Dia Internacional dos Monumentos e Sítios no BarreiroVisita ao Museu Industrial da Baía do Tejo

Por Jornal Rostos
À entrada, os participantes desta iniciativa da CMB puderam observar uma enorme imagem do alvará de 1865 que comprova a data de constituição da CUF.
Instalado numa antiga central diesel, o Museu está dividido em três componentes do universo CUF: produtiva, serviços de apoio às fábricas e serviços sociais, todas elas com espólio representativo. A “viagem” passa por imensos “cenários”, desde um mapa-mundo, que identifica a origem das matérias-primas, até às imagens mais recentes da fábrica.
No final da vista foi visionado, no Auditório, um filme com uma maqueta virtual elucidativa da evolução da CUF no Barreiro – que, na década de 1960, chegou a ter cerca de 11 mil trabalhadores –, desde a sua génese até 1990, ano de constituição da Quimiparque.
O Museu Industrial da Baía do Tejo, um dos núcleos do património histórico-museológico da Baía do Tejo, a par da Casa-Museu Alfredo da Silva, Mausoléu de Alfredo da Silva e Bairro Operário, situado no Parque Empresarial Baía do Tejo, Rua 44, 2830-904 Barreiro, está aberto das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00.
Coordenadas GPS: 38º39’54,65’’ N; 09º03’55,65 W.
Crianças descobrem História da Igreja de Nossa Senhora da Graça de Palhais
Uma turma do 2º D, da Escola Básica do 1º Ciclo de Palhais participou, também na tarde de ontem, na Visita Orientada à Igreja de Nossa Senhora da Graça de Palhais. Esta iniciativa foi, igualmente, promovida pela CMB, através do Serviço Educativo da Divisão de Cultura e Património Histórico e Museológico, para assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
A história da referida Igreja está ligada aos Descobrimentos Portugueses, assumindo particular importância o seu portal manuelino, classificado como Monumento Nacional em 1922.
A Igreja é do século XVI. Nessa altura, Palhais destacava-se social e economicamente. No Concelho do Barreiro existiam, na época, o Complexo Real de Vale de Zebro, onde nos seus fornos era produzida a forma de biscoito (alimento servido nas embarcações), o Estaleiro Naval da Telha, com atividades ligadas à construção naval, na época dos Descobrimentos e tinha, ainda, sido edificado o Mosteiro da Verderena (hoje Convento da Madre de Deus da Verderena) que pertencia à ordem dos Franciscanos Arrábidos.
O técnico superior da área do Património Histórico da CMB, António Camarão orientou a visita e explicou que a Igreja foi sofrendo obras e alterações da sua arquitetura. A fachada foi examinada com atenção. Segundo ele, o Portal Manuelino, apesar de pertencer ao Gótico, tem uma arquitetura tímida. “É ornamentado com alcachofras e arcos sem as tradicionais esferas armilares, como é costume neste Estilo”.
Já no interior da Igreja, António Camarão contou que todas as igrejas são construídas com o altar para Este e acrescentou que as paredes viradas a Sul têm janelas para entrar a luz solar.
Desvendou mais uma curiosidade. A posição do altar significa o nascimento de Jesus Cristo e as portas das igrejas simbolizam a sua morte.
Informou que no século XVI, foi construído o batistério, onde as crianças de batizavam.
Observaram uma das portas laterais interiores, por cima da qual existe uma pedra com o formato de uma concha, um motivo marítimo ligado ao período Manuelino.
Em relação aos azulejos do interior, estes são designados de “enxaquetados” verdes e brancos e explicou que a parede virada a Norte ainda tem os azulejos originais. Porquê? Interrogaram as crianças. O técnico explicou que após o terramoto de 1755, “a igreja ficou em ruína, sem telhado e a parede Norte apanhou muita chuva e os azulejos foram sendo danificados. Como a Igreja estava abandonada, os azulejos da parede Sul (em bom estado) foram todos roubados. Assim, atualmente esses azulejos foram feitos de acordo com os outros nas obras de reforma”.
O Coro Alto foi outro elemento destacado por António Camarão. “Antes do Terramoto, não existia e este só aparece após as obras, com o aparecimento da música nas igrejas”, referiu. Paralelamente, o púlpito começa a ser utilizado também nessa altura, para o Prior fazer o discurso mas perto dos fiéis e na língua local (anteriormente era em Latim).
A terminar a explicação, António Camarão contou que “após a Implementação da República, em 1910, as igrejas foram entregues ao Estado e fechado o culto”. Durante muito tempo ficou abandonada, mas após as obras de restauro, reabriu em 1959.
“Tem de haver mais iniciativas como esta”, defendeu o Professor Abel, no final da visita. Acrescentou, ainda, que irá explorar o tema na sala de aula, no âmbito da disciplina “Estudo do Meio”, na vertente de História. Ainda este ano letivo pretende fazer várias visitas a locais com interesse histórico, localizados na zona envolvente da Escola.
De salientar que, ainda ontem, participaram na visita mais duas turmas do mesmo estabelecimento de ensino.
Recorde-se que a CMB associou-se à iniciativa promovida pelo IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitetónico, com o tema «do Património Mundial ao Património Local: Proteger e gerir a mudança».
CMB













