Projeto “ Oficina Saramago” Barreiro/MoitaGRACIETE BESSE Questiona “Quem são os mudos da História?”
No âmbito do Projeto ‘Oficina Saramago’, a 5ª conferência internacional deste ciclo de celebração do escritor e do cidadão teve lugar na tarde de sexta-feira, 1 de junho, e reuniu no auditório da Escola Secundária de Santo André (ESSA) largas dezenas de participantes. “Levantado do Chão de José Saramago: os heróis esquecidos da História” foi a temática em análise por Graciete Besse, professora catedrática da Universidade da Sorbonne.

Por Jornal Rostos
A abertura da Conferência esteve a cargo do Grupo Coral Alentejano “Os Amigos do Barreiro” que, através do seu cante, contextualizou a temática da sessão «no Barreiro há muitos alentejanos, também eles levantados do chão».
Antes da apresentação da obra, foi apresentada a conferencista. A professora Maria Fernanda Afonso, amiga de longa data, partilhou com a audiência inúmeros aspetos biográficos de Gracite Besse e apelidou-a de “uma especialista de Saramago”.
Sobre a obra, escrita pelo nobel de Literatura em 1980, Graciete Besse disse tratar-se de um livro que anuncia o percurso extraordinário de Saramago. «Levantado do Chão» “é uma obra que vai lançá-lo na vida literária”. Este livro atravessa vários períodos de Portugal, desde a época da monarquia, no início do século XX, ao seu fim, passando pela república, pela ditadura até ao regresso da liberdade, no final do mesmo século. Este romance fortemente marcado pela tradição oral dos camponeses alentejanos, coloca em evidência “os mudos da história”, aqueles que, segundo Graciete Besse “são realmente os verdadeiros heróis, são aqueles que lutaram mas de quem ninguém fala”. Desta forma, este romance passado em Portugal, ganha dimensão universal e estes camponeses oprimidos são, daqui e do mundo.
Na obra, Saramago elevou em epopeia a vida dos trabalhadores alentejanos, em três gerações de dor e sofrimento, viajando como narrador entre o passado do século XV e o tempo do presente acompanhando Domingos Mau-Tempo, o seu filho João, os seus netos António e Gracinda, esta última casada com António Espada.
Graciete Besse revelou, também, que uma das preocupações de saramago era “reproduzir a linguagem oral das personagens. Nesse sentido e para «dar voz a uma certa forma de falar» o autor defendia que era o leitor quem devia «ler em voz alta» para que pudesse encontrar o tom certo/ o tom justo, como chegou a dizer aos que criticavam a sua escrita.
De acordo com esta professora catedrática, em Saramago, o livro não se impõe, o leitor tem liberdade para o interiorizar de acordo com a forma como o interpreta. Faz parte do estilo deste autor que afirmava que “até do chão se pode levantar um livro”. Graciete Besse apresentou «Levantado do Chão» na continuidade do movimento Neorrealista (anos 40) e de uma certa literatura de combate e de tomada de posição contra a injustiça. “Não podemos esquecer que o livro é dedicado a duas vítimas do salazarismo”, reforçou.
E tal como a comissão coordenadora desta Projeto, constituída pela Câmara Municipal do Barreiro, Câmara Municipal da Moita, Cooperativa Cultural Popular Barreirense e Escola Secundária de Santo André, fizeram questão de recordar através da projeção de slide: «Cegueira também é isto. Viver num mundo onde se tenha acabado a esperança».
“NOUTROS LUGARES” | de 1 a 30 de junho
No âmbito do Projeto “ Oficina Saramago” Barreiro/Moita, os parceiros Artesfera – Associação de Artistas Plásticos do Barreiro; Arteviva – Companhia de Teatro do Barreiro; Camerata Musical do Barreiro; Cooperativa Cultural Popular Barreirense; Cineclube; CoralTAB; CoroUTIB; Forum Barreiro; Fundação José Saramago; Griot - Associação Cultural; Junta de Freguesia do Barreiro; Projéctor – Companhia de Teatro do Barreiro e Livraria Bertrand, dinamizam “Noutros Lugares”.
O Projeto Noutros Lugares, apresentado pela Artesfera – Associação de Artistas Plásticos do Barreiro, inspira-se num texto que José Saramago escreveu nos Cadernos de Lanzarote, em 1998, no qual realiza uma alegoria sobre toda a arte e a relação que o artista estabelece com a obra no ato de criação.
“Sobre o cavalete, o pintor colocou uma tela branca. Olha-a como a um espelho. A tela é o único espelho que não pode refletir a imagem do que está diante de si, daquilo que com ele se confronta. A tela só mostrará a imagem do que apenas noutro lugar é encontrável.” José Saramago, Cadernos de Lanzarote,p.508, São Paulo, Companhia das letras, 1998.
Refira-se que esta iniciativa decorre de 1 a 30 de junho consiste em expor/ instalar arte em ambientes públicos (abertos ou fechados) e realizar intervenções/ ações artísticas efémeras em diversos espaços urbanos na cidade do Barreiro. Segue Programa em anexo.
CMB
Antes da apresentação da obra, foi apresentada a conferencista. A professora Maria Fernanda Afonso, amiga de longa data, partilhou com a audiência inúmeros aspetos biográficos de Gracite Besse e apelidou-a de “uma especialista de Saramago”.
Sobre a obra, escrita pelo nobel de Literatura em 1980, Graciete Besse disse tratar-se de um livro que anuncia o percurso extraordinário de Saramago. «Levantado do Chão» “é uma obra que vai lançá-lo na vida literária”. Este livro atravessa vários períodos de Portugal, desde a época da monarquia, no início do século XX, ao seu fim, passando pela república, pela ditadura até ao regresso da liberdade, no final do mesmo século. Este romance fortemente marcado pela tradição oral dos camponeses alentejanos, coloca em evidência “os mudos da história”, aqueles que, segundo Graciete Besse “são realmente os verdadeiros heróis, são aqueles que lutaram mas de quem ninguém fala”. Desta forma, este romance passado em Portugal, ganha dimensão universal e estes camponeses oprimidos são, daqui e do mundo.
Na obra, Saramago elevou em epopeia a vida dos trabalhadores alentejanos, em três gerações de dor e sofrimento, viajando como narrador entre o passado do século XV e o tempo do presente acompanhando Domingos Mau-Tempo, o seu filho João, os seus netos António e Gracinda, esta última casada com António Espada.
Graciete Besse revelou, também, que uma das preocupações de saramago era “reproduzir a linguagem oral das personagens. Nesse sentido e para «dar voz a uma certa forma de falar» o autor defendia que era o leitor quem devia «ler em voz alta» para que pudesse encontrar o tom certo/ o tom justo, como chegou a dizer aos que criticavam a sua escrita.
De acordo com esta professora catedrática, em Saramago, o livro não se impõe, o leitor tem liberdade para o interiorizar de acordo com a forma como o interpreta. Faz parte do estilo deste autor que afirmava que “até do chão se pode levantar um livro”. Graciete Besse apresentou «Levantado do Chão» na continuidade do movimento Neorrealista (anos 40) e de uma certa literatura de combate e de tomada de posição contra a injustiça. “Não podemos esquecer que o livro é dedicado a duas vítimas do salazarismo”, reforçou.
E tal como a comissão coordenadora desta Projeto, constituída pela Câmara Municipal do Barreiro, Câmara Municipal da Moita, Cooperativa Cultural Popular Barreirense e Escola Secundária de Santo André, fizeram questão de recordar através da projeção de slide: «Cegueira também é isto. Viver num mundo onde se tenha acabado a esperança».
“NOUTROS LUGARES” | de 1 a 30 de junho
No âmbito do Projeto “ Oficina Saramago” Barreiro/Moita, os parceiros Artesfera – Associação de Artistas Plásticos do Barreiro; Arteviva – Companhia de Teatro do Barreiro; Camerata Musical do Barreiro; Cooperativa Cultural Popular Barreirense; Cineclube; CoralTAB; CoroUTIB; Forum Barreiro; Fundação José Saramago; Griot - Associação Cultural; Junta de Freguesia do Barreiro; Projéctor – Companhia de Teatro do Barreiro e Livraria Bertrand, dinamizam “Noutros Lugares”.
O Projeto Noutros Lugares, apresentado pela Artesfera – Associação de Artistas Plásticos do Barreiro, inspira-se num texto que José Saramago escreveu nos Cadernos de Lanzarote, em 1998, no qual realiza uma alegoria sobre toda a arte e a relação que o artista estabelece com a obra no ato de criação.
“Sobre o cavalete, o pintor colocou uma tela branca. Olha-a como a um espelho. A tela é o único espelho que não pode refletir a imagem do que está diante de si, daquilo que com ele se confronta. A tela só mostrará a imagem do que apenas noutro lugar é encontrável.” José Saramago, Cadernos de Lanzarote,p.508, São Paulo, Companhia das letras, 1998.
Refira-se que esta iniciativa decorre de 1 a 30 de junho consiste em expor/ instalar arte em ambientes públicos (abertos ou fechados) e realizar intervenções/ ações artísticas efémeras em diversos espaços urbanos na cidade do Barreiro. Segue Programa em anexo.
CMB














