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Moldura

Moita / Palmela - Quando as perguntas abrem as portas à criatividadeA vida nasce no Teatro e o Teatro faz-se vida

E de repente todos somos actores. Todos somos convidados a interagir. Trocas de lugares os actores ocupam o lugar do público e o público torna-se actor. Movimentos. Troca de olhares.Abraços. Gestos.

O espectáculo não é uma história. São estórias. De crianças que aprenderam por si mesmas a crescer, a descobrir – a amar a vida.

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Moita / Palmela - Quando as perguntas abrem as portas à criatividade A vida nasce no Teatro e o Teatro faz-se vida

Por Jornal Rostos

Tudo começa num olhar, numa troca de olhares. Movimentos. Trocas de lugares. Cada um é único. Mas cada um partilha o espaço, a vida – os silêncios.
Somos nós na cidade. Comunicamos com o olhar, na diferença e indiferença. Nos sorrisos.
Sentimos a solidão no centro da multidão. Um mundo sem sons. Que começa a ter vida num primeiro sorriso.

Os diálogos de descoberta. Na descoberta das cores. O mundo que nos influencia, ns cores da publicidade. Um mundo que nos transmite valores. A moda. As modas. As calças rotas. As bocas. Os ditos. A inveja, Os patamares de qualidade.
E, no silêncio de palavras são os gestos e as trocas de olhares que no decorrer do espectaculo, cada espectador, sente que também é protagonista, principalmente, quando as perguntas começam a nascer nos discursos de vida e estórias contadas.

Que te domina? Já alguma vez te sentiste dominado?
Qual foi a primeira vez que te dominaram?
O domínio do olhar. A luz, que coloca o actor no centro dos centros das estórias. As experiências que fazem cada uma das nossas vidas.
Qual foi a primeira vez que tiveste que fazer escolhas?
Decidir. Escolher o próprio caminho. Entre o emprego e o querer estudar, mas, não ter dinheiro para pagar as proprinas.

Qual foi aquela altura em que foste apanhado? A roubar um chocolate? A tentar passar no autocarro ou no barco com o passe de outra pessoa?
Qual foi a primeira vez que te sentiste culpado?
Qual foi a primeira vez que sentiste que foram injustos contigo?
Os actores mergulham na caverna da memória em busca de memórias, que procuram ser uma resposta às perguntas. Uma catarse de sentimentos.

E de repente todos somos actores. Todos somos convidados a interagir. Trocas de lugares os actores ocupam o lugar do público e o público torna-se actor. Movimentos. Troca de olhares.Abraços. Gestos.

Um espectáculo que gera sucessivas esculturas. Momentos únicos irrepetíveis para registar em fotografia, ou pintura. Uma dimensão plástica de uma intensa expressão estética.
Olhamos e vimos ali – estátuas da Liberdade.

O espectáculo não é uma história. São estórias. De crianças que aprenderam por si mesmas a crescer, a descobrir – a amar a vida.
Jessica, Adriano, Joãozinho e Vânia são actores centrais, que, sente-se vivem com intensidade aquele “jogo” de expressão dramática. Improvisos. Entrega O teatro é arte no espaço e no tempo. Eles mergulham por dentro do tempo e dão expressão, em tempo real, às memórias.

Pelo que foi dito, este projecto começou em Outubro, a partir de uma oficina de teatro dinamizada no Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira.
O espetáculo, “E Agora Nós!”, nasceu nessa oficina, dirigida e de autoria de Rui Catalão.
Estórias partilhadas, de «construção ficcional» que pretendem gerar um “composição” teatral – ligando a vida à arte.
“Este trabalho é para que as pessoas tenham acesso a temas de fragilidade”, referia Rui Catalão, no final do espectáculo, num interessante diálogo com o publico, onde, nos acasos surgiu mais uma pergunta – Já alguma mataste alguém?
O objectivo não é obter, no jogo dramático, uma resposta à pergunta de “sim” ou “não”. O objectivo é levar o jogo ao limite, e nas procura de uma resposta, mergulhar por dentro dos neurónios e “iniciar um jogo na personagem”.
É esse o sentido intimista do espectáculo, em que cada actor, pode, de um momento para o outro, se assim entender, improvisar, ou alguém do público, erguer-se colocar com a sua estória, uma pergunta – que fica sempre sem resposta.
O desafio, afinal, é que cada um encontro, dentro de si próprio, nas suas experiências de vida, a mesma pergunta e os mesmos desafios.
Escolher? Decidir? Culpado? Apanhado?
Parabéns. Gostei imenso de partilhar convosco uma noite de perguntas e de grande qualidade estética.

António Sousa Pereira

Ficha técnica:

Autoria: Rui Catalão
Interpretação: Adriano Diouf, Jéssica Ribeiro, Vânia Lopes
Produção: [PI] Produções Independentes | Tânia M. Guerreiro |
Coprodução: Teatro Maria Matos, Artemrede/Projeto Odisseia e Câmara Municipal da Moita / Centro de Experimentação Artística
Apoios: Partis/Fundação Calouste Gulbenkian
Parceiro: RUMO
Produções Independentes é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal - Secretário de Estado da Cultura / Direção Geral das Artes

O espectáculo esta noite, dia 7 de Maio, pelas 21h30, vai a cena no Centro Cultural do Poceirão, em Palmela.
No dia 15 de Outubro, pelas 21h30, no Cine Teatro Municipal João Mota, em Sesimbra.

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