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Rosto do Ano 2020 – Área da MúsicaCarlos Camarão – VIVER PARA A MÚSICA E NÃO DA MÚSICA

Carlos Alberto Mendonça Camarão, é natural do Barreiro, conta 67 anos de idade, 52 dos quais ligado ao mundo da música, feitos ininterruptamente. Músico- autor- orquestrador.
Recebe merecidamente a distinção «Rosto do Ano 2020» na área da Música.

6 min de leitura
Rosto do Ano 2020 – Área da Música Carlos Camarão – VIVER PARA A MÚSICA E NÃO DA MÚSICA

Por Jornal Rostos

“Sou um músico Polivalente com um domínio que considero competente na guitarra, viola baixo, piano, harmónica e percussão
Comecei a minha carreira em 1968, no Beat Group Alvo, como organista. (Um grupo de baile oriundo da Baixa da Banheira).
Em agosto de 1970 ingressei em outro projeto de seu nome Holiday In Portugal, como guitarrista a convite do meu pai Carlos Joaquim Camarão, que era o organista do grupo e do José Figueiredo, viola baixo e vocalista e por lá me mantive até meados de 1999.
Com o passar dos anos os antigos elementos foram cedendo o lugar a novos elementos e passei a liderar o projeto musical durante 30 anos.”, refere Carlos Camarão.

Fiz de tudo um pouco, Bailes, variedades, Festivais da Canção amadora

“Com o Holiday (entretanto tinha subtraído o “In Portugal”, para ajustar aos tempos modernos) fiz de tudo um pouco, Bailes, variedades, Festivais da Canção amadora, cafés concerto, acompanhamento de artistas a solo, amadores e profissionais de nomeada de onde destaco Marco Paulo, Jorge Fernando, Calvário, António de Matos, Mariete Pessanha, Maria de Lurdes Resende, Artur Garcia, Fernanda Batista entre tantos outros que também me merecem referencia, todavia usei estes a título de exemplo.
Gravamos comercialmente 2 discos e 6 cassetes, quando se deu o boom do rock Português.
Trabalhei com músico de estúdio na Musicorde e Discossete. Lecionei aulas de canto, guitarra e piano.
Participei como diretor musical em espetáculos de revista à portuguesa, em vários teatros, tais como Maria Matos, ABC, Maria Vitória, Variedades (estes últimos no Parque Mayer).”, sublinha.

Em 1999 percebi que tinha chegado a altura de me renovar

“Para as comunidades Portuguesas na Europa atuei em Espanha, França, Suíça, Alemanha,
Sou um músico Polivalente com um domínio que considero competente na guitarra, viola baixo, piano, harmónica, percussão e muito mais.
Em meados de 1999, percebi que tinha chegado a altura de me renovar com músico porque, os elementos do Holiday já muito adultos, tinham perdido vontade de progredir e estavam estagnados, e eu devia ao bom nome que o Holiday tinha conseguido ao longo de tantos anos, de suspender as atividades do grupo sem beliscar a sua reputação.”, recorda.

Criei o projeto de raiz a que dei o nome de “Companhia Limitada”.

“ «Peguei» numa dezena de miúdos com idades compreendidas entre os 10 e 14 anos e criei um grupo de variedades a que dei o nome de “Ena Tantos”. Mas depressa percebi que o caminho não era aquele, porque eu queria algo mais musculado e de cariz profissional, foi quando criei o projeto de raiz a que dei o nome de “Companhia Limitada”. Começamos com uma base de 3 vozes femininas e eu nos sintetizadores. Como era o único elemento que usava outro instrumento para além da voz, comecei a sentir a falta de outros instrumentos e de outros elementos. Foi quando resolvi começar a usar as modernas tecnologias ao serviço dos músicos. Para tal fiz 2 cursos de formação com aproveitamento e diploma final, na área dos sistemas de gravação áudio digital na empresa Visound sob a supervisão dos alemães da Steinberg. A partir daí comecei a criar as minhas orquestrações com arranjos personalizados.”, salienta Carlos Camarão.

Brio profissional que consegui incutir nas vozes femininas

“Entretanto os Companhia Limitada, alavancados por esta mais valia e graças ao brio profissional que consegui incutir nas vozes femininas, usando ainda os meus conhecimentos e sobretudo a experiência de anos de palco, os Companhia Limitada começaram a ter uma outra merecida visibilidade.
Mas eu sou um insatisfeito por natureza, e queria mais, foi quando decidi começar a criar shows temáticos, para além dos bailes. Assim, ainda em 1999 criamos o musical MELODIAS DE SEMPRE um espetáculo dedicado ao teatro de revista, em 2001 ANOS DOURADOS um tributo á música dos anos 60, em 2008 ABBA TRIBUTE dedicado á banda sueca ABBA, em 2011 FADOS E COMPANHIA uma parodia musical tendo o fado canção como mote, 2012 BEE GEES 2 U by COMPANHIA LIMITADA um Tributo aos Bee Gees.”, sublinha.

Criei de raiz dois musicais infantis para época natalícia

“Pelo meio ainda criei de raiz dois musicais infantis para época natalícia a que dei o nome de FELIZ NATAL DONA RABUJA, e BARAFUNDAS DE NATAL.
Para poder ter mais valias e ombrear com a possível concorrência de mercado, motivei as minhas duas colegas a aprenderem a usar outros instrumentos para além da voz, assim, a Lígia aprendeu a tocar bateria e a Sónia a tocar viola baixo. A tocar e a cantar sublinho.
A Base da Banda Companhia Limitada, são 4 elementos, embora em ocasiões pontuais, possamos actuar em formato de trio. Sempre que fazemos os shows Tributos a banda recorre a 3 ou 4 músicos free lancers, subindo a estrutura base para 7 a 8 elementos.”, refere o músico.

Ficar alheios à maledicência e jogos baixos que grassa no mundo do show business.

“20 anos depois apesar de incompreendidos, acreditamos que a Banda Companhia Limitada, tem o seu lugar no mercado do entretenimento musical, é difícil “sobreviver” neste meio e manter uma bitola acima da média, mas como o nosso lema é “VIVER PARA A MÚSICA E NÃO DA MÚSICA” mantemos o nosso foco, tentando ficar alheios à maledicência e jogos baixos que grassa no mundo do show business.
Continuamos a querer fazer e ser diferente, na verdade depois de tantos anos, começamos a interrogar-nos se continua a valer a pena, estamos expectantes e vigilantes, vamos ponderando os pros e os contras, para dar continuidade ao projeto, o futuro a Deus pertence, por agora, só pedimos saúde que tudo o resto são trocos. Siga a dança”, refere Carlos Camarão.

Tenho levado o nome do Barreiro além fronteiras

A propósito da atribuição da distinção «Rosto do Ano 2020», na área da Música, Carlos Camarão refere ao jornal «Rostos» – “É assim sem falsas modéstias, eu fico contente porque na verdade eu tenho levado o nome do Barreiro além fronteiras atravessei várias gerações de pessoas que namoraram, casaram e se divorciaram e, hoje, falam comigo como se eu fosse um dinossauro, mas, na verdade sinto orgulho quando reconhecem que fiz algo de útil na sociedade com a minha arte.

Orgulhoso eu sou, mas vaidoso não

“Já vi pessoal receber medalha de mérito da cidade que, na minha opinião não fizeram nem um terço do que eu fiz e representei, mas se o vosso jornal entende dar me esse reconhecimento eu aceito e fico orgulhoso. Mas quem me julga é que deve de avaliar o meu percurso. Orgulhoso eu sou, mas vaidoso não”, acrescenta.

Recorde-.se que, a distinção «Rostos do Ano» é atribuida anualmente pelo jornal «Rostos», sendo resultado de uma decisão colegial assumida por um colectivo composto por :António Oliveira, jornalista da Lusa; Ana Lourenço Monteiro, ex-Directora do Jornal do Barreiro e António Sousa Pereira, Director do jornal «Rostos».

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