Barreiro - A peça «É SÓ ISSO» com textos do Prémio Nobel Harold PinterProjéctor Grupo de Teatro abre a porta a um novo encenador
Ricardo Gião que, com esta peça dá o seu primeiro passo neste mundo de “invenção” e “reinvenção” da vida podemos dizer “entrou com o pé direito” e de facto está de parabéns.

Por Jornal Rostos
A peça «É SÓ ISSO» com textos do Prémio Nobel Harold Pinter e encenação de Ricardo Gião, é o novo trabalho do Projéctor Grupo de Teatro, que estreou no dia 27 de Junho, no Auditório de Freguesia da Verderena.
O espectáculo volta ao palco nos dias 11 de Julho, pelas 21h30, hoje dia 5 de Julho e no próximo dia 12 de Julho, pelas 16 horas.
O novo trabalho do Projéctor Grupo de Teatro em primeiro lugar contribui para revelar um novo encenador na vida teatral do concelho do Barreiro.
Ricardo Gião que, com esta peça dá o seu primeiro passo neste mundo de “invenção” e “reinvenção” da vida podemos dizer “entrou com o pé direito” e de facto está de parabéns.
Quando vemos uma peça de teatro, muitas vezes, começamos por interrogar-nos se a “trama” que se desenvolve no palco nos prende, cativa, entusiasma e contribui para nos dar uma visão da vida e do tempo que vivemos.
Nesta peça a resposta é sim.
Depois, procuramos descobrir o sentido estético, a linha condutora da encenação, a forma como os actores assumem as personagens e os equilíbrios entre a musicalidade, a iluminação, o desenvolvimento da criatividade.
Sabemos as dificuldades, naturais, que existem nos grupos de teatro amadores e temos sempre em consideração as condições de trabalho, as condições técnicas e o espaço.
Percebemos os condicionalismos, mas, o importante é olhar e ver o que nos é apresentado como resultado de dias de ensaio e de criação dramática.
Sentir se os actores estão a debitar o papel ou se vivem as personagens, se existe qualidade de interpretação, ou se no jogo dramático e nos cenários existe uma dimensão estética.
Esta peça tem um cenário simples e sem grandes exigências. Gostámos daquele «bloco» de páginas brancas colocado no canto do palco cujas páginas vão sendo abertas, uma a uma, em branco, como deixando ao espectador o papel de as preencher com os conteúdos que emergem dos sucessivos episódios.
Assim como quem nos diz que a vida, é sempre construída a partir de folhas em branco que nos cabe a cada um de nós dar conteúdo, em cada dia que vivemos.
Afinal, é simples – é só isso.
No primeiro quadro, aquele diálogo sem diálogo do “pois”, numa tentativa de traduzir, em sátira comportamentos do quotidiano, ele é, de facto, um pouco circunstancial e forçado.
Os dois actores fazem um esforço para assumir o papel feminino, lá conseguem interpretar e ritualizar a situação, com algum absurdo, aliás, próprio da circunstância. Talvez seja isso que se pretende.
Não via mal nenhum que este quadro fosse representado por dois homens – dando a volta ao texto do autor – evitando aquela caricata e um pouco mal conseguida situação de travestis.
Depois, os quadros seguintes, sobem de qualidade, com boas interpretações, domínio dos personagens e a proporcionam momentos hilariantes.
Quero sublinhar que gostei muito, mesmo muito, das interpretações de Joaquim Paulino e Maria Conceição. Estão os dois excelentes nos seus diferentes papeis. São ambos humanamente humanos.
Joaquim Paulino coloca força e grandiosidade nas suas interpretações.
Maria Conceição que não recordo de alguma vez ter visto em palco, foi uma agradável surpresa, no domínio de voz e flexibilidade de acção.
Ambos dão garra ao espectáculo.
A peça decorre com ritmo. Está bem encenada. E os actores no global cruzam-se com ritmo e as personagens ao longo da peça evoluem de forma muito positiva.
Um trabalho que vale a pena ver e aplaudir.
António Sousa Pereira
É SÓ ISSO
31ª Produção do Projéctor Grupo de Teatro
SINOPSE
Uma peça de Harold Pinter em 5 Sketches cómico-trágicos.
Em "É Só Isso" o célebre dramaturgo Harold Pinter apresenta-nos a vida quotidiana em 5 Sketches que têm tanto de engraçado como de trágico.
Do início ao fim do espectáculo desfilam figuras comuns, gente e situações de todos os dias: duas velhas discutindo as suas capacidades de sedução enquanto sorvem um miserável prato de sopa, uma entrevista de emprego capaz de deixar qualquer um com os cabelos em pé, um casal incapaz de dizer a palavra: amo-te, políticos numa conferência de imprensa que têm mais de capricho infantil do que sentido de Estado.
Harold Pinter é um escritor com um sentido de humor único e sofisticado. A simplicidade dos seus sketches contrasta com a violência daquilo que não nos é mostrado, mas que sabemos instintivamente estar presente em palco como uma ameaça permanente. A desconfiança, a decepção, a injustiça, são estados omnipresentes, mesmo nas melhores piadas.
Lembremo-nos que nesta peça também nós somos as personagens. Cuidado, portanto, com aquilo de que nos rirmos.
Ficha Técnica
Auditório de Freguesia na Verderena
Textos de Harold Pinter
Encenação de Ricardo Gião
Interpretação
- André Antunes
- Joaquim Paulino
- Maria Conceição Lopes da Silva
- Tiago Henrique Soares













