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Moldura

Alexandre Farto AKA Vhils intervenção artística no BarreiroNo «Sobe e Desce» do Bairro de Sta Bárbara

A história de um local encontra-se inextricavelmente ligada a todos aqueles que nele residiram e trabalharam, esta intervenção desenvolvida no âmbito deste projecto de requalificação para a Baía do Tejo, apresenta-se como uma contribuição manifestamente representativa para a preservação da memória social do Barreiro.

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Alexandre Farto AKA Vhils intervenção artística no Barreiro No «Sobe e Desce» do Bairro de Sta Bárbara

Por Jornal Rostos

Memória descritiva

A intervenção artística assinada por Alexandre Farto AKA Vhils no âmbito das obras de requalificação no Barreiro, tem por base a técnica original de escultura em baixo-relevo desenvolvida pelo artista em 2007, a qual tem sido materializada numa multiplicidade de locais à volta do mundo sob o corpo de trabalho com o título de Scratching the Surface Project.

Acreditando que a história de um local encontra-se inextricavelmente ligada a todos aqueles que nele residiram e trabalharam, esta intervenção desenvolvida no âmbito deste projecto de requalificação para a Baía do Tejo, apresenta-se como uma contribuição manifestamente representativa para a preservação da memória social do Barreiro, trabalhando com e expondo parte do substracto desta extensa superfície mural num acto simbólico com vista a tornar visível as camadas da história local.

Com base num dos conceitos transversais à obra de Vhils – a noção de “moldagem recíproca”, que explora a relação fundamental entre o indivíduo e o meio circundante, através da qual ambos desenvolvem um carácter comum –, esta intervenção em grande escala tem como objectivo enaltecer e homenagear o elemento humano que tem dado forma à composição do território, reflectindo ainda a intenção de humanizar o património edificado para que o público se reveja em, e reflicta sobre o mesmo.

Com este objectivo, a representação visual intenta sublinhar, através da conjugação de vários elementos – humanos, paisagísticos e arquitecturais – as particularidades da paisagem cultural e identitária local, falando-nos também de sustentabilidade e salvaguarda do património cultural, histórico e humano com um olhar para o futuro. Os vários elementos humanos que dão vida à composição – entre rostos individuais e grupos de trabalhadores e gentes locais – têm por base uma vasta recolha de imagens da história do Barreiro, em particular do seu passado industrial e fabril recente.

Expressando a ideia de força, união e perseverança, a peça mural apresenta-se, deste modo, como uma narrativa visual que reflecte sobre vários momentos da história do território, celebrando a diversidade cultural do concelho assim como a sua dinâmica manifestada através da contribuição activa da sua população – aqui representada segundo um princípio transversal, inclusivo e igualitário.

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