Manuel da Fonseca reuniu em Santiago do CacémProfessores, pensadores e historiadores em Congresso Internacional
Foram três dias de debates, conferências e visitas a lugares e espaços emblemáticos da obra de Manuel da Fonseca. Debates que decorreram na sexta-feira, na Faculdade de Letras de Lisboa, no sábado, em Vila Franca de Xira e no domingo, em Santiago do Cacém, terra natal do escritor

Por Jornal Rostos
A conferência de abertura esteve a cargo do professor Eduardo Lourenço. Um dos mais importantes e reconhecidos pensadores portugueses contemporâneos. Professor Jubilado da Universidade de Nice, Eduardo Lourenço tem inúmeros títulos publicados dedicados à literatura e cultura portuguesas, além de prémios, condecorações e doutoramentos.
Eduardo Lourenço perante uma plateia de professores, alunos, do director da Faculdade de Letras de Lisboa, do Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, da Vereadora da Cultura Margarida Santos e também de Artur da Fonseca, irmão do escritor, fez uma abordagem histórica do neo-realismo, evocando alguns episódios que marcaram a geração de escritores a que pertenceu Manuel da Fonseca, caso da Guerra Civil Espanhola.
Segundo o professor Eduardo Lourenço, “o neo-realismo foi enquanto corrente literária a aposta num presente carregado de futuro”, acrescentando que “este centenário que agora comemoramos era uma oportunidade para outras gerações encontrarem o autor”, mas adiantou “não é fácil hoje encontrar numa livraria a obra de Manuel da Fonseca”.
Maria Barroso que durante a sua vida conviveu várias vezes com a obra do autor, também marcou presença na sessão inaugural do Congresso Internacional Manuel da Fonseca.
Para Maria Barroso “ os poetas do novo cancioneiro foram muito importantes na minha vida, caso de Manuel da Fonseca, que usei tantas vezes para dizer da minha revolta contra o sistema político que nos dominava”.
Maria Barroso acrescentou que “Manuel da Fonseca teve poemas extraordinários que eu ainda hoje lembro de alguns. Gostava muito do “Mataram a Tuna”, muito bonito”, adiantou a antiga primeira-dama que deixou o apelo para que a actual e as futuras gerações “não deixarem de ler Manuel da Fonseca, porque tenho a certeza que o vão admirar e acima de tudo tenho interesse em que percebam o papel que ele desempenhou na nossa sociedade”.
Os trabalhos prosseguiram no sábado com destaque para o recital de poesia de Manuel da Fonseca, e ontem no Auditório António Chainho com a conferência do professor Manuel Simões sobre “A voz transgressiva na poesia de Manuel da Fonseca” e “As raízes do lugar, a memória e a errância na obra de Manuel da Fonseca”, pelo professor Vítor Viçoso. Os participantes do congresso tiveram ainda oportunidade de efectuar o passeio literário a locais emblemáticos da obra de Manuel da Fonseca.
As comemorações do Centenário do Nascimento de Manuel da Fonseca prosseguem dia 22 de Outubro, em Santiago do Cacém, na Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, com um espectáculo de leitura em voz alta, pela actriz Maria do Céu Guerra, baseado num dos mais belos romances do neo-realismo português, publicado em 1958, da autoria de Manuel da Fonseca, “Seara de Vento”, e às 17h00 com o lançamento do livro “Caixa Baixa”, de Eduardo Palaio, vencedor da VII edição do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca.
Antes, dia 15, é inaugurada às 15h30, no Museu Municipal de Santiago do Cacém, a exposição “ Por todas as estradas do Mundo”.













