CONFERÊNCIA «SARAMAGO E AS SUAS CAUSAS» NO BARREIRO«Vale a pena interrogarmo-nos, como fez Saramago. Que sabor tem a palavra Liberdade?»
“Que sabor tem hoje a Palavra Liberdade, e que sabor tem hoje o 25 de Abril?”, perguntou o Presidente da CMB para, em seguida, responder que “É festa, naturalmente, é memória, é passado, mas acima de tudo é presente e é fundamentalmente futuro".

Por Jornal Rostos
A Comissão Coordenadora da “Oficina Saramago”, constituída pelas câmaras municipais do Barreiro e da Moita, Cooperativa Cultural Popular Barreirense e Escola Secundária de Santo André (ESSA), promoveu ontem, 26 de abril, na Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense (SIRB) “Os Penicheiros” mais uma conferência do ciclo. «Saramago e as suas Causas» foi proferida por Modesto Navarro, na presença de Pilar del Rio, Presidenta da Fundação José Saramago.
Amigo de longa data do Nobel da Literatura, o escritor António Modesto Navarro começou por recordar “a cidade do Barreiro, o seu passado de resistência, e o seu presente”. Em relação à brochura «O Sabor da Palavra Liberdade», uma reedição do texto original de 1990 que a Câmara Municipal do Barreiro “tão oportunamente lança hoje” Modesto Navarro evidenciou as ‘palavras de ouro’ de Saramago que lá estão expressas, não deixando de referir que, também nas obras de Armando Sousa Teixeira, estava espelhada a grandiosidade do Barreiro.
Focando a sua intervenção na atualidade que encerram as palavras de Saramago, escritas há 22 anos, referiu que “a não intervenção cívica continua a ser o grande problema da sociedade dos nossos dias”, daí toda a pertinência de reeditar uma publicação cuja atualidade se mantém, até porque “onde estão os direitos humanos que Saramago sempre defendeu?”.
Modesto Navarro recordou, ainda, o ano em que conheceu Saramago (que na altura era diretor literário), em março de 68, acrescentando que, à época, também ele havia escrito três originais de combate à guerra colonial. Sóbrio, frio, incómodo “muito incómodo e nada calado quando entendia que tinha razão” assim descreveu José Saramago, para acrescentar que a vida que ele fazia era dedicada à cultura, à escrita e à intervenção pública.“Este homem, que foi forte e que foi frágil, que resistiu e combateu, que foi autêntico” disse um dia uma frase que, para Modesto Navarro, foi premonitória e bem elucidativa do seu caracter e forma de viver. A propósito de uma crítica que lhe faziam e onde queriam dar a entender que o seu ego era grande, com toda a calma do mundo Saramago disse «quem dá o que tem a mais não é obrigado».
Afirmando que as ambições de Saramago eram: ser feliz e fazer os outros felizes, este escritor lembrou que “é de mais longe, sempre de mais longe que o olhar do homem e da mulher se deve colocar, no sonho e na transformação do real tacanho e empobrecedor. Hoje faltam-nos figuras grandes no contexto difícil em que vivemos”, concluiu.
Vale a pena interrogarmo-nos como fez Saramago:
«Que Sabor Tem a Palavra Liberdade?»
A Carlos Humberto de Carvalho, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), coube apresentar a reedição da brochura «O Sabor da Palavra Liberdade». O Autarca recordou que na origem desta primeira edição esteve uma intervenção que há 22 anos José Saramago veio fazer ao Barreiro sobre a Liberdade, a Democracia e o 25 de Abril. “Reli esta brochura, reli Saramago, e o primeiro sentimento/pensamento que tive foi «extraordinário». Extraordinário pela atualidade que este texto nos transmite, pela grande, intensa, premente atualidade. Pelos ideais. Pela atualidade de um escritor e de um homem que continua connosco e que connosco faz o caminho e as batalhas pela Liberdade, Democracia e Cidadania”.
“Que sabor tem hoje a Palavra Liberdade, e que sabor tem hoje o 25 de Abril?”, perguntou o Presidente da CMB para, em seguida, responder que “É festa, naturalmente, é memória, é passado, mas acima de tudo é presente e é fundamentalmente futuro. Futuro que alguns construíram há 38 anos e que nós temos de continuar a construir todos os dias”. Carlos Humberto de Carvalho afirmou que o seu propósito como homem e como eleito é construir um mundo melhor para todos. “Há quem diga que é uma utopia. Eu digo que é a nossa obrigação!” e terminou com uma frase de Pilar del Rio in brochura reeditada que diz «Eles ainda não se deram conta, mas somos invencíveis.»
Na qualidade de representante da Comissão Coordenadora do Projeto “Oficina Saramago, Arlete Cruz (diretora da Escola Secundária de Santo André) saudou os 320 professores que integram este desafio, bem como os 6 340 alunos das escolas dos concelhos do Barreiro e da Moita para quem pediu uma grande salva de palmas. Apresentou as parcerias instituídas e felicitou a CMB pela reedição da obra, bem como a Fundação José Saramago, na pessoa de Pilar del Rio.
Na sua intervenção, a Presidenta da Fundação afirmou que “nos estamos a deixar manipular, pois ‘isto’ é um ataque, mais do que uma crise”. Revelou que dentro de um mês (em junho) a Casa dos Bicos estará aberta ao público com objetos – máquina de escrever e cadeira (por exemplo) -, com que Saramago escreveu muitas das suas obras. A terminar afirmou que num distante 25 de Abril, Saramago foi censurado e noutro 25 de Abril “estamos todos juntos para celebrar a vida e obra deste escritor.
Afinal somos invencíveis, isso eu vos garanto”.
Seguiu-se a atuação do Coral TAB – Trabalhadores das Autarquias do Barreiro, dirigido pelo Maestro Manuel Gonçalves.
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