Bienal de Desenho de AlmadaMónica Garcia de Setúbal galardoada com Prémio Pedro de Sousa 2016
Para a artista setubalense, de 27 anos, o galardão, no valor de mil euros, é “uma mais valia”.

Por Jornal Rostos
“Principalmente para uma jovem artista em início de carreira como eu que nunca procurou ganhar terreno no campo da arte através da cunha, que é muito costume no ramo artístico, mas sim de um trabalho muito intenso”, destaca.
Entre os jurados encontravam-se várias personalidades de destaque no mundo artístico, nomeadamente: Ana Isabel Ribeiro, directora da Casa da Cerca — Centro de Arte Contemporânea, e representante da Câmara Municipal de Almada, Alexandre Grave, membro da direcção da Sociedade Nacional de Belas Artes, e ainda Francisco Bronze, artista plástico e representante da Imargem.
“O júri que avaliou as obras a concurso também me deixa bastante satisfeita e confiante, seria diferente se fossem pessoas que percebem pouco da área, ganha assim mais profundidade”, congratula-se Mónica Garcia.
Este prémio foi aberto à participação de todos os artistas nacionais e estrangeiros residentes em Portugal com mais de 18 anos. O júri constatou a participação de 233 desenhos de 133 artistas de todo o país. Após análise das obras a concurso selecionou 20 obras para a exposição da Bienal de Desenho de Almada. Entre estas escolheu como vencedora a obra “Abrigo”, realizada por Mónica Garcia em 2013, quando ainda era estudante da licenciatura em Artes Plásticas na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, curso que, entretanto, já concluiu.
“Por um lado, o nome que lhe atribuí dá-lhe uma referência que a liga com o mundo,no entanto o desenho não deixa de ser auto-referente. Há muitos tipos de abrigos, não é? Como a gruta, a pele, assim como o próprio desenho em si, a superfície da folha... e quando ouvimos a palavra abrigo temos muita tendência a situarmo-nos fora ou dentro dele e não como sendo nós mesmos um possível abrigo”, explica a artista.
A artista usou como material o carvão e a borracha. “Esta última serviu como material positivo, isto é, para adicionar espaço retirando matéria, não para apagar erros até porque me interessa a marca deixada do gesto da inscrição na folha. Há um vocabulário muito físico que precisa de ser mesmo tocado com os olhos. No entanto a principal técnica é sem dúvida algo que não é muito falado e que tem a ver com a preparação do espírito para que o trabalho aconteça”, desvenda.
A Câmara Municipal de Almada financiou o prémio, no valor de mil euros. “O lado monetário que representa a oportunidade de comprar mais material, nunca é demais porque grande parte do trabalho normalmente vai fora”, lembra a artista plástica premiada. O trabalho não pára no pequeno ateliê que montou em casa. O nascimento
da filha, este ano, reduziu-lhe o tempo para a arte, mas a reflexão e o apontamento estão sempre presentes. “Com o nascimento da Petra há todo um novo campo sensível, aberto e pronto a ser explorado”, adianta prometendo novas exposições num futuro próximo.













