de âmbito infantil e familiar a partir das 12h00. Seguem-se Bouquet of Music, às 12h30, Mick Trovoada, às 15h00, Discantus, às 15h30, Lindu Mona, às 16h00, e Dama Bete, às 16h30.
Canções tradicionais recolhidas por Maria Adelaide Rosado Pinto e temas originais compostos pelos alunos são apresentados, às 18h00, no Auditório José Afonso, pelos coros de cinco escolas de ensino básico do Concelho, pelo Coral Infantil de Setúbal, pela Tuna de Aranguez e pela Tuna Académica da Luisinha.
O Coro Gulbenkian actua a partir das 21h00, na Igreja de S. Julião, num serão em que apresenta um reportório de música sacra brasileira dos séculos XVIII e XIX, marcada pelas missões jesuítas portuguesas, e vilancicos do século XVII do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde se notam as influências africanas oriundas do período dos Descobrimentos.
O último dia do programa, 29, está totalmente reservado para Azeitão, com a banda filarmónica da Sociedade Perpétua Azeitonense a actuar, às 12h00, no Rossio de Vila Nogueira, e o Coral Alentejano “Amigos do Independente”, às 17h00, na Quinta da Bacalhoa.
“(Re)Descobertas” é a proposta de Pedro Carneiro, percussionista azeitonense de renome mundial, num espectáculo a realizar às 19h30, na Quinta das Torres, no qual é acompanhado à voz pela soprano Patricia Rozario e à flauta por Natália Monteiro.
Este é um dos pontos altos do festival, que em apenas três dias abrange 750 anos da história musical portuguesa. Pedro Carneiro apresenta uma série de arranjos do cancioneiro popular português e goês, bem como de obras de J. S. Bach, Takemitsu, Gareth Farr e Iannis Xenakis, evidenciando a reciprocidade de influências culturais entre Portugal e o resto do mundo.
Os espectáculos são todos de entrada livre, excepto as actuações de La Batalla e Pedro Carneiro. Os bilhetes custam 10 euros e devem ser adquiridos na Loja Coisas de Setúbal, no Porto de Turismo de Azeitão ou na Casa da Baía – Centro de Promoção Turística, locais onde também devem ser reservadas, gratuitamente, entradas para a actuação do Coro Gulbenkian.













