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Presidente da República entregou os Prémios Literáriosda Estoril Sol no Auditório do Casino Estoril

Em cerimónia solene, o Auditório do Casino Estoril acolheu a entrega dos Prémios Literários Fernando Namora e Revelação Agustina Bessa-Luís, referentes a 2011, respectivamente, a Gonçalo M. Tavares e a Tiago Patrício pelos seus romances "Uma Viagem à Índia" e “Trás-os-Montes”.

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Presidente da República entregou os Prémios Literários da Estoril Sol no Auditório do Casino Estoril

Por Jornal Rostos

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, presidiu a este importante evento, que contou com a presença de Mónica Baldaque, filha de Agustina Bessa-Luís, em sua representação.

“É com o maior gosto que participo nesta cerimónia de homenagem aos vencedores dos Prémios Literários Fernando Namora e Agustina Bessa-Luís, disse o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. “Num país como o nosso, em que as realizações no domínio cultural tendem, por tradição, a ser deixadas à responsabilidade exclusiva do poder central, das Regiões Autónomas ou das autarquias, constitui um motivo de satisfação verificar que há pessoas e entidades privadas que remam contra a maré e que levam a cabo, por sua conta e risco, iniciativas com interesse e benefício para a comunidade”.

“Gostaria por isso de felicitar a Sociedade Estoril-Sol por esta sua atitude empenhada na promoção da cultura, através dos prémios literários que decidiu criar, há mais de duas décadas, e com os quais têm sido contempladas algumas das obras mais significativas da nossa literatura contemporânea”.

O Presidente da República saudou, ainda, os vencedores dos Prémios Literários da Estoril Sol. “Gonçalo M. Tavares é realmente senhor de um talento invulgar, não apenas para criar as histórias e a galeria de personagens que habitam nos seus livros, mas também para encontrar as palavras que exprimem com exactidão a complexidade do mundo real. Estou certo de que os muitos livros que Gonçalo M. Tavares ainda virá a publicar continuarão, como até aqui, a ser coroados de êxito. Faço igualmente votos para que o vencedor do Prémio Revelação, Tiago Patrício, depois desta tão bem sucedida iniciação na literatura, prossiga a sua carreira literária e venha a realizar outras obras dignas de reconhecimento”.

Já Vasco Graça Moura, depois de se referir detalhadamente aos romances vencedores, fundamentando e enquadrando as escolhas do Júri, observou “É para nós, membros do Júri dos Prémios Agustina Bessa-Luís e Fernando Namora, um verdadeiro privilégio o de podermos prosseguir com a tarefa de distinguir, em cada ano que passa, tanto um primeiro romance inédito com o galardão que leva o nome da autora de “A Sibila”, como uma obra de ficção julgada merecedora do prémio cujo patrono é o autor de “Domingo à tarde”.

“Homenagear esses dois vultos cimeiros da literatura portuguesa do século XX foi também uma preocupação dos jurados na atribuição dos prémios, uma vez que eles não poderiam deixar de se sentir vinculados a uma responsabilidade acrescida nas suas deliberações por força do gabarito das figuras evocadas. E assinalamos ainda que, no caso do prémio Agustina Bessa-Luís, tivemos presente no espírito o sentido festivo do facto de esta escritora ter completado 90 anos a 15 de Outubro passado…”, recordou.
Após o momento solene da entrega dos Prémios aos dois vencedores pelo Presidente da República, foi Tiago Patrício quem, primeiro, usou da palavra: “Sinto um grande privilégio por estar aqui neste lugar, a celebrar dois prémios literários. Fernando Namora e Agustina Bessa-Luís, dois nomes incontornáveis da literatura portuguesa e duas grandes referências da minha escrita, desde o vento da montanha, ou descendo o rio, pelo comboio da linha do Douro, estes autores acompanham-me a tempos diferentes, como música de fundo, em citações ou mesmo na mala de viagem”.

Por seu lado, Gonçalo M. Tavares manifestou: “É uma honra receber o Prémio Literário Fernando Namora que contemplou, ao longo dos anos, inúmeros escritores que admiro. Quero, ainda, dar os parabéns a Tiago Patrício pela qualidade do seu livro premiado e que será, decerto, o início de um admirável percurso”.

Na abertura da cerimónia, o Presidente da Estoril Sol, Mário Assis Ferreira, referiu: “Apesar das circunstâncias adversas, persegue a Estoril-Sol um duplo objectivo: o de valorizar e distinguir a melhor produção literária portuguesa e o de colocar a Cultura num patamar de excelência, inspiradora como forma de estar da Sociedade Civil. A questão que se nos coloca é até quando será exequível persistir num formato de oferta cultural alargada, se as restrições orçamentais são cada vez mais severas, obrigando-nos a uma redução significativa de recursos humanos, incluindo quadros da Empresa, num esforço aparentemente inglório, porque a realidade tem vindo a superar mesmo as previsões mais pessimistas”.

“Ora é essa a vocação imanente da Estoril-Sol, reflectida e cultivada nas múltiplas áreas de natureza artística e cultural em que se desdobra a sua intervenção, que jamais, em minha opinião, pode ser posta em causa”, sublinhou.

Os Prémios Literários Fernando Namora e Revelação Agustina Bessa-Luís têm ambos o valor de 25 mil euros. Recorde-se que o Júri dos Prémios Literários instituídos pela Estoril Sol, presidido por Vasco Graça Moura, foi integrado por Guilherme D`Oliveira Martins, em representação do CNC – Centro Nacional de Cultura; José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores; Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas; Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários e por Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, convidados a título individual; e, ainda, por Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, em representação da Estoril Sol.

Fonte - CE

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