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Barreiro - Uma excelente peça do Projéctor«O Solário» onde a ficção e o real são memória

Hoje à noite, no Auditório da Verderena, vai estar de novo em cena a peça «O Solário» com encenação de Abílio C. Apolinário.

Se não viu, não perca, é um bom espectáculo, que dá bem a dimensão, da criatividade, da energia, da força que existe ao nível teatral no concelho do Barreiro.
Sendo hoje, Dia Mundial do Teatro, é, sem dúvida uma boa oportunidade para dar um abraço aos nossos actores e viver um excelente espectáculo.

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Barreiro - Uma excelente peça do Projéctor «O Solário» onde a ficção e o real são memória

Por Jornal Rostos

Hoje à noite, no Auditório da Verderena, vai estar de novo em cena a peça «O Solário» com encenação de Abílio C. Apolinário.
Era peça é uma reposição do Projéctor, agora com novos actores, e, de novo, podemos sublinhar que é um agradável espectáculo, com uma encenação rigorosa no espaço cénico, com um jogo de sombras e musicalidade, com interpretações excelentes.
Uma peça a não perder, pela sua qualidade estética e dramática e pela força e conteúdo do seu texto, um reencontro com histórias e com memórias.
Luciano Barata, como actor, de novo está excelente na sua interpretação, e, naturalmente, pela sucessiva vivência do papel, sente-se que vive cada vez com mais garra e expressividade a personagem que tem uma dimensão central, para sentir o texto e o contexto.
Lilia Pinto, igualmente, cresceu na vivência da personagem, sendo emotiva a sua interpretação, plena de sentimento e drama.
Joaquim Paulino, é novo, e, pode dizer-se que com este seu papel, afirma as suas potencialidades como actor, sente-se o seu prazer no fazer teatro, no viver a personagem, enchendo o espaço dramático de forma intensa, com uma excelente interpretação.
A Paula Almeida, tem um papel mais difícil de afirmar, com poucos diálogos, sendo mais uma ponte de relacionamentos e de contextualização. Vive o seu papel e contribui para dar o ritmo necessário às situações.
A encenação está perfeita no enquadramento do espaço e permite a fluidez das personagens.

Sobre a peça em si, o seu texto e conteúdo, já escrevi quando da sua estreia, mantenho as mesmas reflexões. Uma peça que é um desafio à memória, personagens que são colocadas perante o desafio de se (re)encontrarem, num jogo de «ser» e« não ser», que se transforma numa reflexão critica sobre o país que somos, o país que herdamos.
Se não viu, não perca, é um bom espectáculo, que dá bem a dimensão, da criatividade, da energia, da força que existe ao nível teatral no concelho do Barreiro.
Sendo hoje, Dia Mundial do Teatro, é, sem dúvida uma boa oportunidade para dar um abraço aos nossos actores e viver um excelente espectáculo.

António Sousa Pereira

A peça «O Solário» regressa no dia 22 de Abril. Vai estar no Auditório Municipal Augusto Cabrita, pelas 21h30, e no dia 2 de Junho, à mesma hora, no Auditório José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, Moita.
No dia 10 de Junho, a peça vai estar em cena em Águas de Moura, concelho de Palmela.

Ficha Técnica
«O Solário»

Autor - Fernando Augusto
Encenação - Abilio C. Apolinário
Actores - Paula Almeida; Lilia Pinto; Joaquim Paulino e Luciano Barata

Sinopse

Estamos no início dos anos 70. Uma Clinica de luxo, Casa de Saúde na zona de Sintra. Um solário quase sempre nevoento como é normal naquela região, mas onde se respira o ar puro do mar e da serra de Sintra. Para ali eram depositados os filhos ou familiares de gente de uma gama social superior ao normal. Uns com traumas da guerra, outros de doença do foro psicológico.
Quatro personagens cheios de traumas e tiques, birras e medos, preconceitos, uma denúncia angustiada de uma enorme hipocrisia social que os vitimou.
Cada um tenta desvalorizar o motivo que os levou para a aquela clinica. Com histórias, agressões de família, de guerra, desabafando com mais ou menos violência, como se uma confissão apenas, fosse o tratamento para a causa. Mas que acabaria sempre com violência entre eles. E ai está a enfermeira, no fundo também vítima dos mesmos males mas que se impõe e tenta esconder a sua sensibilidade como uma pedra de gelo se tratasse.
Esta peça recorda-me o filme “Voando Sobre Um Ninho de Cucos”.
Um final trágico, como trágico é o mundo de mentiras em que vivemos, quase nunca reagindo contra os falsos valores impostos pela sociedade decadente.

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