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Moldura

Teatro Estúdio Fontenova de SetúbalExigimos um mínimo de dignidade e respeito para todos os que trabalham na criação artística.

Vimos assim declarar que iremos lutar contra a ignomínia que mais uma vez se abate sobre nós, que não fomos contemplados para apoio, apesar de elegíveis para tal e do projecto ter sido considerado “bom”. Afirmamos ainda que estamos e estaremos solidários com todos os que viram cortado, reduzido e que injustamente continuam sem o apoio da DGArtes.

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Teatro Estúdio Fontenova de Setúbal Exigimos um mínimo de dignidade e respeito para todos os que trabalham na criação artística.

Por Jornal Rostos

Comunicado do Teatro Estúdio Fontenova sobre os resultados divulgados pela Direcção-Geral das Artes em relação aos apoios sustentados.

“Para a fábrica e pouco barulho!” ordenavam “aqueles que lá em cima decidem tudo por nós” à personagem de Koltès em a “A noite antes da floresta” que levámos à cena no dia Mundial do Teatro.
De casa e coração cheio, no Fórum Municipal Luísa Todi, a equipa do TEF continuava assim o seu caminho na construção de um mundo mais justo, a tentar fazer “as peças que importam” como nos escrevia Sabina Berman na sua mensagem.
Deixando sempre de lado a lógica economicista e de entretenimento fácil, tipo pastilha elástica e inócua, temos apostado na experimentação estética e na escolha de textos que seja pedra na engrenagem da alienação que nos assombra.

“Imagina que eu abria a boca…” retorquia o indigente de Koltès, “P’rá fábrica e pouco barulho que nós é que damos a última palavra!” insistia o bando de tecnocratas. Nós no TEF, que nunca fomos de nos calar perante as injustiças, não será desta vez que o medo nos toldará as acções e deixaremos de estar solidários apesar dos cada vez mais parcos recursos que temos.

Vimos assim declarar que iremos lutar contra a ignomínia que mais uma vez se abate sobre nós, que não fomos contemplados para apoio, apesar de elegíveis para tal e do projecto ter sido considerado “bom”. Afirmamos ainda que estamos e estaremos solidários com todos os que viram cortado, reduzido e que injustamente continuam sem o apoio da DGArtes.

No nosso caminho de mais de 30 anos, a criação artística tem-nos ensinado a fazer muito com pouco, a estar presentes mesmo quando a maioria se silencia, a partilhar quando outros ainda têm menos que nós e a transcendermo-nos quando acreditamos já não ter forças. Esta miséria a que nos deixam não pode continuar a ser a prática, exigimos um mínimo de dignidade e respeito para todos os que trabalham na criação artística.

Agora, perante a promessa de cortar com a lógica da troika, alimentámos a ilusão de que seria diferente, que não se iria alimentar o fogo que tem levado ao desespero e precariedade os trabalhadores das artes do espectáculo, pelos vistos enganámo-nos.

Acreditamos ainda ser tempo para o governo emendar a mão, sem que nos venha com a desculpa de outros governos de que não há dinheiro, quando todos os meios de comunicação social nos dizem que “nós, o estado” vamos mais uma vez pagar os desvarios da banca em “novos bancos”, ou continuamos a atribuir “redenção” fiscal a grandes empresas ou apenas repreensões a quem nos destrói o ambiente.

Desta forma, estamos com todos aqueles e aquelas que se começam a unir e organizar para agir e apelamos ao nosso público e amigos que se solidarizem, não apenas connosco, mas também com todos os que estão na mesma situação.
Como nos dizia Zeca Afonso “ acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem (…) qualquer dia, estamos reduzidos à condição de “homenzinhos” e “mulherzinhas”. Temos é que ser gente, pá!”

A equipa do Teatro Estúdio Fontenova

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