Com Verdi e PucciniCarlos Moedas entrega prémio internacional em Grândola

Por Jornal Rostos
Os laureados na segunda edição do prémio foram a museóloga e investigadora portuguesa Maria Helena Mendes Pinto, na categoria de “Investigação do Património Cultural”, a soprano grega Dimitra Theodossiou, na categoria “Promoção da Música” e o biólogo espanhol Miguel Ángel Simónm, na categoria “Conservação da Biodiversidade”.
A cerimónia reúne os principais intervenientes no Festival, cujo Conselho de Curadores é presidido por Sevinate Pinto, ex-ministro da Agricultura e assessor do Presidente da República. O director artístico, Paolo Pinamonti, fará igualmente uma primeira avaliação da temporada em 2012. Um ano que se caracterizou pelo crescimento do projecto, em termos de programação, e pela adesão do público, incluindo numerosos participantes estrangeiros.
A organização do Festival Terras Sem Sombra – Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja – instituiu em 2011, com periodicidade anual, o Prémio Internacional “Terras Sem Sombra”, destinado a homenagear pessoas ou instituições que se tenham salientado, a nível internacional, nas áreas que compõem o triângulo de acção do TSS. O galardão consta de um diploma e de uma obra de arte encomendada a um artista português – este ano, a designer Beatriz Horta Correia. Segundo o director-geral do Terras sem Sombra, José António Falcão, “estes prémios distinguem a carreira de três grandes figuras da cultura e da ciência europeias, cuja acção assumiu influência muito significativa nas áreas que o Festival tem vindo a promover ao longo dos seus quase dez anos de existência”.
Senhora de uma voz límpida e serena, famosa pela delicadeza da coloratura, Dimitra Theodossiou encerra a gala com a interpretação, acompanhada ao piano por Nuno Lopes, de trechos de óperas célebres: “Pace, pace, mio Dio”, ária de Leonora, em La forza del Destino, e “La luce langue”, ária de Lady Macbeth, em Macbeth (Verdi); “Mi chiamano Mimì”, ária de Mimì, em La Boheme, e “Vissi d’arte”, ária de Tosca, em Tosca (Puccini).
Os laureados
Maria Helena Mendes Pinto, conservadora jubilada do Museu Nacional de Arte Antiga, sobressai no panorama da história da arte pelos seus estudos pioneiros no âmbito do mobiliário português e da arte luso-oriental, com destaque para o indo-português e o nipo-português. Profunda conhecedora das artes decorativas portuguesas e da história da presença dos Portugueses no Oriente, organizou a secção de Mobiliário do M.N.A.A., foi comissária em importantes exposições, dentro e fora do país, e promoveu a criação de museus em Portugal e na Índia (nomeadamente em Goa e em Cochim). Museóloga experiente, associar ao trabalho de investigação uma notável capacidade de intervenção no campo da organização e preservação dos acervos, contribuindo para formar várias gerações de conservadores de museus. É consultora do Serviço Internacional da Fundação Calouste Gulbenkian
Dimitra Theodossiou é uma das virtuosas internacionais de ópera, destacando-se como intérprete das obras de Verdi e de outros mestres cimeiros do belcanto. A sua carreira como soprano levou-a a pisar os maiores palcos do mundo, cativando pela excelência técnica e pelo virtuosismo expressivo. Apontada pela crítica como “digníssima sucessora de Maria Callas”, granjearam-lhe enorme fama as interpretações de Norma, Lucrécia Bórgia e outros papéis de referência no universo operático. Visita assídua de Portugal, após uma Traviata no Teatro Nacional de São Carlos, em 2002, debutou, com retumbante êxito, nos papéis de Lina do Stiffelio, de Verdi (2004), sob a batuta de Donato Renzetti, e de Medeia na ópera homónima de Cherubini (2005). Cantou igualmente, sempre em São Carlos, a Desdémona do Otello, de Verdi (2005), e a Messa da Requiem, do mesmo compositor (2007).
Miguel Ángel Simón, biólogo da Junta de Andaluzia, dedicou grande parte da carreira à gestão das áreas protegidas, reservas de caça e projectos de conservação da natureza. Tem levado a cabo um trabalho fundamental na salvaguarda de espécies em risco de extinção – com destaque para o lince-ibérico, o felino mais ameaçado do mundo, coordenando o projecto que visa recuperar a sua distribuição histórica em Espanha e Portugal. O diálogo com actores locais (proprietários, caçadores, associações) tem sido uma chave para o sucesso da iniciativa, que recorre a métodos inovadores, desde a cria em cativeiro ao estudo das interacções entre espécies e paisagem. Dirigiu programas de conservação do quebra-ossos, do abutre-do Egipto e do lobo na Andaluzia. Desenvolveu igualmente planos de luta contra o envenenamento das espécies e a conservação de zonas áridas.













