Ruben de Carvalho no BarreiroCante Alentejano deve ser preservado e divulgado mundialmente

Por Jornal Rostos
Esta sessão insere-se na programação de “A Cidade e Música - Mês da Música”, promovida pela Câmara Municipal do Barreiro, e surge após o apoio à referida candidatura manifestado pelo Município, na reunião pública de 18 de Janeiro do corrente ano.
Existem no concelho do Barreiro vários grupos corais de Cante Alentejano. Segundo a deliberação, o Município está consciente da importância que esta candidatura reveste para a auto estima e o reforço da identidade do povo alentejano e para a salvaguarda e difusão de um importante elemento cultural representativo da maneira de estar dos alentejanos.
Ruben de Carvalho iniciou a sua intervenção explicando que a UNESCO - Organização das Nações Unidas - tem como um dos objetivos dar importância à cultura e ao que ela exerce na felicidade dos povos.
Recordou o tempo do nazismo, quando eram perseguidos artistas e o fim da II Guerra Mundial quando se verificou uma enorme diferença, por exemplo, ao nível da educação dos países em desenvolvimento em relação aos subdesenvolvidos. “Por exemplo, a taxa de analfabetismo na Europa era de 7%, enquanto que em África e Ásia era de 90 %”. Explicou que, deste modo, a UNESCO surgiu para que os países em desenvolvimento ajudassem os outros menos favorecidos, possibilitando-lhes a criação de escolas, museus e a salvaguarda do património artístico.
Explicou, ainda, que através de um levantamento realizado pela UNESCO de todas as peças artísticas, passou a existir a possibilidade de declarar uma peça artística Património da Humanidade, no sentido de a conservar no local de origem. Mais tarde, chega-se à conclusão que existe património imaterial que é preciso preservar e defender. “O Cante Alentejano é disso exemplo. Existe a possibilidade de o poder preservar e de ser transmitido de geração em geração, tornando-o conhecido mundialmente”.
O Cante Alentejano corre maior risco
Em relação ao Fado, o Cante Alentejano “corre maior risco de ser esquecido, não está a passar para as gerações mais novas, vê-se pela média de idade das pessoas que cantam”.
Os locais de origem do Fado e do Cante Alentejano são fatores diferenciais entre estes dois géneros. O conferencista argumentou que “enquanto o Fado restringe-se mais à capital do País, o Cante Alentejano está espalhado pelo Alentejo, que ocupa quase metade do território nacional sendo, por isso, muito rico e com as mais diversas interpretações, consoante as diferentes zonas do Alentejo”.
Para Ruben de Carvalho, o trabalho de preservação do cante alentejano deve envolver “uma gravação exaustiva de tudo e um estudo das características pelas quais se distinguem. Um trabalho que venha a estimular a criação de escolas”.
Apesar das exigências da UNESCO serem cada vez maiores, “tenho esperança de conseguir ver o Cante Alentejano ser considerado Património Imaterial da Humanidade”, concluiu.
Refira-se que para validar uma candidatura a Património imaterial da Humanidade, a UNESCO impõe como condições: que se trate duma expressão cultural tradicional localmente reconhecida como valiosa; que seja considerada pelas sociedades locais como um elemento importante da construção das suas identidades; que esteja em risco de se extinguir e que os portadores da tradição e os que a praticam se dediquem à sua salvaguarda.
De salientar que Ruben Luís Tristão de Carvalho e Silva, jornalista, foi chefe de redação da «Vida Mundial», redator coordenador de «O Século» e chefe de redação do semanário «Avante!», a partir do nº 1 da série legal até Junho de 1995.
Foi membro do Conselho de Opinião da RTP, em 2002, e é atualmente comentador da SIC Notícias.
Foi membro das «comissões juvenis de apoio» à candidatura do General Humberto Delgado.
Foi membro da Comissão Executiva das Festas de Lisboa e da Comissão Municipal de Preparação de LISBOA 94 – Capital Europeia da Cultura.
É membro do Executivo da Comissão Organizadora da Festa do «Avante!» desde 1976.
Vereador da Câmara Municipal de Lisboa desde as autárquicas de 2005.
Conferencista sobre música há vários anos com especial enfoque no Fado, Música Popular Portuguesa e Jazz.
Atualmente tem um programa na Antena 2 chamado “Crónicas da idade mídia”.
CMB













